A.C. Scartezini
A.C. Scartezini

A insatisfação entre petistas no Congresso inibe a retaliação do governo à ex-ministra

Ex-ministra Marta Suplicy: carta de demissão em que critica asperamente a política econômica de Dilma Rousseff | Antonio Cruz/ Agência Brasil

Ex-ministra Marta Suplicy: carta de demissão em que critica asperamente a política econômica de Dilma Rousseff | Antonio Cruz/ Agência Brasil

Sempre na ausência da presidente Dilma, as manifestações críticas do secretário Gilberto Carvalho e da ex-ministra Marta Suplicy ganharam sequência na quinta-feira numa reunião de deputados do PT. O encontro a portas fechadas era para discutir uma candidatura à presidência da Câmara alternativa ao nome do desafeto e líder do PMDB, Eduardo Cunha, do Rio.

Mas a pauta mudou. O que aconteceu foi a manifestação em série de descontentamentos petistas em relação ao governo. O impulso de oposição dos deputados aproveitou a presença de três enviados do primeiro escalão do Planalto: Aloizio Mercadante (Casa Civil), Gilberto Carvalho (Secre­taria Geral) e Ricardo Berzoini (Relações Institucionais).

Na volta a Brasília, Dilma terá um quadro convincente de insatisfações no Congresso, agora reforçada pela volta de Marta Suplicy à sua cadeira no Senado por São Paulo, com mandato por mais quatro anos. A rebeldia da senadora como ministra e autonomia com que opera Gilberto Carvalho estimulam os parlamentares. A presidente não terá como retaliar Suplicy.

Não há dúvida que o impulso de revolta no partido de Lula e Dilma tem a ver com o momento político de negociação da presidente para alinhar seus novos quatro anos de mandato com a redistribuição de posições em troca de compromissos. O problema petista é que o movimento visível nessa ação é de negócios com partidos aliados, como o PMDB. O PT que espere.

Longe do Planalto, a percorrer a Ásia e Oceania, Dilma viveu uma semana atribulada em Brasília, onde até o PT teve surtos de oposição. Agora, de volta ao batente no palácio depois de participar do grupo G-20 na Austrália, a presidente poderá encarar mais de perto os impasses políticos que brotaram em sua ausência.

O que se ouviu na reunião foram pedidos por um ministério “mais qualificado” em representatividade. Entre os 39 chamados ministérios de Dilma, o PT detém 17 posições, mas quer mais. Pediram mais diálogo, ou seja, acesso a Dilma para as reivindicações de cada um.

A plateia vibrou com um discurso em que o deputado gaúcho Paulo Pimenta denuncia a decadência do PT e a atribui à falta de apoio do governo federal. “Como um partido que está há 12 anos no governo perde 19 deputados federais e só elege dois senadores?”, referiu-se às últimas eleições quando o país elegeu 27 senadores, mas o partido não concorreu a todas as vagas.

“Tínhamos 149 deputados estaduais no Brasil e elegemos 109”, continuou Pimenta. Houve perda de protagonismo do PT na formatação e execução de políticas públicas. No PT estamos muito mais expostos para defender o governo nas questões mais difíceis”, queixou-se Pimenta e reclamou de atenção maior a partidos aliados.

Alegou o deputado que “en­quan­to isso, representantes de partidos aliados que fizeram campanha para Aécio (Neves) e Marina (Silva) estão na ponta da execução de políticas do governo”. Mas Paulo Pimen­ta não mencionou nomes de aliados. “Somos governo, mas precisamos ter mais protagonismo”, concordou o deputado Jorge Bittar, do Rio.

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