Elder Sales
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Liberdade lembra asas… Mas todo voo tem limites!

“Liberdade – Nível de independência absoluto e legal de um indivíduo, de uma cultura, povo ou nação, sendo nomeado como modelo (padrão ideal).

P.ext. Reunião dos direitos de uma pessoa; poder que um cidadão possui para praticar aquilo que é de sua vontade, dentro das limitações estabelecidas pela lei: liberdade política; liberdade comportamental etc.” (http://www.dicio.com.br)

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Como mero e simples leitor de tantos comentários interessantes e diversos acerca do atentado terrorista na França, ainda assim, não paro de perguntar a mim mesmo o que é liberdade e de suas várias formas a de expressão!

A questão do ataque seria etmológica ou existencial ou as duas coisas e mais um monte que cada um não pode ver, pois todos enxergam um mundo da forma que foram preparados, bem ou mal, para vê-lo?

Liberdade de expressão para escrever ou falar o que quiser, liberdade de expressão para metralhar suposto inimigo, liberdade de ser Charlie e de não sê-lo, liberdade com asas que sempre voam até certo ponto.

A discussão cai no colo de todo mundo, é um contexto humano, é ter que enfrentar os nossos demônios interiores como ego, vaidade, orgulho… Quem está certo nessa história? O problema, infelizmente, é nosso, as limitações existem em todas as pessoas, em todas as sociedades, isso, por si, diminui a liberdade que sonhamos.

Claro que a perspectiva, além de tudo, é histórica e o momento não é de orgulho pra ninguém. Algo de grave vem acontecendo no seio das sociedades no que se refere à xenofobia ou o que parece próximo dela como o receio de conviver com diferenças não apenas étnicas, religiosas, econômicas, mas, sobretudo, as diferenças individuais.

O próprio conceito de liberdade traz restrições. Liberdade absoluta poderia anular leis sociais. Estas, justas ou não, também traz implícito um jogo de poderes que sempre subestimou grande parte do tecido social em praticamente todas as sociedades. Vivemos em sistemas de dominantes e dominados e um existe por causa do outro, a lei do mais forte sempre esteve presente e aqui enxerga-se governantes que representam países que são carregados por populações conduzidas por interesses, claro, como seria diferente?

E como justificar a morte dos chargistas? Como justificar as charges agressivas? Um jornalista, das opiniões inflamadas, disse que não ser Charlie, neste contexto, é concordar que uma mulher que usa minissaia deva ser estuprada. Claro que não. Mas dependendo do lugar que ela vá esse risco aumenta e isto justifica? Também não, mas vivemos em sociedade e cada um arruma sua própria justificativa, os assassinos ou não, estupradores ou não, corruptos ou não, todos sempre vão ter justificativas, corretas ou não, favoráveis à sociedade ou não, individualistas ou não!

E nessa onda todos querem liberdade e a expressam mesmo que a fronteira seja o outro, os costumes, a religião, a vida do outro. Temos latente a necessidade de reflexão que é comum a todos: o convívio requer exercício constante e a liberdade é um presente que nós ganhamos, mas vem dentro de uma caixa.

Matematicamente a expansão ilimitada dessa liberdade vai entrar na fronteira dos outros, isso pode ser tolerável para uns e o caos para outros, vale a pena o risco? Cada um é “livre” para decidir.

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