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A.C. Scartezini

Enquanto a presidente costura apoio, o PT recomenda distância de PMDB, PP, PSD e PR

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Tucano Aécio Neves é alvo de mensagem do PT extravasando o ódio mostrado durante a campanha eleitoral Foto: Wilson Dias/ Agência Brasil

Ao avaliar a aprovação da reeleição da presidente Dilma, a burocracia que compõe a executiva nacional do PT editou uma resolução onde sugere que aliados de centro-direita não contribuíram à vitória. Os partidos de esquerda foram mencionados, mas não se falou na centro-direita, caso do PMDB, PP, PSD e PR, que não mereceriam cargos.

O veneno da executiva está no início do extenso documento com 1.766 palavras. Na abertura, o papel considera que o planeta festejou a reeleição, com destaque ao bolivarianismo regional:

— Uma vitória comemorada por todos os setores democráticos, progressistas e de esquerda do mundo e, particularmente, na América Latina e no Caribe.

A seguir, a resolução aponta os inimigos da reeleição na “duríssima” disputa contra o desafiante tucano Aécio Neves:

— Foi uma disputa contra adversários apoiados pela direita, pelo oligopólio da mídia, pelo grande capital e seus aliados internacionais.

Então, o texto, aprovado no início da semana, indica os quatro responsáveis pelo sucesso da reeleição:

“Vencemos graças à consciência política de importantes parcelas do nosso povo; da mobilização da antiga e da nova militância de esquerda; da participação de partidos de esquerda; e da dedicação e liderança do ex-presidente Lula e da presidenta Dilma.”

Bem, os líderes Lula e Dilma não possuem compromisso com a análise e as recomendações da executiva, onde falta autocrítica e sobram autoelogios. Começa que outro órgão da burocracia interna ainda vai discutir a resolução, o diretório nacional do PT, que se reúne no fim do mês – o planeta esteja atento.

Além disso, a palavra final é de Lula e Dilma, que decidirão a composição da nova equipe, com o loteamento da Esplanada. Eles dirão onde termina o presidencialismo de coalização, que inclui partidos de centro-direita; e começa o território da militância, valorizada no documento, no aparelhamento do governo.

Logo no início, o texto com nove páginas revive o ódio com que o PT faz campanha política, que, na realidade do partido, não passa de guerra contra os adversários. Refere-se à concorrência e amaldiçoa a oposição:

“Encabeçada por Aécio Neves, além de representar o retrocesso neoliberal, incorreu nas piores práticas políticas: o machismo, o racismo, o preconceito, o ódio, a intolerância, a nostalgia da ditadura militar.”

Vagamente, o papel acusa “manobras golpistas” contra o novo mandato de Dilma, mas convida os militantes a um golpe no Congresso, uma manobra para derrubar a decisão da Câmara que anulou o decreto presidencial sobre a ação de conselhos populares. “Reverter a derrubada da Política Nacional de Participação Popular”, propõe.

A mais evidente provocação ao confronto não estavano site do PT, mas num texto no Facebook que serve ao partido. “Militância, às armas”, a nota conclamou os amigos e simpatizantes. “Man­tenha-se informado em nossos canais e arme-se com argumentos para combater a ignorância nas redes e nas ruas”, e emendou:

— Representantes do atraso, verdadeiros fantasmas do passado, eles tentam criar um terceiro turno na disputa eleitoral ao suscitarem sandices como intervenção militar e até o impeachment da presidenta. Esqueceram que o povo não é bobo.

O povo não é bobo, abaixo a Rede Globo – tudo a ver com a velha palavra de ordem de companheiros nas ruas em manifestações contra a mídia. Nova é a convocação a armar-se nas ruas com argumentos. A violência física é um argumento, como aquele ataque ao prédio da Editora Abril, em São Paulo, no protesto contra a “Veja”.

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