A.C. Scartezini
A.C. Scartezini

Dilma dividiu a base do governo mais ainda ao tentar aglutinar os partidos para aprovar o ajuste

Lula nem voltou a Brasília para ajudar a presidente a vender o arrocho, todos abalados com a lista de Janot sobre os políticos mencionados na Lava-Jato

Senador Renan Calheiros, presidente do Congresso: mágoa pessoal com a presidente Dilma Rousseff | Foto: Waldemir Barreto/ Agência Senado

Senador Renan Calheiros, presidente do Congresso: mágoa pessoal com a presidente Dilma Rousseff | Foto: Waldemir Barreto/ Agência Senado

Em duas semanas de corpo a corpo com partidos aliados para reagrupar a base em torno do ajuste fiscal, a presidente Dilma Rousseff desagregou o grupo mais ainda por não ter concessões a oferecer no arrocho ou no governo. Quem se acalmou foi o PT, que deixou de fazer oposição aberta ao ajuste, mas se colocou em posição de resistência passiva, sem ir à luta contra ou a favor no Congresso.

O abatimento do PT foi flagrado do na reunião da CPI da Petrobrás na Câmara, na quinta-feira. Os governistas decidiram dividir o comando da comissão entre petistas e peemedebistas. Porém, na hora do vamos ver, a oposição e o PMDB esvaziaram o poder do PT: criaram quatro sub-relatorias para desidratar o trabalho do relator, companheiro Luiz Sérgio, do Rio. Os petistas não chiaram, ficaram quietinhos.

Nem o ex-presidente Lula retornou a Brasília na semana passada, em­bora prometesse vir para continuar a ajudar Dilma na nova jornada de reagrupação dos governistas no Congresso. Deu-se por satisfeito com a imobilização da hostilidade do PT ao arrocho. A presidente ficou mais isolada ainda com a radicalização da recusa do PMDB em cooperar sem receber em troca provas de participação no governo.

Houve até o episódio em que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), recusou o convite a um jantar com Dilma e outros peemedebistas. Em seguida, constrangeu o Planalto novamente ao devolver a medida provisória que reduzia a desoneração da folha de pagamento de empresas. Coisa que o senador interpretou como aumento de imposto e, por isso, exigiu que voltasse como projeto de lei.

As duas últimas semanas não foram felizes para o governo no Congresso, chocado pela expectativa da lista de políticos e autoridades envolvidas com o petrolão que a Procuradoria Geral da República enviaria à apreciação do Supremo Tribunal Federal. Vítimas da teoria da conspiração, Calheiros e o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB)-RJ), suspeitavam que o Planalto forçou a inclusão de ambos na relação.

Não deu outra. Os presidentes do Congresso entraram na relação do procurador-geral Rodrigo Janot e insistem em atribuir ao Planalto a inclusão, como se ela fosse injusta. Agora ambos se angustiam porque, poderosos, passam a depender de outro poder, o Supremo Tribunal Federal.

Como exemplo de perseguição de Dilma ao PMDB, Calheiros e Cunha poderão mencionar o que ocorreu com o vice-presidente Michel Temer, líder do partido. Enquanto Lula esteve em Brasília, a presidente prometeu incluir seu vice no restrito grupo de conselheiros políticos que a atende. Ele seria o sétimo, um estrangeiro ao lado de seis companheiros que servem a presidente.

Oportunidade para a agregação não faltou, mas Dilma se esqueceu de chamar Temer na quinta-feira, quando reuniu os conselheiros para discutir a repercussão da lista de Janot. Mais uma razão para os peemedebistas desconfiarem de que nada mudou e eles continuam a ser as vítimas preferenciais da presidente.

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MESAQUE

O poderoso PMDB sem mais nem menos esta colhendo o que plantou nesses últimos doze anos. MERECIDO.

auc

Com 99% das reservas do mundo e mais de 90% da comercialização mundial, o Brasil explora muito pouco, perto da capacidade disponível. O nióbio é o elemento metálico de mais baixa concentração na crosta terrestre, “O Brasil detém praticamente todo o nióbio do planeta, mas esse potencial é desaproveitado”. O Brasil poderia ganhar até 50 vezes mais do que recebe atualmente com as exportações de ferro-nióbio, “caso ditasse o preço do produto no mercado mundial e aumentasse o consumo interno do mineral”. Em relatos vazados pelo Wikileaks, por exemplo, o governo americano caracteriza o Nióbio como um recurso estratégico e… Leia mais