A.C. Scartezini
A.C. Scartezini

O escândalo é uma oportunidade para a oposição levar vantagem, mas tucanos se dividem

Ao longo da campanha eleitoral sempre haverá alguém a explorar o mensalão contra o PT e, agora, o caso Pasadena. A presidente Dilma Rous­seff receberá cobranças de oposicionistas e aliados numa situação de desvantagem para a reeleição.

A revelação numa dimensão mais am­pla das condições da compra da re­finaria americana pela Petrobrás em si já é uma fonte apreciável de críticas a u­­ma candidata, mais executiva do que po­­lítica, que atuou com preferência na área de energia, onde desembarcou so­bre a aura de gerentona com que o en­tão presidente Lula a apresentou ao público.

Mas o desgaste da candidata torna a reeleição um tanto mais vulnerável por causa de três fatos paralelos. Um de­les foi o ímpeto com que se dedicou a neutralizar o interesse do jornal de São Paulo em ouvi-la antes de publicar a nova versão sobre a aprovação da compra da Pasadena pelo Conselho de Administração da Petrobrás, que ela própria presidia como intima da energia.

A insegurança e a ansiedade da presidente marcaram a afoiteza com que ela rasgou a colaboração que pediu à Petrobrás para a nota do pa­lá­cio ao jornal. Rasgou por discordar do que dizia a empresa. Por isso, Dil­ma se encarregou ela própria de redigir o texto.

Nem se fale de outro comportamento que se confirmou naquele im­pul­so: apenas ela, a presidente, sabe fazer as coisas. No entanto, tinha diante de si, para colaborar, três funcionários que atendem por ministro e que ela convocou: o chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante; o secretário de comunicação, Thomas Traumann; e o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams.

Como dizíamos, três fatos colaboraram para o desgaste de Dilma, além da revelação de Pasadena em si. A redação da nota ao jornal foi um. Outro, a discordância de Lula quanto ao impulso com que a sucessora se dedicou à resposta, sequer o ouviu antes. O terceiro, a divergência entre a versão da Petrobrás e aquela adotada pela presidente.

Há também vulnerabilidade diante de aliados e oposicionistas nos pós-Pasadena. O apoio dos aliados se tor­na mais caro embora Dilma lidere as pesquisas. A oposição se fortalece pa­ra atacar candidata por falta de qualidade de gestão. O PT perde a de­senvoltura no uso daquela bandeira em que acusa o PSDB de desejar vender empresas públicas, como a Petrobrás.

Mas os tucanos se dividem. FHC a­cusava o presidenciável Aécio Neves de passividade. Agora, Aécio vai ao a­taque e defende a CPI para investigar a Petrobrás. É a investigação que todos es­tão realizando, desde a Polícia Fe­deral ao Tribunal de Contas da União, passando pelo Ministério Público. Mas FHC considera o momento eleitoral desfavorável à ação parlamentar.

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