A.C. Scartezini
A.C. Scartezini

A pressão sobre o palácio inclui o desafio do PT ao ajuste fiscal que contraria sindicatos

Medidas do governo desfavoráveis a trabalhadores assustaram Lula e o PT

Medidas do governo desfavoráveis a trabalhadores assustaram Lula e o PT

Se quiser mesmo ajudar a governabilidade da presidente Dilma, Lula terá trabalho junto ao PT e sindicatos para conter movimento contra a redução de benefícios trabalhistas previstos na medida provisória que agora depende do Con­gresso. É uma pressão que conta com o apoio silencioso de Lula, senão não se alastraria pelo partido contra a presidente.

Se Dilma não tocar nos direitos tra­balhistas, como prometeu durante a reeleição, não será fácil avaliar se eventual recuo se deveu a orientação de Lula na nova fase de relacionamento entre ambos ou se o palácio apenas sucumbiu à pressão vinda de sindicalistas e petistas. Seria interessante conhecer um processo na pessoa da presidente que a levou a mudar de ideia.

Ainda na segunda-feira pós-Da­tafolha com a queda da popularidade de Dilma, a pesquisa cimentou a mo­bilização no PT para defender trabalhadores contra o ajuste fiscal que o governo decidiu sem ouvir ou in­formar ao partido e sindicatos. An­tes da conversa com a sucessora, Lula considerou um absurdo que a CUT não fosse comunicada previamente.
Naquele momento, o diretório nacional do partido fechou o manifesto que criticou o ajuste e recomendou a Dilma coerência com a linha trabalhista do programa petista. O documento foi redigido ao final do encontro petista em Belo Horizonte, onde a presidente discursou sem aparte e defendeu a mudança trabalhista:

“As mudanças que o país espera para os próximos quatro anos dependem muito da estabilidade e da credibilidade da nossa economia. Nós precisamos garantir a solidez de toda a nossa economia, garantir o controle da inflação, das contas públicas e, enfim, garantir a geração de emprego e renda, que é o objetivo fundamental que nós temos.”

A reação do PT contra Dilma tem a ver com o pouco caso com que agraciava o partido. Relaciona-se ao gesto de afastar Lula de seu entorno. Ela estava feliz com a troca de rostos lulistas por outros dilmistas no Planalto. Sentia-se em casa no palácio: Minha Casa, Minha Vida. Caiu na real ao ser confrontada dentro e fora do partido: foi a Lula como antes.

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