Áudios envolvendo presidente são “gravíssimos” e ele deve renunciar, diz Fábio Sousa

Para o deputado federal, peemedebista tem direito de se defender, mas deve deixar o cargo para impedir que o Brasil continue em crise

O deputado federal Fábio Sousa (PSDB) rebateu, em entrevista ao Jornal Opção, a tese adotada pelo Palácio do Planalto de tratar os áudios envolvendo o presidente Michel Temer (PMDB) como de pouca relevância. Para ele, os áudios são “gravíssimos” e envolvem várias irregularidades.

Além do possível crime de prevaricação, já que o presidente ouve um dos dono da JBS, Joesley Batista, relatar, por exemplo, a corrupção de agentes públicos, e não toma providências, o deputado ressaltou a importância de se descobrir mais sobre o dinheiro recebido pelo deputado Rocha Loures (PMDB-PR). Ele foi flagrado pela Polícia Federal (PF) recebendo R$ 500 mil enviados por Joesley – depois de combinar que receberia o mesmo valor semanalmente por 20 anos.

“Somos escravos dos fatos e estamos falando da maior autoridade do Brasil. É claro que o presidente tem todo direito de se defender e temos que ter muita responsabilidade, mas ele precisava renunciar”, defendeu ele. Para Fábio, a necessidade de renúncia se dá, principalmente, para que o Brasil não saia do caminho de retomada do crescimento.

Ele ressaltou os últimos dias representaram a “saída do coma” do Brasil: “O país estava começando a se recuperar, depois de seis anos tivemos a notícia de retomada da geração de empregos. Ficou todo mundo perplexo, ninguém esperava, ainda mais em cenário de recuperação, isso é muito ruim para o Brasil”.

“Essa crise precisa ser resolvida o mais rápido possível, senão a economia vai começar a derreter, porque os investidores recuaram, a bolsa caiu. Todo mundo tem direito de defesa, o que não tem direito é levar o Brasil junto”, pontuou o parlamentar. Agora, completa, a Câmara dos Deputados está sem clima, “estarrecida” e, com isso, votações importantes para a recuperação econômica e também as reformas de Temer ficam suspensas.

PSDB fica na base?

Segundo o deputado, o PSDB fez duas reuniões com sua bancada desde a divulgação dos áudios, e teria ficado decidido que, caso os áudios fossem verdadeiros, a legenda deixaria a base aliada. “Mas na minha opinião, o PSDB tem que sair do governo e entregar os ministérios.”

Sobre a saída do senador afastado Aécio Neves (PSDB), Fábio disse ainda que a deliberação unânime nestas reuniões foi de que ele seria substituído por Carlos Sampaio (PSDB-SP), mas que, depois disso, a cúpula resolveu indicar Tasso Jereissati (PSDB-CE). De acordo com ele, no entanto, não é verdadeira a alegação de que Aécio é que optou por deixar a presidência da legenda: “Foi o partido que pressionou”.

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