A.C. Scartezini
A.C. Scartezini

A presidente recusou a resposta da Petrobrás, mas depois voltou atrás e corrigiu-se

Dilma Rousseff rasgou papel com subsídios da Petrobrás para dar resposta e escreveu ela mesma a nota desastrosa | Foto: Ricardo Stuckart Filho/ABr

Dilma Rousseff rasgou papel com subsídios da Petrobrás para dar resposta e escreveu ela mesma a nota desastrosa | Foto: Ricardo Stuckart Filho/ABr

Ao receber a pauta do jornal na segunda-feira, a assessoria levou o assunto à presidente, que pediu subsídio à Petrobrás para responder sobre a compra de Pasadena. À noite, Dilma reuniu três auxiliares para redigir a resposta ao jornal: o chefe da Casa Civil, Aloizio Mer­ca­dante; o secretário de Comu­nicação, Thomas Traumann; e o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams.

Nervosa, Dilma rasgou o papel com subsídios da Petrobrás para a nota porque o texto não correspondia bem ao que desejava responder ao jornal: dizia que a compra da refinaria se realizou porque, na época, foi considerada um bom negócio. Mas Dilma queria mais: elementos que permitissem a conclusão de que o Conselho de Adminis­tração foi mal informado.

Daí, a presidente redigiu pessoalmente a nota com apoio da assessoria. Com 253 palavras, o texto informou que decisão do Conselho saiu “com base em resumo executivo, elaborado pelo diretor da área internacional” da Petrobrás. “Posterior­mente, soube-se que tal resumo era técnica e juridicamente falho”, acrescentou.

Na quinta, a presidente acrescentou uma emenda à nota. Afirmou que apoiou a compra “por que, na época, parecia um ne­gocio vantajoso”. Com a mudança, o texto do palácio se aproximou da versão inicialmente proposta pela Petrobrás, aquela que Dilma rasgou com raiva ao abrir a reunião.

O diretor responsabilizado pela falha no resumo é Nestor Ceveró, atual responsável pela área financeira da BR Distribuidora. O Planalto alegou que Ceveró omitiu duas cláusulas no contrato proposto pela Astra Oil, então dona de toda a refinaria.

Numa, a sócia que entrasse em litígio com a parceira teria a obrigação de comprar a parte da outra. A segunda garantia à Astra o lucro de 6,9% ao ano, mesmo com mercado adverso. Sempre atenta a minúcias, Dilma se considerou enganada, mas poderia ler a íntegra do contrato na reunião do Conselho ou antes. Então conheceria as cláusulas.

A propósito, Ceveró sumiu de circulação na quarta-feira, dia em que saiu a publicação do escândalo. Mas, ao que se percebe, ninguém do governo foi atrás dele. Um dos responsáveis pelo resumo, no entanto, foi preso no dia seguinte. Mas por outra razão. Paulo Roberto Costa trabalhava com Ceveró na Diretoria da Área Interna­cional e atuou no contrato.

Mais tarde foi diretor de Refino e Abastecimento da empresa. Na quinta, foi preso pela Polícia Fe­de­ral durante a Operação Lava Jato, que combate a lavagem de dinheiro. Costa responde por crime ligado à sua passagem pela Petrobrás.

É acusado de intermediar a venda de nitroglicerina de uso industrial. Em sua casa, a polícia recolheu dinheiro vivo em três moedas internacionais: em real, 751 mil; em dólar, 181 mil; em euro, 11 mil.

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