A.C. Scartezini

Em busca da vitória a qualquer preço, o PT, acuado, transformou a reeleição em guerra

A irracionalidade assumiu o poder e levou consigo a oposição, o que impede a restauração da compostura na reta final da sucessão presidencial

O projeto de poder petista vai muito além de 2014. Inclui também a eleição e reeleição de Lula a partir de 2018 l Foto: Ricardo Stuckert / Instituto lula

O projeto de poder petista vai muito além de 2014. Inclui também a eleição e reeleição de Lula a partir de 2018 l Foto: Ricardo Stuckert / Instituto lula

Sumido desde a eclosão do mais novo escândalo na Petrobras, o ex-presidente Lula reapareceu num comício em Manaus, na quinta-feira, quando a sucessão presidencial penetrava de vez no campo de guerra de todos contra todos entre os três principais candidatos. “Eu elegeria qualquer pessoa que eu indicasse”, gabou-se Lula no campo de batalha.

Porém, foi justamente a incapacidade do ex-presidente e do PT em reeleger Dilma Rousseff que levou à declaração de guerra para assegurar a permanência do projeto de dominação petista, o que inclui a eleição e reeleição de Lula a partir de 2018. O PT somaria, então, 26 anos de poder contínuo. A concórdia nacional? Seria reconstruída depois da renovação do mando de Dilma.

O presidenciável Aécio Neves (PSDB) declarou que Dilma desmoralizou a reeleição ao mobilizar os recursos públicos para satisfazer a necessidade privada de se reeleger para não perder o poder. Nisso, o poder que persegue está simbolicamente abandonado. Desde 25 de agosto a presidente não pisa no Palácio do Planalto para algum despacho de expediente.

No entanto, a reeleição não é um mal em si. Trata-se de um instrumento político que pode se manejar com civilidade, como em outros países com governantes educados. A reeleição de FHC em 1998 não foi como esta. Nem a de Lula chegou a tanto em 2006, embora a mentira eleitoral já estivesse institucionalizada pelo PT.

Naquela época, o primeiro men­salão estava quente no ar. Aloprados petistas compravam dossiê falso contra o tucano José Serra, candidato ao governo de São Paulo. Lula mentia em todo o país sobre a vocação tucana a favor da privatização geral de estatais. Como a candidata Dil­ma mente agora sobre a concorrente Marina Silva (PSB/Rede) e Aécio Neves.

Com as mentiras, o PT colocou a relação entre políticos e bancos no centro da discussão de palanque, como se não houvesse o que conversar sobre educação, saúde, custo de vida, transporte, decência e outras coisas que interessam ao bem-estar do brasileiro, que perde a autoestima desde que a corrupção se escancarou nos últimos governos.

Quanto a bancos, o PT de­monstra ingratidão ao acusar Marina de relações promíscuas como teúda e manteúda do Itaú. Nesta campanha, ninguém foi mais bafejado pelos banqueiros do que Dilma. Até o começo da semana passada, a reeleição arrecadou R$ 9,5 milhões de banqueiros. Can­didata ao segundo turno contra Dilma, Marina abiscoitou menos da metade, R$ 4,5 milhões.

Ao reaparecer em Manaus, Lula, em sua megalomania, festejou esta sucessão presidencial como uma relação entre ele e amigos, inclusive os candidatos da oposição:

— Eu sou amigo do Aécio, sou amigo da Marina, sou amigo da Dilma, sou amigo da Luciana Genro (PSol), sou amigo do Zé Maria (PSTU)…

Entre os amigos, escolheu Dilma para ser a mãe dos brasileiros. “Ela foi escolhida para cuidar de uma família de 200 milhões de pessoas”, comunicou, modesto. Ele, o pai de todos, não entregaria os filhos a quem não merecesse “muita confiança”. Se esta sucessão não fosse algo entre amigos e família, aonde teríamos chegado diante da obsessão de poder de Lula?

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