A.C. Scartezini

A soberania do Fundo Soberano entrou em jogo e o Banco do Brasil se sentiu em leilão

Presidente Dilma Rousseff: limpou o caixa do Fundo Soberano para salvar imagem de gestão às vésperas do pleito

Presidente Dilma Rousseff: limpou o caixa do Fundo Soberano para salvar imagem de gestão às vésperas do pleito | Foto: Ichiro Guerra/ Dilma 13

 

A cada dia mais próxima das urnas da reeleição, a presidente Dilma revela disposição para raspar o tacho e queimar caravelas que possam servir ao PT como transporte de volta à oposição. É uma espécie de jogo sem volta com efeitos capazes de espantar a própria presidente, além de incomodar o aparelho de Estado.

“Estranhérrimo”, a candidata foi a primeira a espantar-se, de forma inadequada, ainda em Nova York, quando soube por repórteres da repercussão ne­gativa do saque de R$ 3,5bilhões que mandou fazer no saldo do estratégico Fundo Soberano, criado pelo governo há seis anos como uma reserva financeira para momentos de crise.

“É estarrecedor que questionem o uso do Fundo Soberano quando o país cresce menos do que crescia quando o Fundo foi formado”, acrescentou Dilma com sua dificuldade para construir frase harmônica. Ainda pairava no ar o novo rebaixamento da expectativa de crescimento do PIB neste ano. Agora, a três me­ses do fim do ano, com o índice inferior a 1%: 0,9.

O fundo foi criado para e­mer­gências, mas agora a candidata limpa o caixa para salvar a má a­parência da gestão das contas públicas a quatro semanas do se­gundo turno presidencial. O fundo tinha R$ 3,8 bilhões. Agora Dilma le­vou R$ 3,5 bilhões. Sobraram R$ 300 milhões? Não, menos. Há uma se­mana, o patrimônio do fundo já es­tava desvalorizado em 10,7 por cento.

Por isso, espantaram-se técnicos do Banco do Brasil, cujos títulos formam o patrimônio do fundo, mas perdem valor por causa da falta de confiança no governo pelo mercado. A súbita presença de R$ 3,5 bilhões em títulos, à venda no mercado, em momento de crise, pressiona para baixo o valor dos papéis, numa espécie de leilão do banco.

Há dois anos, o Fundo Sobe­rano já perdeu dinheiro, com Dilma, ao abrir mão de ações da Petrobras em troca de papéis do Banco do Brasil, como desejava o governo. O prejuízo rondou os R$ 400 milhões na operação. O espanto do pessoal do banco chegou ao Ministério da Fazenda. Lá, responderam que a venda de papeis do fundo não é certeza, mas possibilidade.

Porém, o mercado acredita na ven­da para maquiar as contas públicas. Ao sacar a grana de bilhões, a pre­sidente gera uma ilusão. Finge que há equilíbrio fiscal. Cria superávit pa­ra fazer de conta que arrecada impostos num valor acima do que queima em gastos primários. Vale tudo em re­eleição presidencial. É preferível ven­der os bens do Estado a cortar despesas.

Para poupar o público que vota para presidente, o aumento do im­posto sobre a cerveja e refrigerantes foi adiado mais uma vez. Ficou para o ano que vem. Mais urgente, o novo aumento na conta de luz deve vir depois do segundo turno.

O aumento compensará o rombo de R$ 4 bilhões – superior ao dinheiro que estava no Fundo So­berano – para cobrir a grana gasta no pagamento a empresas de eletricidade na temporada de congelamento de tarifas. Prepare-se o eleitor-consumidor: a conta de luz mensal deve ficar 25 por cento mais cara.

Em nome da armação de uma contabilidade com números mais simpáticos nas contas do governo, mesmo que artificiais, a equipe econômica decidiu fazer de conta que o rombo na Previdência Social será menor do que a expectativa externa.

Para fechar as contas deste ano sem cortar gasto em temporada eleitoral, o Ministério da Fa­zenda passou a prever o rombo de R$ 40,6 bilhões neste 2014. No mercado, o cálculo é outro. O buraco na Previdência estará acima de R$ 50 bilhões. Sem contar o impacto do novo salário, a despesa com pagamento de precatórios, em novembro, deve exigir algo como R$ 3 bilhões.

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