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A.C. Scartezini

Entre os principais candidatos, apenas a ex-senadora melhorou de vida com a pesquisa

Pastor Everaldo: perda de votos com entrada em cena de Marina

Pastor Everaldo: perda de votos com entrada em cena de Marina

O mais recente levantamento do Ibope causou estragos maiores nas duas pontas do eixo formado pelos quatro presidenciáveis mais votados até então. Em cima, pegou a presidente Dilma com a rejeição de 36%, mais alta do que o apoio de 34% dos eleitores, que já não se entusiasmavam com a reeleição.

As duas taxas vinham se aproximando uma da outra na série de pesquisas em relação à reeleição de Dilma. Mas a rejeição passou à frente apenas depois que a ex-senadora Marina Silva entrou em cena como candidata a presidente pelo PSB/Rede. Mais conhecida do que o tucano Aécio Neves, Marina o superou e assumiu a segunda posição.

Se Dilma pagou mico na ponta de cima do eixo, na parte de baixo surgiu o drama do quarto candidato mais bem cotado, Pastor E­ve­raldo (PSC), representante dos evangélicos. Seria cômico se não fosse trágico. Com Marina na concorrência, Everaldo perdeu dois terços dos virtuais eleitores que nutriam sua posição privilegiada. Também evangélica, Marina chegou como uma opção mais popular nas urnas e na fé religiosa.

Antes, Everaldo tinha 3% da cotação geral de votos medida pelo Ibope e caiu para um ponto na última pesquisa. Não é nada, não é nada, o pastor foi rebaixado. Não tem mais o prestígio de quem estava sozinho em quarto lugar na classificação. Ganhou a companhia de Luciana Genro (PSol), que se manteve com 1% de promessa de voto.

A propósito, segundo o Ibope, mais da metade de evangélicos e pentecostais apoiam Marina, 53%, contra 27 de Dilma, candidata vacilante em demonstração de religiosidade. Entre católicos, a religiosa Marina supera a concorrente por pouco, mas supera: 42% a 40. Nas outras religiões, a vitória marineira sobre a reeleição é folgada, com 45% a 27.

O impacto mais dramático, porém, está na ponta de cima do eixo. O PT da reeleição de Dilma em 2014 e eleição de Lula 2018 tenta reaproximar os dois líderes a tempo de evitar a quebra da continuidade de poder no segundo turno da atual disputa, daqui a dois meses, no fim de outubro. Se Dilma se reeleger, o PT completa 16 anos no poder e espera Lula para chegar a 20.

A pesquisa do Ibope pós-Marina, apurada entre 23 e 26 de agosto, prognosticou a vitória de Dilma no primeiro turno, dentro de cinco semanas, com 34% de apoio, contra 29 da ex-colega de ministério no governo Lula, mais 19 pontos do tucano Aécio Neves. No segundo turno, Marina bateria Dilma por 45% a 36. E a rejeição? Dilma tem 36% contra 10 de Marina e 18 de Aécio.

Depois do choque do Ibope-Marina, Lula e Dilma devem deixar de estar juntos apenas nas imagens e falas gravadas separadamente para propaganda na televisão e rádio. Até a pesquisa, persistia o isolamento ao vivo entre ambos porque Dilma desejava se apresentar ao público como autônoma.

O comando do partido entende que também precisa ir às ruas e empurrar a militância consigo. A prioridade são as cidades com até 50 mil habitantes, nas quais o Ibope apurou a cotação de 43% para Dilma contra 24 de Marina. Ou seja, o PT vislumbra o interior como a saída do impasse da reeleição.

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