Não é hora de ‘turistar’

**Luiz Bruno Roriz é publicitário e chefe de Gabinete da Agrodefesa

O momento requer o cuidado e a colaboração de todos. O agravamento da pandemia do novo coronavírus em Goiás neste mês de julho, como previsto por especialistas em saúde, obriga a população a se manter ainda mais atenta às regras de etiqueta sanitária e de distanciamento social. Com as taxas de ocupação hospitalar beirando a lotação e a triste marca de mais de 40 mil infectados pela Covid-19, não há como fugir ou negar a realidade. Ainda que, para muitos goianos, os planos para este período fossem outros.

Segunda maior festa religiosa do País, atrás apenas do Sírio de Nazaré, a Romaria em louvor ao Divino Pai Eterno, em Trindade, teria sido realizada entre o final do mês de junho e início de julho. Com procissões, missas campais e uma extensa programação de 10 dias, a expectativa da Igreja Católica era receber grande público, a exemplo dos 3 milhões de fiéis que passaram pela cidade em 2019. No entanto, a imagem da multidão nas redondezas do Santuário Basílica deu lugar à incômoda presença de barreiras sanitárias e de fiscais para evitar qualquer tipo de aglomeração.

Aruanã, localizada no encontro entre os rios Vermelho e Araguaia, também estaria repleta de turistas, não fosse o avanço dos casos da doença. As belas praias da região possuem infraestrutura de acampamentos, restaurantes e camping, sem contar um grande número de pousadas, hotéis e bares. Apesar do convite à natureza, o decreto estadual nº 9.674, que entrou em vigor no último 1º, impede qualquer tipo de aglomerações à beira do rio, assim como festas, caminhadas ou eventos. Barreiras também foram montadas para orientar a população sobre o cancelamento da temporada 2020.

Nesse cenário, a quarentena é absolutamente necessária, pois visa combater um inimigo duro, sem rosto, que pode estar em qualquer lugar e representa ameaça constante. Mais do que isso, a medida é resultado da falta de consciência coletiva. Nos últimos dias, a imprensa vem noticiando, por exemplo, que muitas famílias estão insistindo em aproveitar as praias do Araguaia mesmo em meio à pandemia. 25 acampamentos cujas estruturas já estavam montadas foram notificados. E foi preciso colocar a polícia nas rodovias para coibir a movimentação das pessoas.

Que fique claro: ainda não existem vacinas com eficácia comprovada para prevenir a Covid-19. Altamente contagiosa, a doença pode ser transmitida por gotículas respiratórias ou pelo contato com objetos contaminados e, uma vez instalada no organismo, tem rápida evolução. O governador Ronaldo Caiado está coberto de razão ao pedir aos prefeitos apoio e fiscalização. O distanciamento social é a estratégia utilizada ao redor de todo o mundo para diminuir os índices de transmissão, aliviando os hospitais. Que os goianos compreendam a importância de respeitar as determinações das autoridades, como forma de demonstração de responsabilidade e espírito coletivo.

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