Marconi ainda é o nome que representa a modernidade

Além de estar dividida, a oposição vai enfrentar um adversário que tem alentado cartel de realizações em obras e programas sociais

Vapt Vupt é um dos símbolo da mudança na gestão pública em Goiás, priorizando a prestação de serviço ao cidadão, uma nova orientação implementada por Marconi Perillo a partir de seu primeiro governo

Vapt Vupt é um dos símbolo da mudança na gestão pública em Goiás, priorizando a prestação de serviço ao cidadão, uma nova orientação implementada por Marconi Perillo a partir de seu primeiro governo | Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção

Cezar Santos

Quando assumiu o governo pela primeira vez, em 1º de janeiro de 1999, Marconi Perillo pegou uma máquina administrativa cansada, defasada em sua estrutura organizacional. Aos poucos, com imensas dificuldades, o Estado foi transformado em algo diferente, com o conceito de planejamento definitivamente entronizado na administração pública. Um símbolo dessa mudança: o Vapt Vupt, criado já no primeiro ano de governo do tucano.

O Vapt Vupt foi símbolo também de algo mais profundo, a mudança de paradigma na gestão governamental, em que a prestação de serviço ao cidadão se colocava em primeiro lugar. Há uma palavra que pode resumir isso: modernidade.

Com Marconi Perillo, Goiás entrou numa era de modernidade. Mesmo os adversários, que num primeiro momento relutavam em admitir, tiveram de dar o braço a torcer, diante dos resultados e da aprovação a programas como Vapt Vupt, entre outros que se seguiram no primeiro e no segundo governos.

No atual terceiro mandato, como está em curso, os adversários podem ter motivos para críticas, posto que é sobre ele que se assentam os disparos da oposição visando minar o tucano na eleição ao governo estadual.

O preâmbulo introdutório nos quatro parágrafos iniciais serve justamente para fazer um comparativo entre as candidaturas — ou pré-candidaturas — postas até agora. Sairão daí os concorrentes em outubro.

O governador Marconi Perillo pode até não ser candidato. Cautelosamente, ele vem reiteradamente se esquivando de um posicionamento público mais enfático sobre a questão. Mas todas as evidências indicam que ele será sim, mesmo porque não se vislumbra outro nome capaz de manter unida a heterogênea base aliada governista.

Muitos dizem que sem Mar­coni, a base aliada explodiria. Pode não explodir, mas certamente sofreria um abalo muito forte, capaz de desestruturá-la profundamente já na eleição municipal de 2016. Por uma questão quase de sobrevivência, é imperativo que o tucano-chefe seja o candidato.

Portanto, mesmo os oposicionistas trabalham na perspectiva de que Marconi será o adversário a ser batido em outubro. Um adversário duro, já que o tucano lidera todas as pesquisas sérias ou pelo menos razoavelmente sérias. Aqui e ali, em levantamentos estimulados, o ex-prefeito Iris Rezende (PMDB) chega a empate na margem de erro.

A pouco mais de dois meses das convenções partidárias que vão definir as alianças e candidaturas, é importante lembrar que a divisão da oposição, nessa altura um fato praticamente consumado, tende a favorecer ainda mais o tucano. Talvez seja por isso que muitos digam: que sorte tem esse Marconi!

Há um ditado popular que assinala: sorte tem quem trabalha. Marconi Perillo trabalha muito, faz a parte dele, o que abre caminho para que a sorte vá ao seu encontro sem maiores dificuldades.

Muita gente se apega a uma hipotética necessidade do “no­vo” nas eleições deste ano. Mas, qual eleição em que esse tipo de assertiva não esteve colocada? A ideia do “novo” parece ser um mantra que serve para todas as ocasiões, embalando principalmente os sonhos dos novatos ou dos que estão atrás nos levantamentos de intenção de votos.

Ora, Iris Rezende não era novo em 2004, quando disputou a eleição para prefeito de Goiânia. Venceu o prefeito Pedro Wilson que tinha a máquina municipal nas mãos e o governo federal como aliado. Venceu e aos 70 anos ele arejou a gestão da prefeitura de Goiânia. Iris continuou não sendo novo em 2008, quando se reelegeu.

O exemplo de Iris mostra que a questão do novo muitas vezes é colocada de forma enviesada. O que está acontecendo novamente agora, nessa pré-campanha ao governo estadual. E é colocada como se Marconi Perillo fosse um nome fora do páreo por não ser novo.

Marconi não é novo, como também não são novos o já citado Iris e Vanderlan Cardoso (PSB), que comandou a prefeitura de Senador Canedo por duas vezes e disputou o governo estadual em 2010. E seria novo Antônio Gomide, eleito duas vezes prefeito de Anápolis e duas ou três vezes vereador? Novo, a rigor, seria apenas Júnior Friboi. Novo no sentido de política, bem entendido.

Parece claro que os goianos hão de querer gestão modernizadora por parte do próximo governante. E isso, não é necessariamente ou apenas um nome novo que pode dar. A verdade é que Marconi Perillo assusta seus adversários exatamente por isso. Eles sabem que o tucano tem condições e preparo para continuar a gestão modernizadora que vem empreendendo em Goiás. E a preocupação maior da oposição é saber se Marconi vai novamente conseguir convencer os eleitores disso. Se conseguir, dificilmente ele perde o quarto mandato.

Recuperação de prestígio evidenciada nas pesquisas

Muito já se falou na recuperação de Marconi Perillo em relação à aprovação de seu governo, o que é fato reconhecido até pelos adversários. E que está refletido nas pesquisas. Cada vez mais os goianos percebem o esforço do governo em realizações e em programas de grande alcance social, como o Bolsa Universitária e Restaurante Cida­dão, entre vários outros.

E as obra estão sendo entregues. O governo estadual executa talvez o maior programa de recuperação de rodovias em todo o País. Não há dúvida de que com tal cartel de realizações, o governador se torna um candidato com imenso potencial de sucesso nas urnas.

O Estado mostra números auspiciosos em relação à geração de empregos e crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), sempre acima da média nacional. Mesmo com dificuldade de fornecimento de energia, empresas continuam vindo para Goiás, o que denota confiança na nossa economia.

A mais recente, no início da semana passada, foi o grupo francês Weber Saint-Gobain no Brasil, que inaugurou em Planaltina a sua segunda unidade em Goiás, investimentos na ordem de R$ 35 milhões. A empresa, que controla a marca Quartzolit, produzirá na nova unidade a linha de produtos para acabamento (argamassa, rejunte e impermeabilizantes). Na presença do presidente mundial do grupo, Pierre-André de Chalendar, Marconi ressaltou os números da economia goiana, que em 1998 – ano em que ele venceu a primeira eleição para governador – tinha um PIB de R$ 17,4 bilhões e no ano passado atingiu a marca de R$ 133 bilhões.

Por sinal, na quinta-feira, 17, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o crescimento do setor de serviços em Goiás foi de 22,8%, quando a taxa nacional foi de 10%, no período de fevereiro de 2103 a fevereiro deste ano. Ou seja, o setor em Goiás cresceu mais que o dobro nacionalmente, ficando atrás apenas de Distrito Federal e de Mato Grosso.

Esses exemplos, entre inúmeros outros, mostram que a vida da oposição não será fácil no enfrentamento a Marconi Perillo. E como se não bastasse, essa oposição está aturdida. PT e PMDB, os dois maiores partidos oposicionistas, já racharam.

O PMDB, dividido entre Iris Rezende e Júnior Friboi, vive uma crise intestina que pode abrir feridas profundas, de difícil cicatrização. O PT também não está pacificado com seu pré-candidato Antônio Gomide. Aliás, o PMDB e boa parte do próprio PT debitam na conta da pré-candidatura do ex-prefeito anapolino uma boa parcela da crise da oposição. A tese é de que se Gomide não tivesse insistido em ser candidato, a aliança entre peemedebistas e petistas seria natural já no primeiro turno.

É bom anotar, no entanto, que segundo consta a candidatura de Antônio Gomide, para a qual ele renunciou a três anos de mandato na prefeitura de Anápolis, não é vontade pessoal. Dizem que ele foi estimulado pelo escalão superior do partido, ou seja, Lula da Silva.

Mas a posição agressiva de Gomide após ter sua pré-candidatura anunciada também não tem ajudado na união das oposições.

Ele chegou a menosprezar os parceiros (pelo menos num hipotético segundo turno) peemedebistas Iris Rezende e Júnior Friboi, dizendo que depois da convenção um iria para a fazenda (Iris) e o outro para o frigorífico (Friboi).

Na outra vertente oposicionista, com a terceira via de Vanderlan Car­doso, as coisas também não estão boas. Vanderlan terá até dificuldade de nomes para montar as chapas majoritária e proporcional. Ele não tem partidos para formar uma coligação — até mesmo seu PSB está na maioria com Júnior Friboi.

Assim vai caminhando a oposição. Enquanto isso, Marconi Perillo continua trabalhando.