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A.C. Scartezini

Luz vermelha está acesa no Planalto e no PT por causa de novos desgastes de Dilma

As pressões sobre a presidente forçam uma explicação mais densa sobre a compra e a operação de Pasadena antes que a comprometam mais ainda com o caso

Renan Calheiros deve assumir em lugar do governo o desgaste de recorrer contra decisão da ministra Rosa Weber

Renan Calheiros deve assumir em lugar do governo o desgaste de recorrer contra decisão da ministra Rosa Weber

Ao começar a semana passada, o PT e a presidente Dilma Rousseff receberam pesquisas encomendadas para efeito interno e que indicavam nova queda no prestígio popular da candidata à reeleição presidencial, sobretudo decorrente dos escândalos que envolvem a Petrobrás. Ao longo da semana, novas denúncias surgiram a cada dia.

A aparente decisão do PT em não torpedear a instalação da CPI da Petrobrás seria uma forma de evitar problemas eleitorais, sobretudo para a reeleição. A liderança pe­tis­ta afirma que a bola está com o Se­nado. Isso que dizer que caberá ao PMDB do presidente do Senado, Re­nan Calheiros, decidir se recorre ou não ao plenário do Supremo Tri­bunal Federal contra a liminar da mi­nistra Rosa Weber que liberou a CPI.

Assim, o desgaste decorrente da contestação à liminar correria por conta de Calheiros e do PMDB. Dilma e o PT seriam inocentes. A­lém disso, a omissão pe­tista seria uma forma de não pressionar os 11 ministros a decidirem logo se concordam ou não com a liminar. Um dia, eles terão mesmo de julgar a liminar, mas que não tenham pressa. A CPI pode esperar, pensam os governistas.

O julgamento final do Supremo decidirá se a CPI será exclusiva da Petrobrás, ou se é possível ampliar a investigação na direção dos dois presidenciáveis da oposição. Seria então investigado especialmente o cartel que pagou propina para fornecer material e serviços ao metrô de São Paulo durante governos do PSDB de Aécio Neves.

Em segundo lugar na preferência petista, viria a investigação de irregularidades no Porto de Suape quando governava Per­nambuco o PSB de Eduardo Campos. Aliás, o ex-governador, eloquente nas críticas a Dilma, falava sobre a CPI da Petrobrás menos do que Aécio. Pode ser uma aposta no desgaste dos dois concorrentes, além de evitar menção a Suape.

Se a decisão final do Supremo for sobre a CPI exclusiva da Petrobrás, o PT, se houver interesse no partido, pode pedir outra para investigar somente o metrô de São Paulo. Tiraria Suape de pauta. Seria então mais um ponto para Campos, pois o porto não seria examinado.

Qualquer CPI teria, teoricamente, maioria esmagadora governista. No Senado, o governo teria dez representantes contra três da oposição. Na Câmara seria o dobro, 20 deputados contra 6. Mas a divulgação das imposições governistas seria desgastante para o governo Dilma. No imaginário do eleitor, seria como o Supremo não condenar mensaleiros.

Observou o líder do PSDB no Senado, o paulista Aloysio Nunes Ferreira, que, no andar da carruagem da CPI da Petrobrás, novos apoios se agregariam à apuração dos fatos, o que seria ótimo para a oposição em ano eleitoral. O próprio senador se projetaria na investigação, se tornaria mais conhecido nacionalmente e valorizaria a possibilidade de ser o vice de Aécio.

A propósito, as movimentações políticas de Aécio nas últimas semanas sempre expuseram Aloysio ao seu lado. Se o presidenciável vai a São Paulo, surge também o ex-governador Alberto Goldman. A presença dos dois tucanos paulistas ao lado Aécio tem uma significação simbólica: o ex-governador José Serra assimilou em silêncio a candidatura presidencial do mineiro, desistiu de disputa.

 

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