Elder Sales
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Entre dedos que queimam, ufanistas e o complexo de vira lata

“Minhas mãos ainda estão molhadas do azul das ondas entreabertas e a cor que escorre dos meus dedos, colore as areias desertas (1)… Não sou sempre flor. Às vezes espinho me define tão melhor. Mas só espeto os dedos de quem acha que me tem nas mãos (2)”. (1- Cecília Meirelles 2- Marla de Queiroz)

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Já tão conhecido o canto que diz que a mão que toca o violão se for preciso faz a guerra numa extensão semântica diríamos que a mesma mão que acaricia é a mesma que agride e flagela é, ainda, a mesma estrutura anatômica que põe o alimento na boca e, depois, limpa o resultado disso…

Aos privilegiados portadores desse par de apêndices com polegar opositor guiado pelo telencéfalo (cérebro) desenvolvido, veja o vídeo ilha das flores, SOCORRO!!!

Aonde vamos parar com esse vômito convulsivo das nossas frustrações, maldade, perversidade sarcástica e agressividade agora transformada em pequenas bombas digitais que retrata 1 segundo de um ato qualquer até mesmo de uma pessoa qualquer e coloca nesse mesmo segundo as cenas sobre os olhares de vários apreciadores da ridicularização alheia?

Um banquete farto para a ironia frívola e a crítica que destrói… Ainda que se esteja no conforto do anonimato, ou do sofá, ou dos recônditos da própria alma que olha pra fora, vê tudo de péssimo no outro e esconde de si mesmo a si próprio!

Espalha-se na nossa vivência e convivência uma nuvem negra e pantanosa que sempre se associa a condição humana, julgada por humanos que muitas vezes se esquecem desse fato.

Aos fatos.

Hoje os dedos queimam… Mas não são guiados pelo tal telencéfalo?

Sim, imaginem o dedo do E.T. lá nas décadas passadas! Aquele dedinho extraterrestre não é nada se comparado com os dedos “digitais” que hoje se arrastam nas telas da tecnologia, ou seja, celulares, tablets por ai vai. A espreita, a sociedade se amarra em vídeos fotos que escancara a vida como ela é e tanto melhor se for à vida alheia! A foto da coluna mostra o personagem atualizado e não quer dizer que somos ETs.

Que tal essa cultura de quanto pior melhor?

Aqui entra o complexo de vira-lata propalado por Nelson Rodrigues. Como está à auto-estima da população que por figura de linguagem chamamos de Brasil?

Uma avalanche de críticas a abertura da copa… Coreografada por uma Belga! Claro que a pior escola de samba do Rio de Janeiro faria melhor. Por que delegar a um estrangeiro a tarefa de dar ritmo a maior festa esportiva do planeta no país que tem o dom de criar esse ritmo? Mas as críticas foram para o Brasil e a Fifa não explica os buracos do Itaquerão no campo, na arquibancada e no amor próprio do Pais.

O saldo disso foi a foto com a Claudia Leite (Milk) paralela a galinha pintadinha, perfeito, estava satisfeita a sanha do país que se auto flagela!

Todo mundo quando recebe visita em casa esconde os problemas. A mesma população ou parte dela elegeu a Presidente. Mandar a “maior” autoridade do país tomar “banho” é simplesmente admitir ao mundo que somos incoerentes pois, maqueada ou não, pra piorar, as pesquisas mostram que Dilma continua a frente nas intenções de voto… Pra onde deveriam se guiar as vaias?

Na outra ponta se colocam os ufanistas que quixotescamente até colocam o Brasil como se já tivesse ganho o torneio. Ainda que ganhe, seqüestrando e adaptando a frase de Geraldo Vandré: A vida não se resume a uma copa!

A copa vai, e os dedos ficam! Os dedos que se arrastam na tecnologia, que se arrasta na tela e arranham nossas integridades e riscam o pouco do ufanismo e da esperança de que esse país fosse mais coeso, mais forte nas propostas e que jogássemos em grupo.

Se assim fossemos cuidaríamos mais do outro, da sua imagem, da sua integridade. Não somente por favor ou altruísmo, mas pela nossa condição de um dia também precisar sermos cuidados!

Como agir entre o ufanismo e o complexo de vira-lata usando os dedos de fogo nas fornalhas das redes sociais?

Possivelmente se segurarmos com esses dedos nas mãos do criador diminuiria o risco da cairmos aos pés do anjo da capa preta!

Observação: A última frase é uma alegoria, não tem vínculo ou proposta religiosa.

Vai Brasil!

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