Elder Sales
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O que é ruim para os rios é pior para o bolso e para a consciência

A crise ambiental, além de sacrificar cada vivente, ainda é pretexto descarado para os governantes aumentarem impostos

Falar em desenvolvimento sustentável é, antes de tudo, esperar que cada um tenha um pensamento sustentável, hábitos sustentáveis, desejos sustentáveis. Imaginar que é uma questão ambiental puramente é se esquecer de que existe um ambiente interno, psicoafetivo, que é o verdadeiro gatilho para uma crise existencial —para qual a crise ambiental representa apenas o final da conta.

Até que poderia ser mesmo um problema apenas para o bolso. O fato é que o problema é bem maior. Está relacionado à desestruturação da autoestima da humanidade. A grande pergunta que ecoa de dentro da alma para fora do corpo para todo mundo ouvir é: foi pra chegar nesse ponto que evoluímos tanto?

A crise ambiental, além de sacrificar cada vivente, ainda é pretexto descarado para os governantes aumentarem impostos disfarçados na pele de ovelha, como se fosse educação para o consumo ou meio didático para se instalar a consciência ambiental. Responda aí, em que momento ou circunstância castigo e punição, por si, representam mecanismos pedagógicos?

Temos casos graves com a imposição do petróleo como matriz energética. Pra que fonte alternativa? Sol, vento, água… Investir nisso vai atingir o reinado de muito pouca gente, não é? E o grande “resto” paga a conta, sempre, pois assim sempre foi tratado o povo — aqui, só cá entre a gente, o povo somos nós!

Essa crise tem assustado e a visão panorâmica e a perspectiva causam desalento. Num sobrevoo pelo nosso ego, vaidade e consumismo, para piorar, ainda temos de conviver com a mais triste das paisagens da constituição humana: a corrupção e a inconsequência insustentável dos indivíduos que gerem os impostos arrancados do suor da massa, a nossa biomassa.

Como falar em sustentabilidade? Secam-se os rios, inunda-se a nossa consciência com a preocupação de que precisamos sobreviver já. Imaginem como será resolver essa tão simples questão para as futuras gerações?

Sabe-se lá. Mas, olha aí, temos uma semana chuvosa. Quem sabe…

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