Cacai Toledo volta a ser diretor da Codego

Apuração não encontra irregularidade e recomenda que governador renomeie Carlos Toledo, que pediu para ser investigado 

Nilson Gomes

Especial para o Jornal Opção

Ronaldo Caiado e Cacai Toledo | Foto: Reprodução

Henrique Hargreaves era chefe da Casa Civil quando, em 1993, o acusaram de violação de conduta ao fazer o Orçamento da União. Maior amigo de Itamar Franco. Currículo ilibado. Denúncia fraquíssima. Ainda assim, o presidente da República o demitiu.

Carlos César Savastano Toledo era diretor administrativo da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Goiás quando, em 2019, foi repentinamente demitido. Currículo ilibado. Nenhuma denúncia. Amigo de Ronaldo Caiado desde a infância. Não havia denúncia. E ainda assim o governador o demitiu.

Guardadas as proporções, os casos e os desfechos foram parecidos.

Inocentado após investigação, Hargreaves voltou ao ministério três meses depois.

Inocentado após investigação, Carlos Toledo, o Cacai, está de volta à Codego menos de quatro meses após a exoneração.

O novo presidente da Codego, Marcos Cabral, tratou do assunto ontem à noite com o governador.

O próprio Cacai protocolou na companhia uma série de cinco requerimentos com base na Lei de Acesso à Informação, a LAI.

Em resumo, perguntou à Codego se eram verdadeiras os fuxicos publicados em sites e blogs comandados por oposicionistas.

Marcos Cabral instituiu Comissão Permanente de Sindicância e Processo Administrativo Disciplinar (PAD), presidida pelo autor destas linhas, recém-nomeado na empresa.

Os outros dois componentes são o auditor Manoel Gomes de Abreu e Isismar Nascimento, servidor da Controladoria-Geral do Estado.

Pesquisei bastante acerca da conduta de Cacai na Codego. Desde antes de ter cargo no governo, conversei com empresários, consultores e colegas de trabalho do ex-diretor.

Na apuração informal, não encontrei sequer um que o acusasse de irregularidade.

O máximo de “acusação” contra Cacai: “arrogante”, “não cumprimentava a gente nos corredores”, “passou por mim na escada muitas vezes e nem olhava na minha cara”, “é um moleque mimado”, “parece que ele é o governador”.

E corrupção? Nada.

E a corrupção com outros nomes, como facilitação, favor etc.? Nada.

Ao contrário.

Ouvi reclamações sobre sua intransigência, “não abre nenhuma brecha pra nóis que é empresário”, “não dá chance pra gente ajeitar as coisas”.

Na investigação oficial, o resultado foi o mesmo.

Cacai perguntou se assinou algo dando quiosques no Daia, o distrito industrial de Anápolis. Não.

Algo referente ao Porto Seco e Grupo Aurora? Não.

Concedeu anuência, alienação ou hipoteca nos distritos industriais? Não.

Houve algum ato ou contrato irregular em sua gestão? Não.

Há processo, sindicância, auditoria ou PAD sobre seu período na Codego? Não.

Os três integrantes da comissão repassaram as interrogações a funcionários dos respectivos departamentos e pesquisaram no sistema interno, o Integrador.

Nada contra Cacai.

Perguntei a diversos colegas e a consultores de empresários se Cacai teve com qualquer deles algum papo atravessado, uma vagabundagem de esguelha, uma proposta indecente, enfim, algo indireto, mas sugestivo de pilantrice.

Nada.

Portanto, a recomendação a Ronaldo Caiado e ao presidente da Codego, Marcos Cabral, é para reconduzir Carlos César Savastano Toledo ao cargo de diretor administrativo.

Ouvido o Conselho de Administração da Codego, que Cacai volte o mais rapidamente possível. De preferência, ainda nesta quinta-feira, 21/11.

Se há alguém honesto, comprovadamente honesto, após investigação, esse alguém é Cacai.

Se caiu por causa de fofoca, volta por questão de justiça.

De modo informal, foi constatado que Cacai tombou vítima da indústria de fake news.

Ronaldo Caiado é rigoroso com todos, mais ainda com pessoas tão próximas.

A elas não basta a honestidade, têm de pairar até sobre os mexericos.

O governador cortou na carne. Está na hora de cicatrizar essa ferida.

Nilson Gomes é jornalista.

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