Advogados: Justiça, MP e Imprensa ouviram grito de vítimas de assédio sexual em Luziânia

Humberto Kremer e Carla Moreira fala em várias vítimas de crimes contra a dignidade sexual. Cristóvão Tormin foi afastado pela Justiça

A Justiça afastou Cristóvão Tormin da Prefeitura de Luziânia (no Entorno de Brasília), na semana passada. O líder político do PSD no município — o partido ainda não anunciou sua expulsão (mas a cúpula não aprova sua conduta e o presidente do partido, Vilmar Rocha, deve tomar uma providência) — é suspeito de assédio sexual. Com seu afastamento, é possível que mais vítimas tenham coragem de se pronunciar a respeito. Dois advogados que são representantes das mulheres que dizem ter sido assediadas — Humberto Kremer Neto e Carla Moreira Oliveira — divulgaram uma nota à Imprensa condenando o assédio (“não é não!”) e dizem que “o grito de socorro” de mulheres de Luziânia foi ouvido pela Justiça, pelo Ministério Público e pela Câmara dos Deputados, por intermédio da parlamentar Iracema Portella.

Cristóvão Tormin: suspeito de assédio sexual, foi afastado da Prefeitura de Luziânia pela Justiça| Foto: Reprodução / Facebook

NOTA À IMPRENSA

Este momento não é motivo de comemoração em Luziânia/GO, mas de REFLEXÃO!

Na qualidade de advogados de inúmeras MULHERES que afirmam terem sido VÍTIMAS de CRIMES CONTRA A DIGNIDADE SEXUAL ao longo da última década, queremos aqui registrar a nossa confiança nos órgãos estaduais e federais de JUSTIÇA e de SEGURANÇA PÚBLICA.

Os últimos episódios demostram que a ESPADA DA JUSTIÇA está vigilante e que TODOS estamos sujeitos ao RIGOR DA LEI.

Oxalá que o FIEL DA BALANÇA faça com que a verdade dos fatos seja devidamente apurada e contraposta com a punição prescrita, não só para que se faça JUSTIÇA nos casos em questão, mas para SERVIR DE ALERTA A TODOS aqueles que insistem em ovacionar a CULTURA DO ASSÉDIO.

Mais uma vez, a IMPRENSA mostrou o porquê que a CONSTITUIÇÃO FEDERAL de 1988 lhe garantiu a LIBERDADE. Se a CULTURA DO RESPEITO vem paulatinamente se sobressaindo ao ranço da CULTURA DO ASSÉDIO, muito se deve à CORAGEM DOS PROFISSIONAIS DA IMPRENSA que persistem em pautar a triste realidade da submissão, desafiando personalidades (inclusive representantes do velho coronelismo brasileiro) que se escondem atrás da máscara de “pai de família”, de “homem do povo”, de “homem de Deus” e se valem do posto de liderança econômica, religiosa ou política que ocupam para praticar as mais diversas truculências e desrespeitos às MULHERES.

Da mesma forma, esses e tantos outros casos demonstram a inteligência dos CONSTITUINTES de 1988 para com o fortalecimento do MINISTÉRIO PÚBLICO, consagrado enquanto instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, incumbido da defesa da ordem jurídica, do Regime Democrático de Direito e dos interesses sociais e individuais indisponíveis, em especial, da defesa e proteção das MULHERES vítimas das diversas formas de violência.

Cabe-nos, por fim, uma reverência especial às DEPUTADAS FEDERAIS DA PROCURADORIA DA MULHER DA CÂMARA DOS DEPUTADOS, na pessoa de sua Presidente, a DEPUTADA FEDERAL IRACEMA PORTELLA (Estado do Piauí), que desde novembro último passou a ser a porta-voz dessas VÍTIMAS junto ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), ao Ministério da Justiça, ao Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos e tantos outros órgãos dos sistemas de Justiça e de Segurança Pública, oportunizando que o GRITO DE SOCORRO vindo de LUZIÂNIA ecoasse em nível federal.

Às NOSSAS CLIENTES, seus familiares e a todas as MULHERES, o nosso mais profundo respeito!

NÃO É NÃO!

Luziânia/GO, 24 de fevereiro de 2020.

HUMBERTO KREMER NETO

Advogado OAB nº 54.960/SC e 57.761/GO

[email protected]

CARLA MOREIRA OLIVEIRA

Advogada OAB nº 57.460/GO

[email protected]

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