A.C. Scartezini
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Fernando Henrique chacoalha a inércia tucana e “puxa a orelha” de Aécio Neves

Senador Aécio Neves: “Base do PMDB histórico, democrático, o PT já perdeu”

Senador Aécio Neves: “Base do PMDB histórico, democrático, o PT já perdeu”

Se estivesse em São Paulo na quarta-feira, e não em Brasília, o presidenciável Aécio Neves presenciaria ao vivo uma aula de prática política por parte de FHC dirigida especialmente ao provável candidato tucano contra a reeleição de Dilma Rousseff e a ascensão da campanha agressiva de Eduar­do Campos pelo PSB-Rede.

FHC participava em São Paulo de um seminário do PSDB pelos 20 anos do Plano Real com a presença dos economistas que idealizaram a queda da hiperinflação e outros que ajudaram a manter a estabilidade monetária. Todos eles assustados com a inflação atual. “A economia está esquizofrênica”, denunciou Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central, e alertou:

Deputado peemedebista Jorge Picciani declara apoio ao PSDB

Deputado peemedebista Jorge Picciani declara apoio ao PSDB

— É preocupante a deterioração que podemos ter lá na frente.

Enquanto o senador Aécio acompanhava distante, em Bra­sília, o conflito entre aliados do go­verno e o Planalto no palco da Câmara, o ex-presidente FH advertia em São Paulo, como quem convocava o presidenciável à luta:

— Existe, sim, oposição no Brasil. É falsa a ideia de que não há alternativas. Convoco todos a colocar em prática o que foi discutido hoje (pelos economistas) para mudar o Brasil para melhor.

As alternativas mencionadas por FH devem considerar o fato de que “o país perdeu o rumo”, mas isso exigiria que Aécio Neves, cujo nome passou em branco pela fala do ex, provasse que está à altura do desafio:

— Tem que ter convicção, sobretudo liderança política. Quando não tem convicção não passa nada.

Aécio não comentou o que se passou em São Paulo na quarta, até por que o eco da fala de FHC ainda não chegara a Brasília. Naquele momento, comentava com repórteres sua expectativa quanto ao aproveitamento das sobras peemedebistas depois do choque do PMDB com o Planalto.

Como candidato, o senador considerou o reaproveitamento eleitoral das sobras peemedebistas como oportunismo justificável. Com interesse, destacou que uma banda peemedebista já teria se separado do PT. “A base do PMDB histórico, da resistência, da democracia que quer ver avanços no Brasil, o PT já perdeu”, disse.

Acrescentou Aécio que “já houve um descolamento claro de grande parte das bases do PMDB desse projeto que está aí”— mencionou o plano do PT para a permanência infinita no poder. Agora, é avançar para aprofundar o descolamento, admitiu o presidenciável:

— No caminhar dessas discussões, uma parcela do PMDB, como de outros partidos que têm grande identidade conosco, se aproximará de quem tem propostas.

Discretamente, Aécio acompanha a evolução da posição do PMDB do Rio perante o Planalto. No conflito com o PT, surgiram declarações de apoio a Aécio pelo deputado Jorge Picciani, presidente do PMDB no Estado. Mas foram gestos que podem ser considerados como pressões sobre o Planalto em defesa do conterrâneo Eduardo Cunha, líder do partido na Câmara.

Pelo sim, pelo não, Dilma Rousseff chamou para uma conversa o governador do Rio, Sérgio Cabral com seu vice e candidato à sucessão Luiz Fernando Pezão, mais o prefeito Eduardo Paes. Ao longo de um almoço com os peemedebistas no Alvorada, a conversa durou três horas. Dilma deu a entender que seu candidato é Pezão. Seria coisa do Lula a candidatura do senador Lindbergh Farias (PT).

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