“Vamos estimular o comércio local para dinamizar a economia”

Administrador de empresa que derrubou antigo grupo político da cidade de Colinas do Tocantins afirma que transparência é a prioridade

Divulgação

Dock Júnior

Em 2016, na condição de vice-prefeito de Colinas do Tocantins, Adriano Rabelo rompeu com o grupo político do então prefeito, o petista José Santana, por não concordar com o modelo de gestão vigente e foi candidato de oposição, pelo PRB. E venceu o pleito com 61,5% dos votos válidos, com o desafio de equilibrar as contas e implantar um novo modelo de gestão no município, com transparência e eficiência do gasto público. As principais prioridades do prefeito são a melhorias dos serviços de saúde, ampliar a produção agrícola das pequenas propriedades e buscar parcerias para realizar as obras de infraestrutura necessárias na cidade. Goiano de São Luís de Montes Belos, Adriano Rabelo da Silva está radicado no Tocantins há muitos anos. Agropecuarista, técnico em contabilidade e administrador de empresas, iniciou sua carreira política em 2012, quando foi eleito vice-prefeito.

O sr. foi eleito prefeito da cidade de Colinas, em 2016, com 61,5% dos votos válidos. Por que houve essa receptividade ao seu nome?
Creio que foi o resultado de um planejamento estratégico com foco em fazer muito com pouco. A estratégia de conversar com as pessoas e apresentar propostas viáveis, buscando um diálogo sincero com a população e propor um novo governo com transparência e qualidade do gasto público. As pessoas querem um novo modelo de gestão e nós levamos essa mensagem para as ruas. É claro que nada acontece a curto prazo, contudo, com planejamento estratégico a chance de acerto é muito grande. Somando a isso, tinha também a rejeição do grupo que vinha há 24 anos no poder, com todos os problemas da cidade, as dívidas deixadas e todas as mazelas acumuladas por essas gestões desastrosas.

Na sua visão, quais foram os principais erros da gestão anterior?
O município tem uma receita limitada e, por tal razão, necessita trabalhar dentro da realidade da capacidade de pagamento. Os funcionários não podem ficar sem receber seus salários, é preciso pagar em dia as contribuições previdenciárias e também há os fornecedores. Inobstante a isso, estamos trabalhando para fortalecer a nossa economia, com um trabalho voltado para o desenvolvimento econômico do município. Queremos gerar mais oportunidades de emprego e renda para a população. Essa, sem dúvida, é uma das prioridades de nosso governo.

De que forma os quatros anos da sua experiência como vice-prefeito vão contribuir com sua gestão?
Foi uma experiência muito positiva ter iniciado na política como vice-prefeito. Eu já assumi o governo tendo conhecimento de várias demandas sociais do município e ciente de que a lei existe para ser cumprida. Sei da capacidade de pagamento da prefeitura e conheço a importância de cada segmento. Já pude identificar, antes mesmo da eleição, pessoas que poderiam nos ajudar a fazer um bom trabalho. Eu vejo que muitos prefeitos eleitos pela primeira vez encontram dificuldades ao assumir o mandato. Até porque eles esbarram na morosidade da administração pública. Existem muitas amarras na gestão pública que a gente precisa tirar e fazer a máquina andar com eficiência. Hoje, existem muitas ferramentas que facilitam a fiscalização e nós já estamos utilizando. Isso abre uma oportunidade para desburocratizar e tornar mais ágil na gestão. Desta forma, posso responder de forma mais rápida às demandas da população.

E quais as principais demandas do município?
As prioridades são várias, todavia, uma das nossas principais demandas é desenvolver e manter um sistema de saúde público eficiente. Esse é um desafio que requer o comprometimento de muitas pessoas, condições financeiras do município para buscar contratar mais profissionais que possam oferecer um atendimento melhor. O governo sempre está se deparando com a questão financeira, e a situação é de crise para todos os segmentos. O item primordial para tudo é o recurso financeiro, sem dinheiro, nada pode ser executado. O importante não é simplesmente comprar, o importante é pagar também.

Como pretende fortalecer o comércio local, já que isso é uma das propostas do seu plano de governo?
A Secretaria de Desen­volvimento Econômico está impulsionando as empresas da cidade para que elas se preparem para participar das licitações municipais. Isso, é claro, exige que as empresas estejam com toda documentação em dia. Por isso estamos auxiliando nesse processo todo. Já começamos a fazer as cotações de preços no comércio local para que nossos comerciantes possam conhecem as demandas do município e se preparar para atendê-las. Entendo que a prefeitura tem uma importância estratégica na economia local e estamos trabalhando para fazer o dinheiro circular em nossa cidade.

A agricultura familiar também é uma das prioridades?
Sem dúvidas, o município de Colinas é muito pequeno em extensão territorial. Mesmo assim, o número de produtores rurais é considerável. Em nosso entorno existem aproximadamente 3,5 mil pequenas propriedades de agricultura familiar, num raio de 80 km. Cabe ao município fomentar o desenvolvimento tecnológico no campo e investir na diversificação dos segmentos de produção dentro de cada propriedade. Além disso, evidentemente vamos buscar parcerias com os governos estadual e federal para, além de fomentar, capacitar esses produtores

Qual é a principal ferramenta para enfrentar a burocracia e morosidade?
Isso vai muito do planejamento estratégico das ações. Nos primeiros dias de governo, eu busquei tirar as amarras da gestão passada. Fiz um levantamento de todas as licitações vigentes e em conjunto já estamos preparando os novos processos, paralelamente. A meta é abrir as licitações dentro dos limites de pagamento e atendimento da prefeitura. Estamos trabalhando com estatísticas do limite de gastos para, justamente, evitar essa condição de faltar algum bem ou serviço público à população. Isso requer muito planejamento e capacidade da equipe para antecipar as demandas.

Mesmo diante da grave crise econômica que assola o País, será possível atender com qualidade as demandas de saúde, educação e infraestrutura?
Eu vejo que não faltam recursos para saúde e educação. O que falta mesmo é gestão. A questão de infraestrutura é um pouco mais complexa. São investimentos de alto custo. A cidade de Colinas tem cerca de 35 mil habitantes e é a oitava economia do Estado, mas para os parâmetros brasileiros os valores são baixos. O município requer investimentos como muitas outras cidades que possuem, por exemplo, 200 mil habitantes. Isso exige uma manobra enorme para disputar e conseguir esses recursos com as cidades maiores. A infraestrutura é muito cara e nós temos aproximadamente 150 km de ruas que precisam de investimentos não somente para pavimentação, mas também macrodrenagem, esgoto sanitário e drenagem fluvial.

Como a receita é muito baixa, torna inviável que esses investimentos sejam feitos com recursos próprios. Dessa forma, o município sempre fica na dependência dos governos estadual e federal. Mas estamos fazendo nossa parte, economizando dinheiro público e buscando apoios.

No que concerne ao enfrentamento à corrupção, como o sr. pretende tratar do tema?
O primeiro passo é dar transparência aos atos públicos. Implantei o Diário Oficial Eletrônico do município, que é inovador em todo Estado, onde todos os dados do executivo são divulgados e disponibilizados ao povo. Em relação ao monitoramento das ações, do controle dos gastos, estamos fazendo isso desde o primeiro dia de governo. Quando se inicia um processo transparência dos atos públicos, às vezes as pessoas se assustam com os números de um processo licitatório de uma determinada obra, aquisição de bens, porque não tinha o ato, não tinha consciência de manter a transparência dos atos públicos.

A corrupção não é somente feita pelo político, não. A corrupção é praticada por muitas categorias e vários segmentos sociais. O profissional que faltou ao trabalho e não teve o desconto no pagamento cometeu um ato de corrupção; o cidadão que sonegou um imposto gerado também está cometendo um ato de corrupção. Então, a corrupção é generalizada, e precisa ser combatida em todas as esferas. Essa é uma questão que precisa ser trabalhada de forma bem pausada e, a longo prazo, mudarmos essa cultura.

Ressalta-se que grandes nomes da política brasileiras estão sendo presos. De certa forma, isso coloca todo mundo para pensar duas vezes. A eficiência do sistema de controle do Estado, do Tribunal de Contas, do Ministério Público e o Judiciário como um todo tem nos ajudado muito a combater a corrupção. Temos muito a evoluir ainda, mas vamos ter bons resultados a curto prazo.

O que a população de Colinas pode esperar para os próximos quatros anos?
Vamos transformar nossa Colinas numa cidade boa de se viver, segura. A cidade vai voltar a crescer. Isso vai depender não somente do gestor municipal, mas do apoio de toda população para ajudar a conduzir esse processo, mesmo porque nosso projeto foi eleito com 61,5% dos votos válidos. Há uma grande responsabilidade, e cabe a mim a missão maior, como prefeito, cargo que ocupo com muita dignidade. Costumo dizer que nada feito com solidez é desenvolvido a curto prazo. A gente gasta um pouco mais de tempo e investimentos para obter resultados positivos. Estamos trabalhando para colocar Colinas no caminho certo, do desenvolvimento e da geração de emprego e renda.

Antes de entrar para a política, quais eram as suas atividades?
Trabalhei na empresa Araguarina Agro Pastoril durante 20 anos, na função de diretor administrativo, segmento de agronegócio nos Estados de Goiás e Tocantins. Fui presidente do Sindicato Rural de Colinas por três mandatos consecutivos, diretor e presidente do Conselho Fiscal da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Tocantins e presidente do Fundo Privado da Defesa Agropecuária do Tocantins (Fundeagro). Sempre participei das demandas do agronegócio, defendendo a nossa categoria porque graças ao produtor rural que nós temos alimentos em nossas mesas todos os dias.

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