JBS delata pagamento de US$ 150 mi em propina a Lula e Dilma

Ex-presidentes Lula e Dilma são citados por Joesley Batista como beneficiários do esquema de beneficiamento da empresa junto ao BNDES

Alguns trechos da delação premiada da JBS, divulgada nesta sexta-feira (19/5) pelo Supremo Tribunal Federal (STF), comprometem os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Dilma Rousseff (PT).

No trecho 1 da colaboração, Joesley Batista descreve o fluxo de duas “contas correntes” de propina no exterior, cujos beneficiários seriam os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, e que no ano de 2014 teria alcançado os US$ 150 milhões. Segundo a delação, o responsável pela operação das contas era Guido Mantega, ex-ministro dos governos petistas.

Joesley Batista, disse que transferiu para contas no exterior US$ 70 milhões destinados ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e mais US$ 80 milhões em conta, também no exterior, em benefício da ex-presidente Dilma Roussef.

A ex-presidente Dilma negou irregularidades, e disse que “são improcedentes e inverídicas as afirmações do empresário”.

Em outro trecho, Joesley afirma que a JBS teria depositado cerca de R$ 300 milhões em propina devida ao Partido dos Trabalhadores (PT) numa conta secreta controlada pelo próprio Joesley na Suíça. A titular da conta seria uma empresa de fachada sediada no Panamá.

A informação é de que todo esse montante era advindo de vantagens indevidas que a empresa obtinha junto ao BNDES durante a gestão do PT, especialmente nos anos em que Luciano Coutinho era presidente do banco.

Em 2010, a empresa afirma que fez repasse de R$ 30 milhões para a campanha de Dilma, por intermédio do ex-ministro Antonio Palocci.

Em nota, a defesa do ex-presidente Lula disse que os trechos da delação “vazados à imprensa” mostram que as afirmações de Joesley Batista em relação a ele “não decorrem de qualquer contato com o ex-presidente, mas sim de supostos diálogos com terceiros que sequer foram comprovados”.

Além disso, a nota assinada pelos advogados do ex-presidente afirma que a referência a seu nome apenas “confirma” a tese de que delações premiadas só são aceitas pelo Ministéiro Público se fizerem referência a Lula.

Já a ex-presidente Dilma reafirmou que jamais pediu doações ilegais ou autorizou que terceiros o fizessem em seu nome. Segundo nota publicada pela assessoria, a petista também nunca possuiu conta bancária no exterior.

Confira respostas na íntegra:

Nota

Verifica-se nos próprios trechos vazados à imprensa que as afirmações de Joesley Batista em relação a Lula não decorrem de qualquer contato com o ex-Presidente, mas sim de supostos diálogos com terceiros, que sequer foram comprovados.

A verdade é que a vida de Lula e de seus familiares foi – ilegalmente – devassada pela Operação Lava Jato. Todos os sigilos – bancário, fiscal e contábil – foram levantados e nenhum valor ilícito foi encontrado, evidenciando que Lula é inocente. Sua inocência também foi confirmada pelo depoimento de mais de uma centena de testemunhas já ouvidas – com o compromisso de dizer a verdade – que jamais confirmaram qualquer acusação contra o ex-Presidente.

A referência ao nome de Lula nesse cenário confirma denúncia já feita pela imprensa de que delações premiadas somente são aceitas pelo Ministério Público se fizerem referência – ainda que frivolamente – ao nome do ex-Presidente.

Cristiano Zanin Martins e Roberto Teixeira

A VERDADE VIRÁ À TONA

1. Dilma Rousseff jamais tratou ou solicitou de qualquer empresário, nem de terceiros doações, pagamentos ou financiamentos ilegais para as campanhas eleitorais, tanto em 2010 quanto em 2014, fosse para si ou quaisquer outros candidatos.

2. Dilma Rousseff jamais teve contas no exterior. Nunca autorizou, em seu nome ou de terceiros, a abertura de empresas em paraísos fiscais. Reitera que jamais autorizou quaisquer outras pessoas a fazê-lo.

 

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