Avatar
A.C. Scartezini

Nova semana promete mais sobressalto, e silêncio de Dilma fica sem prazo para acabar

A confirmação pela Engevix de que o petrolão é um supermensalão, a volta de Dirceu ao palco e o cerco do procurador Janot a políticos colaboram para a mudez

Vice-presidente da Engevix Engenharia, Gérson de Mello Almada: dinheiro da Petrobrás foi para comprar a base aliada governista | Foto: Divulgação/Engevix

Vice-presidente da Engevix Engenharia, Gérson de Mello Almada: dinheiro da Petrobrás foi para comprar a base aliada governista | Foto: Divulgação/Engevix

A. C. Scartezini

A reunião ministerial de terça-feira, 27, seria uma boa ocasião para a presidente Dilma romper suas cinco semanas de silêncio, se não levarmos em conta o monólogo dos discursos da posse há quase um mês. A presidente discursará diante dos 39 ministros na primeira reunião coletiva com eles no novo governo, na terça, mas deve ser outro monólogo sem pergunta e resposta.

O voto de silêncio em público de Dilma completou um mês ontem, sábado. A última vez em que ela ouviu perguntas e respondeu foi no café da manhã com repórteres pelo fim de ano. Se não houver desafio cara a cara, ela não fala. Sob provocação, geralmente fala até demais. Mas ela está escondida de repórteres.

A inibição da fala tem a ver com tudo o que ocorre no governo, onde não acontece coisa boa. A crise vai do aumento de impostos à série de apa­gões, depois de passar pela oposição do PT à política econômica. Po­rém, a corrupção com números bilionários já seria suficiente para calar a presidente por falta de discurso. Aos ministros, deverá entregar pautas de trabalho.

Há uma disputa entre governo e for­necedores da Petrobrás para um jogar no outro a culpa pela corrupção, caso em que se enquadra a denúncia da Engevix Engenharia, cujos advogados serviram à Justiça Federal, em Curitiba, a argumentação de que o governo cobrou propina para bancar “o custo alto das campanhas eleitorais”, além da compra de apoio no Congresso:

“A Petrobrás foi escolhida para geração de montantes necessários à compra da base aliada do governo e aos cofres dos partidos. Nessa combinação de interesses escusos, surgem personagens como Paulo Roberto Costa, que passou a exigir porcentuais de todos os empresários.”

A fala acima foi atribuída pela defesa da empreiteira ao vice-presidente da empresa, Gérson de Mello Almada, hóspede da carceragem da Polícia Federal desde 14 de novembro. Alega que o ex-diretor Costa, o amigo Paulinho a que se referiu Lula, impôs o superfaturamento como condição ao trabalho da fornecedora. Imposição que a Engevix de Almada aceitou.

Na mesma quinta-feira, introduziu-se no Petrolão o personagem que faltava, companheiro Zé Dirceu, chefe da Casa Civil de Lula e um dos cérebros do mensalão, que o condenou a quase oito anos de cadeia, mas já liberou para prisão domiciliar. A Justiça quebrou o sigilo bancário e fiscal da empresa de consultoria de Dirceu depois de constatar sua ligação com o petróleo.

Os procuradores da Operação Lava-Jato pesquisaram documentos da Receita Federal e apuraram que a JD Assessoria e Consultoria, recebeu transferências de R$ 3.745 mil, entre 2009 e 2013, vindas de três empreiteiras encalacradas com o Petrolão: UTC Engenharia, Galvão Engenha­ria e OAS. A JD pertence a Dirceu e ao irmão Luiz Eduardo de Oliveira e Silva.

Correndo por fora, nesta semana deve acontecer o segundo depoimento de Nestor Cerveró à Polícia Federal, adiado na última quinta-feira. Em pauta, a compra da Refinaria Pasadena, operação que incluiu Cerveró como diretor internacional da Petrobrás na ocasião. Negócio aprovado pelo conselho administrativo da petroleira, então presidido por Dilma Rousseff.

Enfim, o relator do petrolão no Supremo Tribunal Federal, ministro Teori Zavascki, confirmou que os inquéritos envolvem “várias autoridades”, inclusive parlamentares, a serem julgadas na casa. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, anunciou que se prepara para encaminhar os casos ao Supremo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.