Goiás recebe autoteste de HIV até fim de julho. Especialista explica como funciona

Produto, que custa entre R$ 60 e R$ 70, pode ser comprado sem receita médica

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

O autoteste para detectar a presença do vírus HIV no organismo deve estar disponível em farmácias de todo o país até o fim do mês. O Rio de Janeiro foi o primeiro Estado a receber o kit que deve chegar a Goiás ainda em julho.

O produto, que custa entre R$ 60 e R$ 70, pode ser comprado sem receita médica, e a testagem produz resultado em 10 minutos.

Em entrevista ao Jornal Opção, a médica infectologista Ana Beatrix Ferreira Caixeta explicou que o método é simples e fácil, e tem eficácia de aproximadamente 99%. “Após a coleta de algumas gotas de sangue, você pinga no reagente que vem no kit e ele vai indicar se é positivo ou não”, afirmou.

Segundo ela, o procedimento detecta anticorpos do vírus e, por isso, não pode ser feito com menos de 30 dias após algum comportamento de risco, como sexo sem proteção ou compartilhamento de agulhas. “Aparecendo positivo, o ideal é que a pessoa procure o laboratório e faça o exame comprovatório”, acrescentou.

De acordo com a especialista, caso o resultado seja negativo, é necessário repetir por pelo menos mais duas vezes. “Completando um intervalo de 120 dias mais ou menos”, disse.

No caso de o resultado ser positivo, é preciso ir a algum centro de testagem para confirmar o diagnóstico. “E aí, procurar o mais rapidamente o infectologista para poder iniciar o tratamento”, explicou.

Como o Brasil é o primeiro país da América Latina a disponibilizar o autoteste em farmácias, para a médica, o produto é uma ferramenta importante para aumentar a capacidade de diagnóstico do vírus. Identificar a presença do HIV em 90% das pessoas infectadas é uma das metas da Organização das Nações Unidas (ONU) para 2020.

“A opinião dos especialistas de uma maneira geral é ver o autoteste como algo benéfico, já que, por exemplo, aquela pessoa que está mais insegura para procurar um centro de testagem, pois tem vergonha, essa é uma possibilidade de procurar por conta própria e de certa maneira anônima e com mais privacidade”, garantiu.

Questionada sobre os possíveis efeitos psicológicos em alguém que recebe o resultado positivo sem acompanhamento médico, Ana Beatrix indicou que o teste seja feito sempre com algum amigo ou parente. “Uma coisa importante é a pessoa estar preparada para a possibilidade do teste dar positivo. Ela tem que estar preparada psicologicamente, ou fazer com alguém de confiança junto”, aconselhou.

Outra alternativa é ligar para o número 136, que é o dique-saúde do Ministério da Saúde, para casos de dúvidas. ” É um canal que a pessoa pode procurar para receber ajuda”, alertou a médica.

A infectologista diz ainda que as campanhas de conscientização são fundamentais e devem surgir com a divulgação do autoteste. “Uma coisa tem que andar atrelada a outra. Inclusive para que a pessoa, caso receba o resultado positivo, procure o quanto antes se informar para procurar o diagnóstico confirmatório e o tratamento”, explicou.

“A partir do momento que a pessoa sabe que é portadora do vírus, além dela ter a chance de se cuidar, ela ainda pode se conscientizar e proteger outras pessoas e outras relações que ela venha a ter”, disse, orientando aos portadores do vírus a não encarar o HIV como uma sentença de morte.

Para ela, qualquer pessoa que tenha tido comportamento de risco pode comprar o teste. “É um grande avanço que vai tornar mais acessível o teste, principalmente por conta de toda a estigmatização da doença, que ainda existe, infelizmente. O autoteste ai aumentar o número de diagnósticos e, com isso, dar a chance para mais pessoas procurarem ajuda e tratamento, garantindo qualidade de vida adequada e diminuir a transmissão e epidemia do HIV”, concluiu.

 

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