Acidentes de trânsito impactam atendimento na saúde em um momento crucial

Isac Silva de Souza, contador, advogado e exercendo a função pública de diretor Técnico do Detran-GO

Isac Silva de Souza, contador, advogado

Apesar de todos os esforços, a luta contra o avanço do coronavírus em Goiás está longe do fim. Por um período ainda desconhecido, travaremos o combate a esse inimigo nas atividades cotidianas e, inevitavelmente, dentro dos hospitais. Baixar a guarda não é uma opção, por isso devemos nos conscientizar sobre o impacto das nossas ações na sociedade. O que, claro, inclui o modo como agimos no trânsito.

Em um cenário que inspira muitos cuidados, a prudência de cada motorista, motociclista e pedestre pode ser o diferencial para desafogar as unidades de terapia intensiva, hoje com grande demanda para atender aos pacientes da Covid-19. Com a rede de saúde operando sempre perto de sua capacidade máxima, temos de ter a clareza de que a nossa atitude precisa mudar com mais urgência do que antes.

Os números mostram que os reflexos da violência no trânsito na rede de saúde sempre foram consideráveis. A cada ano, em Goiás, os acidentes de trânsito matam cerca de 1,4 mil pessoas. Entre 2010 e 2015, o gasto com internações de acidentados pelo SUS foi de R$ R$ 52,9 milhões em Goiás, com valor médio de internação R$ 1.463,19 e a média de permanência de 4,9 dias.

Não é difícil deduzir que os acidentes de trânsito – que já sobrecarregavam antes os serviços de saúde e dificultavam o atendimento às pessoas que precisavam de cirurgias cardíacas, e tratamentos de cânceres – podem afetar aqueles que precisam tratar na UTI as complicações causadas pelo coronavírus. Isso sem contar do risco que os acidentados têm de se contaminar dentro dos próprios hospitais, mesmo com todos os cuidados e protocolos que as equipes de saúde seguem.

Não agravar ainda mais esse quadro só é possível com conscientização. No Detran de Goiás trabalhamos continuamente para educar as pessoas para o trânsito. É um trabalho ininterrupto para alertar a pedestres, motoristas e motociclistas que as atitudes individuais têm impacto no coletivo e que um comportamento imprudente pode colocar a vida de muitas pessoas em risco.

Felizmente, vemos que o comportamento de muitos tem mudado. Já estamos numa corrente do bem para evitar uma disseminação ainda maior do coronavírus em Goiás. Todos nós sabemos de cor quais os cuidados básicos no momento: obedecer ao distanciamento social, fazer o uso de máscaras, lavar as mãos com a frequência necessária e usar o álcool em gel.

É importante não arrefecermos nessa luta, mas unirmos esforços também na batalha do trânsito. É hora de fazermos a nossa parte para minimizarmos as ocorrências de acidentes. E como fazer isso? Antes de tudo atenção com o limite de velocidade nas vias públicas e nas estradas. Além disso, não consumir álcool ou drogas antes de dirigir. Vale lembrar que o Detran de Goiás atua constantemente na sensibilização do condutor e na fiscalização de combate à combinação de álcool e direção, com campanhas educativas e fiscalização nas estradas.

Nas vias públicas, é preciso ter muita atenção ao transitar. Os pedestres que precisarem atravessar devem usar a faixa e sinalizar a sua intenção. Se não houver faixa no local, eles devem olhar sempre para os dois lados antes de atravessar. Por fim, só atravessar o semáforo quando o sinal estiver fechado para os carros.

Vamos ser sujeitos ativos no cuidado com a saúde de todos. Tenho certeza de que, juntos, vamos superar esse momento difícil. E você, já está fazendo a sua parte?

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