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A.C. Scartezini

Dilma vai além de Lula: a derrota tucana em São Paulo vale mais do que a vitória do PT

Padilha: o segundo poste de Lula em São Paulo Padilha: o segundo poste de Lula em São Paulo

Padilha: o segundo poste de Lula em São Paulo Geraldo Alckmin: Lula quer derrotá-lo de qualquer jeito

Por via indireta, a presidente Dilma abriu um desvio no projeto de Lula em eleger a qualquer custo o ex-ministro Alexandre Padilha ao governo de São Paulo. “Quero enfatizar esse (sic) fato: a gente não pode ser ingênuo (sic) e não perceber o que significa uma derrota dos tucanos em São Paulo, sendo bem clara”, discursou Dilma em jantar com o PMDB.

Observe-se que a presidente considerou ‘bem clara’ a sua fala; e não a uma derrota tucana. Mesmo que a intenção de Dilma fosse apenas paparicar o PMDB para garantir o apoio de todo o partido à reeleição, ela apresentou à cúpula peemedebista um viés divergente de Lula, cuja obsessão é colocar o PT na chefia do principal Estado e fechar o império de 20 anos do PSDB.

A derrota de Padilha seria o fracasso do projeto de Lula em eleger postes desconhecidos dos eleitores para posições políticas estratégicas. Elegeu Dilma há quatro anos, mas agora a reeleição da pupila coloca o PT em xeque. Em vão, Lula elegeu Fernando Haddad a prefeito de São Paulo. Hoje, não pode contar om ele. Mas essa é uma história para mais adiante.

Retomemos antes a fala de Dilma ao PMDB no jantar de terça-feira, na residência oficial do vice-presidente Michel Temer, comandante peemedebista em busca da reeleição na chapa do PT. Sigamos a trilha da gravação do discurso, à qual o repórter Rainier Bragon teve acesso. O tom da fala chega a expor uma dramática busca de apoio peemedebista.

A ênfase de Dilma na derrota da reeleição do governador tucano Geraldo Alckmin dispensou o PMDB de renunciar ao projeto de ter candidato próprio ao governo de São Paulo. Dilma se dará por satisfeita se os peemedebistas consagrarem o empresário Paulo Skaf como candidato a governador. Assim, Skaf não iria se compor com Alckmin, pelo menos no primeiro turno.

“Temos duas candidaturas”, referiu-se a presidente às opções Padilha e Skaf. “Acredito que é essa a fórmula do segundo tur­no”, emendou. Assim, admitia que não se pensa no PT em eleger Padilha no primeiro turno, apesar do apoio de Lula. Se Padilha patina a quatro meses da eleição, Skaf pode atropelá-lo e ir ao segundo turno contra Alckmin.

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