Reitor da UFG diz que verba anunciada por Temer já era esperada e é insuficiente

Orlando Amaral evidencia crise no ensino superior federal e diz que é necessária liberação integral dos limites de custeio e de capital

Orlando Amaral, reitor da Universidade Federal de Goiás | Foto: Fernando Leite/ Jornal Opção

O reitor da Universidade Federal de Goiás (UFG), Orlando Amaral, afirmou nesta sexta-feira (11/8), em entrevista ao Jornal Opção, que o anúncio da liberação da verba de R$ 450 milhões a universidade federais de todo o País já era esperado e está longe de resolver o problema da instituição goiana.

Conforme adiantou o Jornal opção na quinta-feira (10), com uma redução real de 13% no orçamento em relação ao último ano, a universidade enfrenta pelo terceiro ano consecutivo graves dificuldades financeiras à medida que o segundo semestre do ano avança.

O reitor esteve reunido, juntamente com a nova diretoria da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior no Brasil (Andifes), com o ministro Mendonça Filho, na tarde de quinta, quando foi anunciado aumento de cinco pontos porcentuais no limite de empenho para custeio e investimento de todas as universidades e institutos federais.

Com isso, o limite do custeio, utilizado para a manutenção das instituições de ensino, passou de 70% para 75% e o limite de capital, usado para adquirir equipamentos e fazer investimentos, foi de 40% para 45%.

Segundo explica o reitor da UFG, entretanto, a ampliação do limite de empenho além de esperada é insuficiente. Isso porque, neste ano, a quantia anunciada para ser liberada foi de 85% do valor previsto para despesas de custeio e de 60% para despesas de capital.

“Ou seja, só nos autorizou a usar um pouco mais daquilo que nos é devido. Nem sequer chegamos ao limite previsto e queremos esse total”, argumentou Orlando Amaral.

O Ministério da Educação garante que está trabalhando para aumentar esse limite, assim como fez em 2016, quando, mesmo após o bloqueio de verbas feito pelo governo anterior, conseguiu liberar 100% de custeio para as universidades.

Cenário de crise

A situação caótica enfrentada desde 2015 pela UFG foi agravada devido aos cortes anunciados pela gestão do presidente Michel Temer (PMDB) no último ano, quando já foram registrados atrasos de ao menos três meses no pagamento das contas de energia, água e contratos com empresas terceirizadas.

Atualmente, essas dívidas estão quitadas, mas não se sabe até quando a situação se manterá regularizada. Diante do cenário de crise, a universidade deve congelar algumas obras. É o caso do prédio do curso de Engenharia Mecânica no Campus Samambaia, que já teve os trabalhos paralisados. A construção do campus de Aparecida de Goiânia e a conclusão da nova biblioteca são outras obras que podem ser afetadas.

Orlando garante, entretanto, que não trabalha com a possibilidade de um cenário caótico em que os serviços de água ou energia, por exemplo, sejam cortados, ou ainda que a universidade tenha que cancelar o semestre, como chegou a ser sugerido no ano de 2015.

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