A.C. Scartezini

A recessão pegou Dilma distante da sala de trabalho, sem saber se vence o primeiro turno

Em busca da garantia de vitória no primeiro turno antes de ir ao segundo, a presidente deixou de lado o Planalto, onde esteve apenas por um momento da semana

Marina Silva, candidata do PSB/Rede: um furacão na sucessão presidencial

Marina Silva, candidata do PSB/Rede: um furacão na sucessão presidencial

A. C. Scartezini

A presidente Dilma Rous­seff se preparava para uma viagem eleitoral a Salvador quando o IBGE comunicou, na sexta-feira, que o país entrou em recessão com a queda do PIB em 0,6 no segundo trimestre do ano em comparação aos três meses anteriores.

No primeiro trimestre, o governo anunciou o avanço de 0,2 por cento, depois passado a limpo como um tombo no mesmo valor de 0,2. A queda do PIB durante dois trimestres seguidos configura recessão técnica, segundo o manual de economia.

Mas a economista Dilma tinha outro plano para aquela véspera do fim de semana: vencer o primeiro turno da eleição presidencial e depois, se for o caso, ir à segunda rodada. A situação se tornou mais do que dramática naquela sexta, quando a nova pesquisa Datafolha colocou Dilma e Marina Silva (PSB/Rede) com 34 por cento das preferencias cada uma.

Abaixo da metade delas, veio o tucano Aécio Neves com 15 por cento. Rebaixado do Ibope, onde ele tinha 19 por cento três dias antes. Quando Eduardo Campo (PSDB) morreu na queda do avião e abriu vaga a Marina no dia 13, Aécio tinha 23.

Conforme a pesquisa do Ibope anunciada na terça-feira, se o segundo turno fosse hoje, a concorrente Marina Silva (PSB/Rede) seria consagrada como nova presidente com nove por cento de diferença: 45 por cento a 36. Três dias depois, o Datafolha ampliou para 10 pontos a vantagem de Marina sobre Dilma: 50 por cento a 40.

A amostragem do Ibope revelou que, hoje, Dilma venceria o primeiro turno com 34 por cento dos votos contra 29 de Marina, numa pesquisa onde a margem de erro é de dois pontos acima ou abaixo. Portanto, para não fazer feio, a presidente precisava garantir o primeiro, No segundo, Marina venceria com 45 por cento das preferências contra 36 da reeleição de Dilma. Depois, veio o Da­tafolha e revirou as contas.

Quem pagou o pato foram os despachos no outro palácio, o Planalto. A única vez em que a presidente esteve ali durante a semana ocorreu no fim da segunda-feira. Dilma foi ao palácio para uma audiência inesperada com dom Raymundo Damasceno Assis, presidente da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil, às cinco da tarde.

Saiu do palácio e pegou o caminho direto do aeroporto, rumo a São Paulo no avião presidencial para o de­bate de televisão, na noite do dia seguinte com outros candidatos a presidente – a mais de 24 horas de­pois de se retirar do Planalto. Voltou de São Paulo e concentrou-se novamente no Alvorada, de onde saiu para campanhas no Rio e Salvador.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.