Livro discute a superação da automutilação e do suicídio

Objetivo é o tabu de que falar sobre autoextermínio pode estimular ideias suicidas em quem planeja se matar, principalmente entre jovens

Liliane Gonçalves da Costa Pina

Na quinta-feira, 26, às 19h30, será lançado o livro “Aconteceu Com Meu Filho — Relato de Superação da Automutilação e do Suicídio”, de minha autoria, na sede de Casag, na Avenida Fued José Sebba, nº 1515, no Jardim Goiás.

Este trabalho é um singelo relato na ótica de uma mãe, que vivenciou a problemática da automutilação e de intentos suicidas com seu filho.

Tenho como intenção colaborar com o esclarecimento da população, em especial dos jovens, pais e responsáveis, escola e profissionais que tratam de saúde mental, abordando o tema, de forma franca, objetiva e realista.

Pretendo quebrar o tabu por muito tempo arraigado de que falar sobre autoextermínio pode estimular ideias suicidas em quem planeja se matar, principalmente entre jovens. Ao contrário, é possível enfrentar o problema com sucesso.

Seria fácil guardar o anonimato como inúmeras pessoas fazem quando são colhidas por algo tão drástico e difícil de lidar, mas preferi a contramão do comportamento comum expondo de maneira fidedigna minha experiência, com o aval do meu filho após sua exitosa recuperação.

Tornar minha história pública significa sair da zona de conforto da minha privacidade e expor a vulnerabilidade relativa às doenças mentais a que todos nós estamos sujeitos, ainda mais em tempos de pandemia.

Aprendi que devemos perceber os indícios visualizando o discurso, as mensagens, comportamentos de despedidas ou mesmo a impulsividade/irritabilidade do jovem. Afastar o preconceito e ouvir aquele que sofre cronicamente, ficarmos atentos às recaídas e ao uso de medicações que precisam ser prescritas em casos graves por médico especialista e que não devem ser retiradas abruptamente, até que a resiliência aflore e demonstre o controle e equilíbrio para continuar a vida com propósitos.

O tema, apesar de delicado, é atual devido ao aumento significativo do número de casos entre crianças e adolescentes e deve por isso ser debatido como forma de prevenção, não me esquecendo daqueles que foram impactados por tal acontecimento e que também precisam ver seu sofrimento minimizado através da posvenção.

Busco que seja aperfeiçoada a escuta, o acolhimento e os cuidados daqueles cujo sofrimento é intolerável, expondo não apenas uma história particular de superação e fé, mas um grave problema de saúde pública crescente em todo mundo.

Questiono o porquê do aumento deste comportamento em um público tão específico, abordo as diversas causas de depressão infanto-juvenil diante do que vivi, em especial o Bullying (para mim a mais letal), também chamado de assédio escolar ou intimidação sistemática conforme disciplinado na Lei 13.185/15.

Trago a Lei 13.663/18 que veio incluir a promoção de medidas de conscientização, de prevenção e de combate a todos os tipos de violência e a promoção da “cultura de paz” entre as incumbências dos estabelecimentos de ensino.

Ademais, alerto sobre a existência de um Plano Nacional de Combate à Automutilação e ao Suicídio disciplinado (Lei 13.819/19) que deverá ser implementado pela União, em cooperação com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios.

Ressalto que este Plano Nacional tem como objetivo a promoção da saúde, a sensibilização da sociedade sobre a relevância das lesões autoprovocadas e dos intentos suicidas como problemas de saúde pública passíveis de prevenção.

Almejo ver efetivado pelas autoridades o que foi determinado em lei federal através de práticas de acompanhamento populacional.

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