A.C. Scartezini
A.C. Scartezini

A Lava Jato diversifica as ações e avança sobre novas áreas do governo

Se continuar assim, PF acabará por encher o “saco” com suas descobertas | Antonio Cruz/ABR

Se continuar assim, PF acabará por encher o “saco” com suas descobertas | Antonio Cruz/ABR

Com pouco mais de um ano de atividade, a Operação Lava Jato amplia a ação da Polícia Federal e penetra em novas áreas do governo Dilma administradas pelo PT desde Lula, como se revelou na sexta-feira com a Caixa Econô­mi­ca Federal e o Ministério da Saúde.

Ambas, a CEF e o ministério, anunciaram no mesmo dia que se autoinvestigarão. Pode ser, a PF está abrindo a picada. Mas a iniciativa poderia ser dos dois órgãos federais, surpreendidos com a informação pública de que se repete neles o esquema do mensalão.

O governo gasta dinheiro em publicidade, grana cujo excedente fica entre políticos, como o bônus com que agências de propaganda, agradecidas, devolvem aos clientes. No mensalão, o bônus deveria ser do Banco do Brasil, mas não chegava ao caixa do freguês.

O dinheiro ficava com o então diretor de marketing do BB, companheiro e mensaleiro Henrique Pizzolato, que desviava o dinheiro em outras direções, como o PT. No caso Lava Jato, agências subcontratavam produtoras e distribuíam a grana entre elas, de onde chegavam a políticos.

Assim, havia um canal que abastecia o velho e conhecido ex-deputado do PT paranaense André Vargas, cassado pela Câmara com apoio do partido, que o expulsou. Agências abasteciam produtoras controladas por Vargas, que participava do lucro extra.

Era um negócio em família, pois André Vargas voltou a ser preso na sexta, agora na companhia do irmão Leon Vargas. Outro ex-deputado preso agora é o baiano Luiz Argolo, que começou no PP e hoje chegou ao Solidariedade. Ele tinha a própria mãe como laranja.

Além disso, Argolo não foi preso sozinho. Levou consigo a secretária Eliá Santos da Hora. Do grupo, ou quadrilha, foi pre­so ainda o publicitário Ricardo Hoffmann.

O terceiro ex-deputado preso é outro velho conhecido desde o mensalão, que o condenou, o pernambucano Pedro Corrêa, do PP. Como mensaleiro, ele já vinha cumprindo prisão em regime semiaberto.

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