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A.C. Scartezini

O pós-guerra eleitoral confirmou a liderança de Aécio como um poder paralelo

Petista Humberto Costa desdenha Aécio: “Foi Dilma quem venceu a eleição”

Petista Humberto Costa desdenha Aécio: “Foi Dilma quem venceu a eleição”

O clima de beligerância do PT ao longo da campanha favoreceu a reeleição da presidente Dilma, mas, como se esperava, provocou o nascimento de uma nova oposição mais combativa sob a liderança do senador Aécio Neves, que não seria mais aquele mineiro de trato ameno e discreto.

Aécio mudou e levou a oposição consigo. Na semana em que o PT festejou a reeleição e Dilma teceu acordos políticos, Aécio ressurgiu em Brasília com a força de um novo poder paralelo que emerge de uma derrota presidencial pela frágil diferença de 3,28% dos votos contra a máquina do governo. Não há ponto de retorno ao presidenciável derrotado e ao PSDB.

A força com que Aécio retornou à cena expôs nele uma qualidade que não existia antes da derrota: carisma. Tornou-se um líder de fato a dividir com Dilma e o PT o protagonismo político da semana. Transformou a derrota numa festa que agregou a oposição, a mídia e a opinião pública. Consolidou a falta de espaço para a volta tucana ao que era antes.

A festa da oposição contrastou e enciumou as comemorações do governo renovado para mais quatro anos de poder. Dilma desceu do pódio da vitória e, com toque de ciúme, censurou a festa tucana como se contestasse a reeleição. Ocorreu no discurso ao receber a visita do PSD para conversar sobre participação no novo governo, na quarta-feira.

Quis dizer que a campanha passou e agora é hora de “desmontar palanque” e ensinou que os eleitores julgam as propostas dos candidatos e cabe ao derrotado acatar a decisão:
— Há que se saber ganhar, como há que se saber perder.

Note-se ainda a reação, preocupada, de petistas na sessão do Se­nado onde Aécio discursou em tom exaltado de oposição. O senador Jorge Viana, do Acre, empregou a mesma imagem do palanque e também ensinou postura:

— Quem ganha tem de descer logo do palanque e governar. Quem perde reluta em descer, mas vai descer. Acabou a eleição.

Outro foi o líder do PT no Senado, pernambucano Humberto Costa, que desdenhou e corrigiu a festa num aparte a Aécio:

— Vossa excelência foi guerreiro, teve uma grande votação, mas a vencedora é a presidenta Dilma.

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