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A.C. Scartezini

A campanha do medo é para valer, mas Dilma é oportunista ao admitir trocas na equipe

As duas mudanças introduzidas no esforço a favor da reeleição devem
continuar até a votação como sintoma de crise na candidatura do PT

A equipe de governo pode até ser outra, mas será preciso mais que isso para superar o jeito Dilma de governar / Foto: Paulo Liebert/Fotos Públicas

A equipe de governo pode até ser outra, mas será preciso mais que isso para superar o jeito Dilma de governar / Foto: Paulo Liebert/Fotos Públicas

A.C. Scartezini

A semana que se encerra veio com duas mudanças na campanha do PT pela reeleição da presidente Dilma Rousseff. Uma foi o reconhecimento pela candidata de que há falhas em seu governo. A outra, foi a volta da tentativa de provocar medo no povo quanto a uma vitória da oposição. Agora, ambas devem se projetar pelas quatro semanas até o primeiro turno em cinco de outubro.

Mas apenas a segunda é sincera, a campanha do medo. A outra tem sabor de oportunismo de Dilma. A presidente nunca admite que há erro em sua gerência do governo, gesto que seria semelhante a outro impensável, um pedido de desculpa. As duas novidades se harmonizam, porém, como busca de socorro num momento crítico à reeleição.

Num auditório com industriais em Belo Horizonte, Dilma, numa linguagem vacilante e não muito compreensível, prometeu mudanças num novo governo nesta frase torta que desnorteou repórteres, mas consta da íntegra do discurso divulgada no site do Planalto:
– Obviamente, novo governo, novas e, necessariamente, atualização das políticas e das equipes.

Pela primeira vez em três anos e oito meses de governo, com aquelas 12 palavras, admitiu de forma indireta, na quarta-feira, a existência de falha em sua gerência. Se reconhece que, obviamente, há necessidade de mudança, é porque há falha que não menciona. Falha nem que seja alguma provocada por desatualização. Daí a admitir erro, algum dia, a estrada será longa.

No dia seguinte, em campanha em Fortaleza, Dilma confirmou o projeto de mudança se houver reeleição. Aconteceu quando um repórter perguntou se o ministro da Fazenda, Guido Mantega, seria abatido. “Eleição nova, governo novo, equipe nova. Não tenha dúvida disso”, reiterou o novo mantra. Em seguida mudou de assunto para evitar outros nomes de vítimas possíveis:

– Não falo disso, pois acho que dá azar também nomear gente para uma coisa que ainda não ocorreu.
Se reeleita, a presidente precisará de um ministro da Fazenda dócil ao seu comando na política econômica como o professor de economia Mantega. Mas não bastará a simples remoção do atual ministro para superar a desconfiança de empresas quanto ao jeito Dilma de governar.

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