PTB se torna player de peso para eleição de José Eliton

Partido ganhou mais robustez na eleição do ano passado, ao eleger os prefeitos de Anápolis, de Itumbiara e de Morrinhos

Deputado Jovair Arantes, presidente do PTB, comanda uma sigla que tem, entre outros, os prefeitos Roberto Naves (Anápolis), Zé Antônio (Itumbiara), Rogério Trancoso (Morrinhos) e Nárcia Kelly (Bela Vista): partido fortalece a chapa majoritária dos governistas que vai ter José Eliton na cabeça | Fotos: Arquivo / Jornal Opção

Cezar Santos

Um partido político que tem prefeituras importantes automaticamente se ca­cifa no jogo suces­sório, se­ja para a pró­xima eleição municipal, seja para a eleição ao governo. Nesse aspecto, o PTB goiano está definitivamente colocado em posição privilegiada para influenciar a campanha do ano que vem.

E influenciar de forma efetiva, com total possibilidade de participação na restrita chapa majoritária da base governista comandada por Marconi Perillo (PSDB), para ajudar a viabilizar a eleição do pré-candidato que já se tornou consenso entre o grupo marconista, o vice-governador José Eliton.

Os dirigentes do PTB estão muito conscientes disso. O presidente do partido no Estado, deputado federal Jovair Arantes, externou a convicção de que a sigla estará, sim, na chapa majoritária: “Não temos como não fazer parte. Essa é uma das condições já colocadas pela executiva e pelos integrantes. Não podemos perder de vista que é um partido que tem crescido sistematicamente no Estado inteiro e de uma forma orgânica.”

O prefeito de Anápolis, Roberto Naves, reforça a tese desse crescimento do partido, lembrando que o PTB fez uma campanha proveitosa no ano passado e conquistou prefeituras importantes como a que ele comanda, a de Itumbiara, com José Antônio, a de Morrinhos, com Rogério Trancoso, a de Bela Vista, com a jovem e grata revelação política Nárcia Kelly, entre outras.

E há que se colocar nessa conta vários prefeitos que, mesmo sendo filiados a outros partidos, inegavelmente estão no projeto político de Jovair Arantes, como o pessedista Cristóvão Tormin (Luziânia) e os tucanos Hildo do Candango (Águas Lindas de Goiás) e Pedro Fernandes (Porangatu).

Segundo Roberto Naves, essa estrutura política municipal sólida é importante para dar peso à aliança de José Eliton. Lem­brando que as quatro vagas (governador, vice-governador e dois senadores) já têm duas definidas, a principal com Eliton e uma para o Senado com Marconi Perillo – ainda há as duas vagas de suplente para cada senador. O complicador aí é que já há dois senadores na base aliada, Lúcia Vânia (PSB) e Wilder Morais (PP), que se acham no direito de considerar que têm vaga garantida para a reeleição. Só aí, um já estaria sobrando.

Ademais, em política é muito difícil mesmo, quase impossível, que vagas para disputa eleitoral em chapas majoritárias fortes estejam asseguradas de antemão para nome A ou B – a não ser que esse nome seja, indiscutivelmente, fator de aglutinação, como é o caso de Marconi Perillo, até pelo comando da base aliada que ele exerce. E a história mostra que aglutinação só ocorre como fruto de negociação, de conversa, de alisamento das arestas.

Sobre a questão das possibilidades de nomes para a disputa ao Senado na base aliada, Jovair Arantes define bem essa situação quando diz que que não há nada definido neste momento. Ele se refere ao fato de que muitos pensam que será difícil não escolher entre Wilder Morais e Lúcia Vânia. Segundo Jovair, ainda há muito a acontecer, ou seja, há muito espaço para conversas e negociações. Nesse espaço, óbvio, abre-se o caminho para, quem tiver, mostrar seu cacife.

O resumo do que Jovair Arantes está dizendo é que o PTB poderá pleitear qualquer uma das vagas na majoritária, tanto a vice quanto a de Senado. A questão fechada, mesmo, é o apoio do partido a José Eliton.

Hora oportuna
Roberto Naves é claro: “O PTB vai discutir esse assunto apenas na hora oportuna. Por agora, estamos trabalhando para fortalecer o partido politicamente e para fortalecer a base do governador Marconi Perillo. Por quê? Porque mais à frente será feita a avaliação de quem poderá postular essa vaga na chapa majoritária e será feita também uma pergunta: qual outro partido tem esse mesmo peso político? Se houver algum, a gente concorrerá; se não houver, creio que vamos participar da chapa majoritária naturalmente.”

Mas pode haver dificuldade nessa pretensão do PTB em relação à majoritária, agudizando um clima de confronto que já existe com o PSD e o PSB. Com o PSD porque o ex-deputado Vilmar Rocha também quer disputar o Senado novamente (foi o candidato da base na eleição passada, quando teve boa votação, mas perdeu para Ronaldo Caiado). E com o PSB por causa de Lúcia Vânia, que, como já foi dito, quer emplacar seu terceiro mandato na Câmara Alta.
Em tempo: consta que os deputados federais Magda Mofatto, do PR, e João Campos, do PRB, ambos da base aliada, também querem disputar o Senado.

Roberto Naves suaviza a questão e pontifica que a política, na hora da definição, é pragmática. “O que será pesado é o que cada um tem, quantos votos, qual a capilaridade. Política é pragmatismo. Portanto, não há por que estar em rota de colisão com qualquer partido da base. O que vamos fazer é sentarmos todos à mesa e colocar a própria situação. A partir daí, faz-se uma comparação e a construção do que resultar disso”, afirma, conotando que o importante é fortalecer José Eliton.

O prefeito de Anápolis é mais contundente ao dizer que o PTB não tem nem de pleitear, pois considera que o cargo tem de ser naturalmente do partido. Ele lança uma pergunta e dá a resposta: “Afinal, qual é o segundo maior partido da base, em termos de densidade eleitoral, depois do PSDB? É o PTB. Ora, se o PSDB já está com duas vagas — a do governo e uma do Senado — o próximo partido a se posicionar tem de ser o PTB. Isso é natural, é matemático, uma coisa muito simples. Mas o que o PTB não vai fazer é ficar se engalfinhando por meio da imprensa, nem agredir algum dos partidos parceiros que também ache que tenha o mesmo direito.”

As especulações sobre nomes do PTB para a chapa majoritária da base aliada no pleito de 2018 recaem em Jovair Arantes. Ele poderia ficar com a vaga à senatoria. Jovair está há mais de 20 anos na Câmara Federal, onde sempre se destacou como líder reconhecido por seus pares, inclusive de outros partidos. Ele, que entra naquela categoria de “animal político”, acredita ter chegado a hora de dar um upgrade no seu currículo. O Senado calharia bem nesse projeto.
E há ainda a conjectura de que Jovair, numa composição mais ampla, pode ser suplente de Marconi Perillo. Nesse caso, se na disputa presidencial sair vencedor um candidato do PSDB ou do PMDB, Marconi iria para um ministério, e Jovair Arantes assumiria o mandato de senador por quatro anos. l

Demóstenes cacifa mais o partido?

Foto: Divulgação / Ruber Couto

Há 20 dias, o ex-senador Demóstenes Torres assinou sua filiação ao PTB. O passe de Demóstenes vinha sendo pleiteado por vários partidos, e no final a disputa afunilou entre o PP de Wilder Morais e a sigla de Jovair Arantes, que levou.

No meio político considera-se que a ida do ex-senador para o PTB é um reforço e tanto para a sigla, mesmo que Demóstenes, em julho de 2012, tenha sido cassado por quebra de decoro parlamentar, acusado de usar o mandato para favorecer o contraventor Carlos Cachoeira.

Enquanto esteve senador, Demóstenes Torres teve atuação elogiada até por adversários petistas, face ao seu conhecimento jurídico.

Agora, no PTB, o ex-senador espera reaver seu mandato no Senado e retomar seus direitos políticos. O objetivo é deixar de ser inelegível e disputar uma vaga na Câmara — há quem diga que ele pode ser candidato até mesmo ao Senado. Enquetes mostram que Demóstenes ainda goza de prestígio com boa parte da população goiana.

Deixe um comentário

wpDiscuz