Serviços são retomados, mas ainda existe desacerto político

O ponto que agrada a população é a retomada emergencial do tapa-buracos, mas é possível identificar problemas políticos na montagem do governo de Goiânia

Prefeito Iris Rezende: até quando haverá fôlego financeiro | Foto: Divulgação / Assessoria / Marcos Souza

 

Para a população, o que importa mesmo é a retomada dos serviços prestados pela Prefeitura de Goiânia, principalmente com a operação emergencial tapa-buracos. O serviço de recolhimento de lixo ainda é precário, e vai levar mais tempo para ser colocado inteiramente na normalidade. No campo político, o prefeito Iris Re­zen­de enfrenta alguns problemas iniciais. Não há indicativos de crise mais séria, pelo menos por enquanto.

No meio da semana, o presidente regional do PRP, ex-secretário da Fazenda do governo Alcides, Jorcelino Braga, que também comandou o marketing eleitoral de Iris, concedeu entrevista e afirmou que seu partido não pediu nenhum cargo para o prefeito. A frase não quer dizer muita coisa. Mesmo que tivesse pedido, e não fosse atendido, ele falaria a mesma coisa.

De qualquer forma, e com olhar fora da cúpula, é possível perceber certo desconforto político na montagem da equipe. O DEM, do senador Ronaldo Caiado, aliado de Iris com a maior patente político-eleitoral, estaria de olho em pelo menos duas secretarias. Até agora levou apenas a Procuradoria Geral, entregue a Anna Vitória, advogada e filha de Caiado.

Por outro lado, Iris confirmou os nomes de Kleber Adorno, que já ocupou a Secretaria da Cultura em mandato anterior, e o ex-deputado estadual e pastor Samuel Almeida. Ambos enfrentam sérias acusações na Justiça, fato que gerou desgaste político para o prefeito. A ex-vereadora Célia Va­ladão é outro nome que teve repercussão negativa na base política. Ela tentou reeleição e perdeu. Está no comando da Secretaria da Mulher.

A bancada estadual do PMDB na Assembleia Legislativa também não ficou exatamente satisfeita com os 15 auxiliares nomeados por Iris. Foram identificadas algumas reações pra lá de negativas e, de certa forma, agressivas. Iris não teria aceitado nenhuma indicação dos deputados estaduais. Já se esperava que a bancada federal, composta praticamente apenas por maguitistas ou independentes, não fosse ouvida, mas havia perspectiva diferente entre os estaduais.

Uma unanimidade
De todos os 15 integrantes do primeiro escalão anunciados por Iris Rezende, há apenas uma unanimidade. É Paulo Ortegal, na Chefia de Gabinete, cargo que foi ocupado por ele no segundo mandato de Iris no governo do Es­­tado. Paulo é considerado um co­ringa de Iris por sua facilidade em contornar situações antes que se transformem em crises, além de uma extraordinária capacidade de organização, sistematização e diplomacia. Sua indicação mostra que ao contrário do que fez politicamente em mandatos anteriores, Iris Rezende parece disposto a fazer um governo expansivo, e menos fechado em torno de cúpula.

Se os problemas políticos, especialmente nos primeiros momentos, perturbam um bocado pelo barulho que conseguem gerar, embora seja bastante comum a cada troca de comando em todos os níveis de governo, o único cuidado que se deve ter é evitar que eles se tornam crônicos. Até aqui, há apenas algumas insatisfações localizadas. Aparentemente, é algo temporário.

O problema mais sério é o grande público, a população de uma maneira geral. Iris é experiente e esperto administrativamente para gerar impacto positivo logo nos primeiros dias de seus governos. De uma maneira geral, é o que se pode perceber nas ruas. E é notável a diferença entre a situação dominante na última semana de dezembro e os primeiros dias de janeiro. A operação tapa-buracos, praticamente abandonada na gestão anterior, está se espalhando por inúmeros bairros. Resta saber até onde vai esse fôlego financeiro inicial.

Segundo o prefeito, a Prefeitura é uma herança negativa de 800 milhões de reais. Embora não tenha detalhado que buraco é esse, provavelmente está se falando da dívida flutuante vencida. Se for isso isso, a situação é quase incontornável sem cortes nas despesas.
Fala-se que o prefeito poderá adotar, a exemplo do que fizeram o governo federal e o governo estadual, um teto para os gastos, o que poderia evitar o aumento gradativo do problema financeiro, desde que venha acompanhado de diminuição no tamanho da máquina administrativa. Esse, sim, será o primeiro grande teste político de fogo para o governo de Iris: cortes sempre desagradam, embora sejam necessários. l

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