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Aline Carlêto

Uma cidade grande ou um grande interior?

Goiânia tem resquícios que lembram interiores. Bairros tradicionais, em que pessoas sentam em cadeiras de fio no fim da tarde para prosear

Goiânia completa 88 anos e a forma como é vista depende de ponto de referência. Aqueles que chegam de metrópoles como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília a consideram pacata, tranquila, animada na medida certa. Estes estão por aqui, na maioria das vezes, a negócio. A capital goiana também é escritório da economia do estado, que gira em torno da agropecuária. Visão um pouco limitada. Existe outra realidade.

Goiânia tem resquícios que lembram interiores. Bairros tradicionais, em que pessoas sentam em cadeiras de fio no fim da tarde para prosear. Pés de ata ou caju em meio a bairros de classe média. Entre trânsito e prédios, há barzinhos de esquina abertos de segunda a segunda. Aqui, não me refiro a bares estilo Marista, mas àqueles que chamamos de “boteco” no interior. Também é possível ver cavalos e carroças nas avenidas, como mostram as novelas. São coisas gostosas e engraçadas. Mas é uma cidade grande. Às vezes assusta.

Eu diria que esse aspecto interiorano é uma forma de amenizar a vida daqueles que vêm de cidades pequenas em busca de uma carreira. E como sofrem! Estão sempre correndo atrás de ônibus, olhando para o relógio, atrasados. Com o tempo, ninguém mais enxerga a mãe que pede ajuda no sinaleiro para comprar leite para o filho. É muito corrido. Barulhento. Tão cansativo! A cidade cria monstros. Falta empatia e gentileza, principalmente no trânsito.

Gosto de feiras ao ar livre. Mais um aspecto interiorano. Lá você não precisa mostrar que frequenta academia, não tem problema se seu cabelo não tem luzes ou se sua barba não é estilo Gusttavo Lima.

Uma vez li um livro que dizia que toda cidade tem uma palavra que a define. A de Nova York, por exemplo, era “trabalho”. Qual seria a de Goiânia? Ainda não descobri. Depende da referência. Uma cidade grande ou um grande interior?

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