Frederico Vitor
Frederico Vitor

Daia deve salvar balança comercial goiana neste tempo de crise das commodities

Aeroporto de cargas será o ponto principal de saída dos produtos industrializados | Foto:  Pedro Henrique Santos

Aeroporto de cargas será o ponto principal de saída dos produtos industrializados | Foto: Pedro Henrique Santos

Os cenários nacional e internacional apontam para uma aposta maior em produtos industrializados em relação às commodities. Um dos fatores da baixa nos preços desses produtos diz respeito à China. É que o país, o maior comprador do Brasil de produtos in natura, como soja, carnes e minérios, desacelerou as compras em 2014 e sinaliza para uma redução ainda maior em 2015. Além disso, sabe-se que o país está comprando terras na África para produzir ao invés de comprar. Para compensar esse desfalque, a indústria goiana, em especial a anapolina, deve se preparar para modificar sua estratégia da balança comercial goiana, até o momento concentrada na agroindústria.

Lar de mais de 170 empresas de grande e médio porte, como a montadora Hyundai e as gigantes farmacêuticas que formam o segundo maior polo farmoquímico da América Latina, o Distrito Agroin­dustrial de Anápolis (Daia) terá um papel preponderante nesta nova estratégia. O novo contexto exige que as pautas de exportação do Estado estejam cada vez mais voltadas para os produtos industrializados e que tenham maior valor agregado do que os in natura.

No Daia, a industrialização é o lema — mesmo em relação à agricultura. De acordo com o empresário e presidente da Associação Comercial e Industrial de Anápolis (Acia), Luiz Medeiros, apesar do momento econômico difícil do País, Goiás ainda se mantém com uma balança comercial positiva por se apoiar na área agropecuária, que é bastante competitiva. Para ele, a tendência é de que a agroindústria goiana continue crescendo, a despeito do setor metalomecânico que deve sofrer uma queda neste ano.

Mas não apenas isso. Um dos fortes do Daia é a indústria farmoquímica. Segundo Luiz Medeiros, a expectativa é de que ela tenha crescimento, mesmo que ligeiro, acompanhado do setor de alimentos, que também terá expansão. É importante lembrar que Anápolis sedia várias das empresas com grande peso no setor, como a Ambev. “Temos uma agropecuária moderna e o setor industrial de Anápolis não perde nada para ninguém. O problema será a retração do consumo nacional. Por isso, devemos mirar para outros mercados”, diz Medeiros. Outro fator que fortalecerá o Daia é que Anápolis agora tem dois superintendentes na Secretaria de Desenvol­vimento.

O distrito

A história do Daia começou em novembro de 1976, durante o governo de Irapuan Costa Júnior, mas somente em 1980 o governo instituiu um programa de concessão de benefícios fiscais às empresas que se instalassem no local. O Programa Fomentar foi substituído pelo Produzir, que proporciona até 100% de financiamento, além da isenção de impostos. Dentre as vantagens de se investir no Daia estão: o Porto Seco, a Ferrovia Norte-Sul e, em breve, o aeroporto de cargas que dará vida à Plata­forma Mul­timodal.

Com a sua inauguração, empresas anapolinas vão poder exportar “a jato” seus produtos para o todo o mundo, facilitando ainda mais a nova estratégia da indústria goiana de conquistar novos mercados lá fora. O governo estadual tem tocado a obra do novo terminal aéreo de cargas, orçado em aproximadamente 140 milhões de reais. O aeroporto consiste numa pista de 3,3 mil metros de extensão com 45 metros de largura, além de uma área de escape de 150 metros de um lado e outro e um pátio de estacionamento de aeronaves de 40 mil metros quadrados, com capacidade de suporte para aviões de até 42 toneladas.

Não há dúvidas de que a plataforma Plataforma Multimodal, com todos os seus equipamentos — Porto Seco, Ferrovia Norte-Sul e aeroporto de cargas — em funcionamento, dará muito mais competitividade à indústria goiana.

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