A.C. Scartezini

As denúncias contra Eduardo Cunha e Anastasia são diferentes, mas há suspeito comum

Procurador Eugênio Aragão: ação estranha no interesse de ir para o STF? | Foto: Nelson Jr. /TSE

Procurador Eugênio Aragão: ação estranha no interesse de ir para o STF? | Foto: Nelson Jr. /TSE

Há a suspeita no Congresso de que o subprocurador-geral da República, Eugênio Aragão, seja o autor do vazamento sobre o envolvimento com o petrolão do líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha, e do senador eleito Antonio Anastasia (PSDB), ex-governador de Minas.

São dois casos diferentes. Cunha, desafeto do Planalto por causa de sua voracidade por cargos e verbas, é o candidato favorito à presidência da Câmara contra o PT, na mudança do mês. Sua implicação com o petrolão viria da delação premiada do doleiro Alberto Youssef. Para ganhar pontos na redução de sua pena, Youssef teria que provar o que disse.

O envolvimento de Anastasia, que assume no Senado também na virada do mês, teria surgido em depoimento de um preposto de Youssef, o polícia federal Jayme Alves de Oliveira Filho, o Careca. Depoimento não exige prova. Nele, Careca teria dito que, em nome do doleiro, entregou pessoalmente a Anastasia R$ 1 milhão para a sua campanha eleitoral a governador de Minas.

A notícia desgasta o senador Aécio Neves, de quem Anastasia era vice-governador. Em 2010, Aécio elegeu-se senador e Anastasia se reelegeu ao Palácio da Liberdade. Saiu do governo mineiro para se candidatar ao Senado no ano passado, quando Aécio concorreu a presidente contra a reeleição de Dilma Rousseff.

A missão de Careca junto ao doleiro era entregar dinheiro vivo a pessoas indicadas por Youssef. Cunha e Anastasia seriam duas delas. Agora, o senador eleito se oferece a uma careação com Careca. Entre outras coisas, deseja que o policial aponte o endereço aonde teria ido com uma sacola para recolher a grana.

O procurador Eugênio Aragão permaneceu onde estava, na Procuradoria Geral da República. Mas é candidato a promoção: deseja a vaga de Joaquim Barbosa no Supremo Tribunal Federal. No fim do ano passado, foi autor de uma causa polêmica, derrotada pelo Tribunal Superior Eleitoral.

Questionou no TSE a indicação do ministro Gilmar Mendes a relator da prestação de contas da campanha de Dilma a presidente em 2010. O recurso era estranho porque não caberia ao Ministério Público duvidar de indicação de relator no tribunal. O questionamento deveria vir de partido político, mas não veio.

Uma resposta para “As denúncias contra Eduardo Cunha e Anastasia são diferentes, mas há suspeito comum”

  1. ASDRUBAL disse:

    mais um a querer aproveitar a boquinha da festa promovida pelo partidão nos últimos 12 anos e nos próximo quatro……..

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