A.C. Scartezini
A.C. Scartezini

A mudança no comportamento foi de caso pensado: pesquisa Ibope estava sobre a mesa

A última pesquisa de opinião do Ibope, paga pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), voltou da coleta nas ruas no dia 25, uma quarta-feira. O resultado foi divulgado exatamente uma semana depois. Porém, a presidente Dilma conheceu os números bem antes, no último fim de semana.

No domingo passado, quando vazou na imprensa a conversa do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, com ex-alunos da Universidade de Chicago, em São Paulo, a chefe já sabia que, em cada 100 brasileiros, apenas uma dúzia estava satisfeita com o seu governo, como atestou o levantamento.

Determinou, então, a repreensão a Levy, a cargo do chefe da Casa Civil, companheiro Aloizio Mercadante,. Depois, a presidente pensou melhor e conscientizou-se de que era um caso para sua intervenção pessoal, sem machucar Levy e o ajuste fiscal. Preparou-se para enfrentar os repórteres no Pará, no dia seguinte.

O comportamento de Merca­dante, por sinal, comprova a fragilidade da posição do governo Dilma perante o país. A cada pesquisa negativa que se sucede, o chefe da Casa Civil responde a repórteres que a solução é “trabalhar, trabalhar, trabalhar.” Ele não consegue dizer algo mais do que isso. Poderia treinar outra coisa.

É assim a assessoria mais íntima da presidente, que ela renovou em parte para o segundo mandato no palácio. Trouxe dois gaúchos, sendo ela agauchada. Ambos rudes no pensar. O secretário-geral, Miguel Rossetto, não conseguiu enxergar nos protestos de rua de 15 de março algo mais do que a presença de eleitores do presidenciável Aécio Neves. O secretário de Relações Institucionais, Pepe Vargas, não tuge nem muge.

Agora chegou o novo secretário de Comunicação Social, Edinho Silva, paulista ligado a Lula e capaz de ser servir a uma troca de recados entre a presidente e o ex, se Dilma continuar interessada em não manter uma convivência mais próxima com o antecessor. Edinho chega como favorito, mas isso pode ser momentâneo.

Antes mesmo de assumir na terça-feira, o novo comunicador foi chamado a juntar-se a uma reunião do conselho político da presidente. Na quinta-feira, véspera dos feriados, foi o único a constar da agenda de Dilma, que não foi ao expediente no Planalto. Fi­cou no Alvorada, onde a agen­­da pode ser apenas uma forma de simular trabalho.

É a equipe que, no próximo domingo, deve estar ao lado da presidente, na residência oficial, para acompanhar e comentar as novas manifestações de rua pelo país, agora embaladas pela progressão da rejeição à rejeição de Dilma. Mais uma oportunidade para Rossetto enxergar nas ruas alguém mais do que eleitores tucanos.

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