Avatar
A.C. Scartezini

Procura-se um ministro da Fazenda disposto a enfrentar o mau humor diário de Dilma

Seja quem for o escolhido, deverá ter paciência suficiente para suportar e, se possível, levar para casa os desaforos da presidente em momentos de tensão

Presidente Dilma, sempre mal humorada: dificuldade para achar ministro | Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

Presidente Dilma, sempre mal humorada: dificuldade para achar ministro | Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

Quem aceitaria um tratamento ríspido com xingamento em momentos de tensão entre tantos solavancos na economia pela frente? O risco a que se exporá o novo ministro da Fazenda diante do comportamento previsível da presidente Dilma é uma das dificuldades à importação de um nome expressivo para a vaga fora dos quadros políticos. Um banqueiro, por exemplo.

Se a importação de um nome expressivo para a Fazenda é importante à conquista da confiança do mercado na política econômica, a presidente vive também o risco de ganhar a desconfiança do PT, onde há um movimento em marcha para não perder a prestigiosa vaga aberta pela demissão do companheiro Guido Mantega, ainda mais se a vaga pode ir para o capital.

A escolha do novo ministro da Fazenda é um deles. Outros problemas circulam em órbitas correlatas e o sucessor de Mantega, se for mesmo alguém expressivo, poderia participar das soluções se o seu nome for sagrado a tempo — como Dilma apreciaria. O mais importante é a aprovação do orçamento, que dispõe de um mês para a solução, mas a fórmula exige urgência.

É a aprovação do orçamento para 2015 antes de 22 de dezembro, quando deputados e senadores saem em férias. Antes, no entanto, o governo precisa aprovar uma mudança na atual Lei de Diretrizes Orçamentárias, se possível a partir desta semana, para reduzir a meta de 1,9% do PIB no superávit primário, a economia forçada para equilibrar as contas públicas.

A trama despertou a ironia do economista Gustavo Loyola, ex-presidente do Banco Central. “Se a meta é flexível, não é meta”, sentenciou o atual consultor econômico. Se o time está perdendo a partida, mudam-se as regras do jogo.

Tem mais. A LDO de 2014 seria alterada a pouco mais de um mês do fim de sua vigência em 31 de dezembro. Tanto casuísmo assim para driblar o vexame de um governo que não respeitou a poupança obrigatória nos gastos imposta pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), criação da era FHC como pilar para a estabilidade com metas nas contas públicas que exijam austeridade.

Desde FHC, que saiu do poder há 12 anos, Dilma será a primeira presidente a violar a LRF original, pois não conseguirá montar o superávit primário de R$ 99 bilhões estabelecidos para este ano: as contas do governo apresentaram em outubro o maior déficit mensal da história, R$ 21 bilhões.

O PMDB se dispõe a ajudar o Planalto a aprovar manobra no meio desta semana no Congresso. Eviden­temente, esse apoio terá um preço, mais espaço no novo governo, o que diminuiria os cômodos do PT, que está zangado com a hipótese de perder dois ministérios básicos: a Fazenda de Guido Mantega; e a Educação, do acanhado companheiro Henrique Paim.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.