Colégios militares: uns querem, outros não. Entenda os porquês

Moradores da Vila Itatiaia alegam não ter informações sobre o funcionamento da nova instituição de ensino do setor e até acionaram o Ministério Público. A reportagem foi atrás de respostas

Colégio Estadual Waldemar Mundim, na Vila Itatiaia: uma das escolas de Goiânia que serão transformadas  em instituições de ensino militar

Colégio Estadual Waldemar Mundim, na Vila Itatiaia: uma das escolas de Goiânia que serão transformadas em instituições de ensino militar | Foto: Fernando Leite

Marcos Nunes Carreiro

Terça-feira, 21 de julho de 2015. De modo improvisado, com algumas cadeiras dispostas em círculo na calçada do Colégio Estadual Waldemar Mundim, na Vila Itatiaia, em Goiânia, cerca de 100 moradores se reuniram para debater um tema de interesse da comunidade: a educação de suas crianças e adolescentes.

O encontro foi uma iniciativa de alguns professores da escola, em parceria com docentes da Uni­versidade Federal de Goiás (UFG), cujo campus fica a poucos metros do local. O motivo da reunião: a lei de iniciativa do Executivo, aprovada pela Assembleia Legislativa, que transforma oito escolas estaduais em instituições de ensino geridas pela Polícia Militar (PM); três em Goiânia e o restante em Aparecida e Senador Canedo.

Geralmente, escolas militares são bem vistas pela população, sobretudo por seus índices na qualidade do ensino, que é, aliás, uma das justificativas do governo para implementá-las. De acordo com o projeto que foi aprovado pelos deputados goianos, os colégios militares têm apresentado bons resultados, devido a seu rigoroso padrão de qualidade, visto que alcançou destaque no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de Goiás e no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

E é verdade, afinal, das oito escolas estaduais que tiveram média de desempenho acima de 500 no Enem de 2013 — último exame cujo desempenho pode ser consultado por escola — apenas três não são militares: Colégio Estadual José Ribeiro Magalhães, em Uruana; Colégio Estadual Polivalente Dr. Tharsis Campos, em Catalão; e Colégio Estadual Dr. Genserico Gonzaga Jaime, em Anápolis. Dos seis colégios militares existentes à época em Goiás, somente a unidade Ayrton Senna, no Jardim Curitiba, em Goiânia, não obteve média acima de 500. Assim, a intenção do governo seria a de ampliar esse padrão de qualidade transformando em colégios militares outras escolas do Estado.

Porém, essa realidade foi colocada em xeque pelos moradores da Vila Itatiaia durante a reunião ocorrida no dia 21 de julho, ao informarem, por exemplo, terem procurado o Ministério Público (MP) para saber se é possível reverter a lei e impedir que o único colégio da região seja “militarizado”. A reportagem procurou o MP e recebeu a informação de que os promotores estudam o caso e esperam que a lei entre em vigor — o que deverá acontecer na segunda-feira, 27 — para saber se é possível ou não fazer algo.

Um dos pontos que podem ser abordados pelo MP é o prazo: a lei estabelece um período de 30 dias para que as escolas se adequem à nova realidade. É pouco? Para a secretária de Educação, Cultura e Esporte de Goiás, Raquel Teixeira, não. “Trabalhamos em julho e já está praticamente tudo pronto para o início das aulas”, relata.

A reunião na Vila Itatiaia contou com explanações de professores da UFG, professores da escola, de pais e alunos. E, ao contrário do que se pensa, a grande maioria se colocou contra a “militarização” da escola, que atualmente atende a 1192 estudantes da região nos três turnos. O motivo principal são as taxas e o alto valor dos uniformes cobrados pelo colégio.

Os colégios militares, embora sejam públicos, cobram de seus alunos uma “taxa voluntária”, que varia de unidade para unidade. É uma espécie de mensalidade, cujo valor, segundo a PM, é revertido em melhorias para a própria escola. Além disso, os três uniformes usados pelos alunos — fardas e de educação física — somam aproximadamente R$ 350, fora os calçados que também devem ser padrão: tênis preto e sapato social.

Mas há outras questões que preocupam os moradores. Um dos organizadores da reunião, o professor de História do Colégio Estadual Waldemar Mundim, Marcelo Vaz de Souza, diz que tanto a comunidade quanto o corpo docente estão sem nenhuma informação a respeito do que será realizado no colégio, visto que não houve consulta prévia por parte do governo para implantar a mudança.

Professor Marcelo Vaz de Souza: “Transformar a escola em uma instituição militar  pode trazer graves consequências para  a comunidade” | Fernando Leite/Jornal Opção

Professor Marcelo Vaz de Souza: “Transformar a escola em uma instituição militar pode trazer graves consequências para a comunidade” | Fernando Leite/Jornal Opção

O problema, segundo ele, não está na ação do Estado, mas na natureza dela. “Se fosse uma ação positiva que viesse a melhorar o ensino na escola e que respeitasse a comunidade local e escolar, não teríamos problema em aceitar. Agora, não houve consulta à comunidade. E essa mudança criará um impacto muito grande na região. Logo, é dever do grupo docente do colégio chamar a comunidade ao debate para que ela decida o que quer. Não somos contra, por exemplo, uma educação militar. Porém, temos que oferecer uma escola militar e outra não. Militarizar a única escola da região é um problema sério”, afirma.

E quais são esses problemas? Marcelo explica: “Com a militarização, o acesso à escola pública e gratuita garantida pela LDB [Lei de Diretrizes e Bases] e pelo ECA [Estatuto da Criança e do Ado­lescente], que falam sobre o direito que o aluno tem de se matricular em uma escola próxima a sua casa, estará ameaçado. Isso porque os indicadores sociais mostram que quem estuda nas escolas militares não são alunos próximos da comunidade”.

Ele cita o exemplo do Colégio da Polícia Militar Ayrton Senna, localizado no Jardim Curitiba, Região Noroeste de Goiânia. O nível socioeconômico que consta no banco de dados do Ins­tituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) para aquela escola é “médio alto”. “E nós sabemos que aquela comunidade é carente. Conheço pessoas que moram na Vila São José e que vão de van, um transporte privado, para estudar nessa escola. O que isso mostra: que as pessoas que tinham dificuldade de aprendizado em função de desigualdades sociais, serão prejudicadas. Então, essa manifestação é para evitar essas consequências”, relata.

O professor tem razão em um ponto: praticamente todas as escolas militares de Goiás aparecem no índice socioeconômico do Inep — que é baseado em um questionário respondido pelos alunos que fazem a prova do Enem — como “médio alto”, isto é, a média salarial das famílias dos alunos que estudam nessas escolas está entre R$ 3 mil e R$ 8 mil. A exceção é a unidade Carlos Cunha Filho, de Rio Verde, cujo índice é “alto”. Nessas famílias, segundo o Inep, além de uma renda consideravelmente alta, os pais geralmente têm formação superior ou pós-graduação.

Para Marcelo, esse é um fator fundamental. “Há uma correspondência entre os índices das escolas particulares e os das escolas militares. Indicadores sociais mais altos incidem em nutrição melhor do aluno, que também não precisa trabalhar. E alunos que não precisam trabalhar podem se dedicar integralmente ao estudo. E não é essa a realidade dos alunos carentes da comunidade. Assim, o risco é que os nossos alunos tenham que se deslocar para escolas mais distantes, o que será um estímulo para que eles deixem de estudar”, analisa.

Aluno da escola, desde o 6º ano do ensino fundamental, Alecsandro Samuel, de 17 anos, tem outra preocupação: “Estudo aqui desde o 6º ano e gosto da educação. Aqui o aluno tem liberdade. Muitos acham isso ruim, mas quem quer corre atrás, certo? Será que a escola só serve para preparar os alunos para o Enem e para a faculdade? Nós não precisamos ser instruídos a receber ordens ao invés de criticar. Toda forma de repressão começa com o militarismo”.

Contudo, há quem apoie a ideia de um colégio militar na região. A mãe de um ex-estudante do Waldemar Mundim, Sandra Maia aponta que a disciplina é o fator fundamental que a faz querer a mudança: “Acho que o colégio militar tem mais disciplina, tem mais organização. Hoje, o que nós vemos são alunos desrespeitando professor. Por isso acho que o aluno precisa saber que existe uma ordem. Conheço pessoas com filhos que estudaram em colégios militares e que gostaram muito do ensino. Inclusive, em Brasília, tem filhos de colegas que passaram até para medicina”.

“Escolas militares usam recursos públicos a serviço de uma ideologia”, afirma ex-secretária de educação
Ex-secretária de Educação do município e professora da UFG Walderês Nunes: “Eu sou contra a militarização por vários motivos” | Foto:Arquivo Pessoal

Ex-secretária de Educação do município e professora da UFG Walderês Nunes: “Eu sou contra a militarização por vários motivos” | Foto:Arquivo Pessoal

Uma das professoras da Univer­sidade Federal de Goiás (UFG) que falaram para a comunidade da Vila Itatiaia foi a ex-secretária de Edu­cação de Goiânia Walderês Nunes Loureiro. Ela se diz contra a “milita­rização” das escolas por várias razões. A principal delas é a ideológica, visto que, em sua visão, os colégios militares induzem “nos alunos uma concepção de obediência, de não participação, de não discernimento, de falta de crítica”.

Além disso, ela aponta que essas instituições se utilizam de “recursos públicos a serviço dessa ideologia, pois os prédios das escolas já estão construídos, cuja manutenção tam­bém é feita pelo Estado, que também paga os professores. E toda essa estrutura é colocada a serviço dessa ideologia, que é prejudicial na formação da juventude. Os jovens devem ser preparados para a crítica, para a participação, para uma inserção de uma sociedade”.

Mas a grande questão para Walderês, já apontada no início da reportagem, é: “Sou absolutamente a favor do ensino público gratuito, que é aquele que garante educação para todos que procuram. Se haverá cobrança e seleção de quem entra, não se trata de um ensino público e gratuito. Outra coisa: por uma luta dos professores, se implantou a democracia na gestão da escola. Os diretores são eleitos. Existe um projeto político-pedagógico construí­do por professores e alunos. Nas escolas militares não. Os diretores são nomeados pela Polícia Militar e não existe projeto político-pedagógico. Aliás, as escolas sequer cumprem as determinações da Secretaria de Educação do Estado, pois não têm os mesmos objetivos”.

Sobre esta última questão, a secretária de Educação de Goiás, Raquel Teixeira, explica que os oito diretores das escolas a serem modificadas foram convidados a permanecer como vice-diretores. Seis aceitaram, dois não. Além disso, Raquel diz que todos os colégios militares seguem o currículo da Secretaria de Educação do Estado (leia entrevista com a secretária nas páginas seguintes), assim como todas as outras escolas estaduais.

O outro lado: o que diz a Polícia Militar

Tenente-coronel Rosângela de Moraes: “Investir em educação é diminuir os índices de criminalidade do Estado e essa é a nossa missão”

Tenente-coronel Rosângela de Moraes: “Investir em educação é diminuir os índices de criminalidade do Estado e essa é a nossa missão”

A subdiretora do comando de ensino da Polícia Militar, tenente-coronel Rosângela Pereira de Moraes, foi a pessoa que a reportagem procurou para responder a todas as críticas feitas às escolas militares. Ela respondeu às questões por telefone, um dia antes de viajar com a equipe que fará a gestão das novas escolas para Valparaíso, onde iriam conhecer o modelo de educação implantado.

A primeira pergunta feita à tenente-coronel foi: os colégios militares são públicos, mas cobram caro pelo uniforme, além de uma taxa de seus alunos. Por quê?

— Os colégios militares são públicos. Pertencem à rede estadual de educação. A única diferença é que eles são administrados pela Polícia Militar (PM). Sobre o uniforme: todas as escolas devem usar uniforme. Cada escola tem o seu e os colégios militares também. Agora, a questão da contribuição funciona da seguinte maneira: a associação de pais é que verifica a possibilidade de, posteriormente, administrar isso junto à comunidade escolar. Não é nada imposto. Ou seja, a situação varia de acordo com a comunidade, que avalia a necessidade e as condições de aplicar essa cobrança.

— Afinal, o que torna uma escola militar melhor? Quais são os pontos positivos?

— Os pontos positivos são: valorização profissional de todos os envolvidos e trabalhamos muito a questão de valores humanos. Também temos uma matriz curricular melhorada: pegamos a matriz da secretaria e aumentamos a carga horária, com mais disciplinas. Assim, as aulas têm 50 minutos de duração e o professor não precisa se preocupar em fazer chamada ou colocar os alunos sentados para começar a ministrar o conteúdo. Então, sua aula rende muito mais. Além disso, a escola tem condições de proporcionar a esse profissional os meios de desenvolver os projetos que ele pretende em sua disciplina. Logo, suas aulas podem ser dinâmicas. Incen­tivamos a prática esportiva por parte dos alunos e queremos que eles se envolvam com atividades culturais no contra turno, horário em que acontecem também os reforços das disciplinas. E tudo isso não é disponibilizado para os alunos nas demais escolas.

— As escolas militares têm reserva de vagas para os dependentes dos policiais. Isso não diminui a possibilidade de que os alunos civis também tenham uma educação de qualidade?

— Sim, 50% das vagas são destinadas para filhos de militares. Porém, o que tem ocorrido ultimamente é o seguinte: como as vagas destinadas para filhos de militares geralmente não são preenchidas, no ato do sorteio essas vagas são sorteadas para a comunidade civil. Mas o que precisa ficar claro é que as vagas reservadas são uma forma de beneficiar quem paga um preço diferenciado. Os colégios foram criados para atender tão somente os dependentes dos policiais militares. Foi assim lá em 2000, com o Hugo de Carvalho Ramos, que tinha, à época, sérios problemas com criminalidade. Transforma­mos a realidade da escola e, desde então, viram que o modelo de gestão tinha dado certo e abriram espaço para a sociedade civil. Logo, não são as pessoas que disputam vaga com os militares, mas os militares que disputam vaga com a comunidade civil.

— Mas o que acontece com os alunos que não são filhos de militares e que estudam nas escolas que serão “militarizadas”?

— Os alunos que já estavam na escola, ficam. O Colégio Estadual Waldemar Mundim, por exemplo, tem 1192 alunos. Todos eles, se quiserem continuar estudando lá, têm esse direito. Eles são prioridade. A reserva para militares será apenas para aquelas vagas que sobrarem. Por exemplo, em 2016, os alunos que estão no 6º ano vão para o 7º e os do 3º ano deixam a escola. Logo, teremos vagas. Dessas, a metade será reservada. Nós não nos reunimos com a comunidade escolar para explicar tudo isso porque ainda não temos legalidade. A lei ainda não entrou em vigor. Tão logo possamos, faremos isso.

— Como os colégio militares trabalham a questão crítica com seus alunos? É comum ouvirmos dizer que o pensamento crítico não é incentivado.

— A questão crítica é trabalhada de modo muito transparente. O contexto histórico é ensinado de forma objetiva e transparente e não de maneira filosófica. Não podemos trabalhar o contexto histórico de forma filosófica, pois, assim, estaríamos ensinando a nossa ideologia. E isso é que nós não concordamos. O aluno é que precisa tirar as suas conclusões. Os nossos alunos são muito críticos e têm ocupado cargos importantes na sociedade. Tivemos um aluno, por exemplo, que defendeu um projeto seu no Senado, em 2012. Foi convidado para estar lá. Isso mostra que nossos alunos são levados a pensar, discutir e verbalizar. Não são alunos alienados. Muito ao contrário, são alunos impulsionados a participar de debates para se prepararem para o mundo. São pegos de surpresa, por exemplo, em sala de aula para trazer uma pauta e discuti-la. São alunos que leem obrigatoriamente um livro por mês; livros que as universidades cobram em seus vestibulares. Se os alunos não conseguem comprar, a biblioteca compra e empresta esses livros a eles. Pessoas que leem tanto não podem ser alienadas.

Efetivo

Um ponto bastante criticado em relação às escolas militares toca no seguinte aspecto: a PM de Goiás tem déficit de efetivo. Logo, tirar policiais das ruas para gerir escolas apenas piora esse aspecto. Contudo, a tenente-coronel Rosângela de Moraes diz que, embora haja déficit de efetivo, a PM encara a educação também como um trabalho da corporação.

“Realmente temos déficit de pessoal nas ruas, mas essa é uma missão a mais que a PM tem para cumprir. É um trabalho preventivo. A PM tem a missão constitucional de prevenção e entendo que prevenir é mais barato que reprimir. Acredito que investir em educação é fazer com que os índices de criminalidade do Estado, a longo prazo, sejam menores”, afirma.

A secretária de Educação, Cultura e Esporte de Goiás, Raquel Teixeira, pontua também que os policiais que estarão ligados às escolas têm formação na área educacional. “São formados em cursos de licenciatura, como Pedagogia, História, Matemática etc. Não pegamos qualquer um e dizemos: ‘Ao invés de pegar bandido você vai gerir uma escola’. Não é assim. A gestão é no ritmo e disciplina militares, mas quem atua nas escolas são sempre educadores”, ressalta.

Alunos dos novos colégios não terão de pagar uniforme ou “taxa voluntária” 

Secretária de Educação, Raquel Teixeira: “A ideia das escolas militares encanta muitos  em Goiás”

Secretária de Educação, Raquel Teixeira: “A ideia das escolas militares encanta muitos
em Goiás”

A secretária de Educação, Cultura e Esporte de Goiás, Raquel Teixeira, diz que tem conhecimento sobre as críticas feitas não apenas pelos moradores da Vila Itatiaia, como também de outros locais. Porém, ressalta que esta foi uma decisão do governador Marconi Perillo (PSDB), que foi aprovada pelos deputados estaduais, e que a insatisfação por parte de algumas pessoas é comum. “É claro que haveria insatisfações. E da mesma forma houve surpresas. Em algumas das escolas já há fila de espera de 200 alunos, porque a ideia das escolas militares encanta a muitos em Goiás”.

Mas, afinal, o que é que tanto “encanta a muitos em Goiás” acerca das escolas militares? Para Raquel, a principal diferença é a disciplina, pois em um lugar disciplinado os alunos aprendem mais. “Em uma sala em que o professor perde vários minutos para conseguir silêncio, para fazer chamada, isso não é possível. E no próprio cenário criado nas escolas militares há uma disciplina muito rígida, fora o acompanhamento de qualidade que existe. Há uma coordenação central que acompanha o desempenho de cada professor e cobra dele”, analisa.

E por que isso não é possível nas escolas estaduais comuns? Segundo a secretária, isso poderia acontecer nas demais escolas, se o diretor tivesse esse tempo. “Infelizmente, uma das dificuldades da gestão das escolas públicas é que o sistema é muito grande. Temos quase duas mil escolas em 246 municípios”. Ou seja, ter uma gestão mais próxima da realidade escolar também é apontado como um diferencial das instituições militares, pois “permite que haja uma correção de rumo e solução para os problemas de maneira mais rápida. Isso não permite que os problemas se acumulem”, afirma.

Entretanto, esse padrão de qualidade não vem sem um preço. E a tal “taxa voluntária”? A respeito disso, Raquel relata que já se reuniu com a Polícia Militar (PM) — tanto com a cúpula quanto com aqueles policiais que estarão à frente das escolas — e garante: “Esclareci a situação e pedi que as exigências comuns às escolas militares fossem eliminadas, pois essas comunidades não têm condições de atender a isso”, afirma. Ou seja, nesses oito novos colégios, os alunos não terão que pagar pelos uniformes ou pelas chamadas “taxas voluntárias”. Tudo isso será custeado pela própria PM.

Currículo estadual

Quando questionada acerca de qual projeto político-pedagógico é adotado pelos colégios militares, a secretária informa que é o mesmo de todas as outras escolas. Ela diz que, independentemente de a gestão das escolas ser feita pela PM, por uma Organização Social (OS), ou por uma Parceria Público-Privada (PPP), o ordenamento da política educacional é dado pela Secretaria de Educação.

“Há um currículo, que é co­mum a todas as escolas e que é in­clusive um avanço que Goiás tem em relação aos demais Estados, pois tem material de apoio para o professor e para o aluno. Tanto que estão construindo agora o currículo nacional, mas nós já temos um. É claro que em todo currículo há espaço para especificidades locais. Tem escola que foca mais dança ou teatro e outras querem mais aulas de matemática, ou aula de reforço. Com as escolas militares não seria diferente”, diz.

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A disciplina necessária, aliada ao respeito ao Outro e à meritrocracia – eis a fórmula vitoriosa do Colégio Militar. Creio, como disse a tenente-coronel Rosâgela de Moraes que é isso que fará – o oposto do que o petê vem tentado fazer em todo o país: favorecer a formação de “alunos [que] são levados a pensar, a discutir e a verbalizar. Não são alunos alienados. Muito ao contrário, são alunos impulsionados a participar de debates para se prepararem para o mundo.”
Longa vida aos colégios militares.

Desculpe, mas como um sistema disciplinar, com aspiração militar, incentiva que alunos pensar, discutir e verbalizar?

Normalmente, vige em sistemas militares a covarde lei informal de que “manda quem pode, obedece quem tem juízo”.

Pois é. Não querem formar cidadãos, mas uma tropa de sujeitos servis.

Parem de falar asneira,nunca devem ter sequer entrado em um Colégio Militar, não há nenhuma repressão de ideias, muito pelo contrário, os professores e militares que hei de apoiar os alunos a pensarem.Procurem saber antes de escrever algo!

Então vamulá. As escolas militares são boas porque são militares; militares cuidando de escolas geram melhores resultados por causa da disciplina; Disciplina, se a Dilma não tiver revogado a língua portuguesa, diz mais sobre como se comportar do que ser livre para se expressar. Tô achando complicado achar a linha lógica do seu pensamento, Bernardo. Não preciso me matricular num colégio militar para saber que eles sufocam a livre expressão de ideias. Nem é por causa da parte “militar”, mas por causa da parte “escola”. O modelo escolar é notoriamente voltado para ensinar comportamento, e não a ensinar a pensar.… Leia mais
Meu senhor, um ambiente disciplinador como uma escola da PM é um antro de docilização da consciência. A docilização despolitiza e não produz nenhum “respeito ao outro”, mas uma tropa e estas, como o Sr. deve saber, são mobilizadas pelos vários interesses de seus superiores, inclusive para o ódio. O único tipo de participação que esses alunos podem ter na vida pública é a servilidade, a obediência inconteste e a crença espúria de que a hierarquia é natural e quiçá uma dádiva divina. Não existem escolas de educação básica militarizadas no Canadá, na Suécia, na Finlândia ou no Japão. Todos… Leia mais
Sr. J.P. Silveira. O seu comentário tem acertos e erros. 99 erros e um acerto: o respeito em dirigir-se aos mais velhos como Senhor. Aos meus respeitáveis leitores do Disqus, deixo o Erro#1 Quando se refere à educação militar – equívoco típico que a santa ignorância da ideologia gera pois que dóceis à “linha marxista” – levou o sr. Silveira a cometer. Eis que na 1a. linha de seu (dele) comentário já tropeça. Chamar a instituição militar de “antro” é de uma ignorância abissal. i. Antro: seg. o Aulete.(an.tro) sm. 1. Caverna, gruta natural, ger. funda e escura, que serve… Leia mais
Sr. Queiroz, você deve também acrescentar a sua vasta erudição “o conhecimento esotérico da leitura de mente” já que insinua que eu sou um marxista. Parabéns! Sobre a relação entre o “poder imaginativo” e os “duendes”, sua ilação é, com o respeito que lhe devo, uma astúcia discursiva que se vale da referência a autores cuja a preocupação e o labor intelectual não dizem respeito ao tema em questão. Os “duendes” que mencionei não são os de Tolkien ou de qualquer escritor Inkiling de Oxford, mas os da mente que, por ser demasiadamente convicta, não consegue aplicar a reflexividade para… Leia mais

Eu tenho uma grande ideia! Já que os militares são tão eficientes quando estão no comando, seria interessante se eles se eles administrassem o Brasil. O que você acha?
Opa! Eu acho que já vi esse filme antes.

N

O meu sonho era ter estudado em uma escola da PM, de onde o povo sai com notas altíssimas, disciplina e vergonha na cara. Orgulhosos por serem gente de bem. Eu com certeza seria uma pessoa muito melhor hoje.

É, certamente você seria bem melhor…

Acho ruim. Sou aluna. Nos simplesmente não temos condições de estudar em colégio assim. Este colégio eh o único. Nele abrange várias pessoas carentes. Alunos que estudam e trabalham uns não tem nem tempo de chegar no colegio na hora exata. Por causa dos ônibus depois do serviço. A polícia militar não entende que somos uma das mais carentes possíveis. Peça a eles que dêem uma volta nesses setores. Para ver como são os moradores em que condições vivem. Eu me enquadro nisso. Sempre tive que trabalhar para ajudar na renda. Se eles acham que eu trabalhando todo o dia… Leia mais

Essa Joyce é aluna do Colégio da PM e pelo seu texto apresentado, demonstra que o colégio não é lá essas coisas no tocante a ensinagem de Português.

“No tocante a ensinagem”

Solta uma monstruosidade dessas e ainda quer apontar para o português do outros.

é bem ao contrario meu amigo, ela disse que não conseguira estudar em um colégio militar;;

Eu moro próxima desse colégio e sei das dificuldades. Me recordo de ver, certa vez uma aluna saindo do colégio sem autorização e, ao ser questionada pela portaria, simplesmente começou a rir e continuou andando, ignorando a mulher (que não pôde fazer nada) É esse tipo de aluno que é contra a militarização. Ouvi relato de mãe de aluno do colégio dizendo que não quer que ele seja militarizado porque ” o filho não gosta de estudar”. Eu fico boba porque boa parte do povo é a favor da militarização e esses gatos pingados ficam querendo dizer que não é.… Leia mais

Aos poucos vem à tona que não são as escolas militares que são melhores, seus alunos que são melhores. Submetidos a uma seleção, não tem como não apresentar melhores resultados.

Me custa crer que estes resultados advém da hierarquia. Ou de um uniforme.

acredito que você criticando não ajuda em nada. procure saber mais das escolas militares. mas caso você tenha algo em mente melhor do que isso repasse para nós quem sabe seja uma ideia melhor que uma escola militar !

O brasileiro cultiva com muita frequência a ideia de que só há mérito na crítica se o crítico puder “fazer melhor”. E a burrice não para aí, tem que fazer melhor e ainda de quebra, mantendo todos os elementos do establishment. Para a crítica ter alguma chance de sequer ser aceita, cobra-se do crítico um currículo de respeito. Como nem sempre o há, a crítica é descartada rapidinho. Mas não achem que se o crítico realmente tiver o esperado currículo perfeito, a crítica passará a agradar. O problema é outro: Brasileiro não sabe o que é crítica. Simples assim. O… Leia mais
O que falta para as escolas “não militares” terem a qualidade que as militares estão apresentando é disciplina + empenho + estrutura + recursos + gestão eficiente. O que vemos infelizmente na rotina das outras escolas é a falta de TUDO somadas a direitos regulamentados baseados em utopias que de uma sociedade idealizada que se acha no direito de ter todas as regalias mas não se presta a fazer nenhum esforço de sua parte, mesmo que o mais factível e menor deles seja estudar. Hoje temos alunos que desrespeitam a tudo e a todos e pais coniventes e ausentes que… Leia mais

Verdade minha cara, porém por descaso político e contendas partidarias isso não vai acontecer tão cedo. Existe formas de uma escola ser excelente sem ser militarizada, porém as mais periféricas são jogadas as traças e por falta de recursos e qualquer tipo de apoio definham. Por isso, a curto prazo, na atual conjuntura nacional, militarizar certas escolas acaba sendo a melhor solução. Não queria que chegassemos a este ponto, porém sem reformas na educação e na política (e isso não será feito tão breve) não vejo outra opção.

É bem fácil um colégio militar ter sucesso: 1. Classe social dos alunos facilita a permanência na escola para dedicação exclusiva aos estudos; 2. Alunos indisciplinados são remanejados para outras escolas não militares; 3. Alunos dedicados são estimulados a serem “melhores” e submetem os “piores” ao poder que vem da hierarquização; 4. Não existe pluralidade dos discursos: professor que não concorda com as novas regras (e os alunos também), são enviados para outras escolas. Os itens 2 e 3 são comuns aqui em SP – as melhores escolas públicas no Enem são aquelas em que há processo seletivo para entrar.… Leia mais
Bom, conheço pessoas que moram na redondeza deste colégio e que principalmente no turno da noite vivem um verdadeiro terror. Alunos pulando o muro a hora que bem quer, e sem falar na droga que corre solta lá dentro. Nossos jovens precisam aprender sobre a autoridade, a submissão, o respeito… Na verdade, isso é tarefa dos pais ensina-los, mas infelizmente muitos pais já não conseguem tomar as rédeas. Acredito que será o melhor para os nossos jovens e adolescentes, um ensino com educaçao e respeito. Acredito também que vale pagar um preço agora em uniformes e livros, do que pagar… Leia mais
Como dizia Marx (O Grouxo, não o Karl): “Inteligência militar está para inteligência assim como a música militar está para música”. Lembrei dele ao ver que instituições de ensino tocados pela PM, espantosamente, tira do crime alunos que pertence a classes sociais que trivialmente menos alimentam estatísticas de crimes. E claro, é a atuação disciplinatória dos militares que faz com que a educação mude a sociedade. Mas eu vejo com bastante simpatia militares conduzindo escolas. Afinal, a escola já é um ambiente de hierarquias e premia o quanto alguém se comporta de acordo com as regras. Escolas sempre tiveram muito… Leia mais

Vejo com muito cautela e atenção a implantação de escolas militares no Brasil. Acho errado as escolas serem bancadas com orçamento público com gestão e concepções militares. Ponho em dúvida se de fato as Secretárias de Educação terão algum tipo de gerência sobre elas. Eu vejo que simplesmente os militares estão usurpando escolas públicas em benefício próprio, custeadas com nossos impostos. Independente de ideologias ou concepções, quero que o direito a educação pública, com acesso livre e irrestrito seja respeitado, sem discriminações e intolerâncias

Nas opiniões abaixo, lembram que os alunos chegam sem valores à escola, ocasionando desrespeito à figura do professor e tornando a aula improdutiva. Valor é uma questão crucial? É. Como se ensina? Como se diz, vem do berço. Ora, então militarização de escolas não é bem a solução: Sargento não é mãe e eles de qualquer forma, não se ocupam com alunos “sem valores”. Selecionando-os, garante assim uma classe cheia de alunos com valor. E parece não ter vergonha em dizer que isto advém de uniformes, cantar o Hino Nacional e disciplina. Como resolver a questão de valores? Só consigo… Leia mais

Realmente, Epaminondas, a educação – sozinha – não muda a sociedade. Mas, se nós interviermos na educação, também não há dúvida de que estaremos intervindo na sociedade. Ou estamos discutindo exatamente o que, aqui neste espaço?
Se há divergência de ideias, mas com respeito, então há esperança…

Educação é um dos maiores orçamentos do estado. Não entendendo então porque consideram que a educação não é boa o suficiente para refletir este investimento. Ou educação não é isto tudo que a sociedade prega, que vai nos resgatar do barbarísmo e nos levar para civilização; ou a estrutura de hoje é como um carro quebrado, que não importa o quanto colocamos gasolina, ele não vai andar. Hora de parar então de colocar tanta gasolina e mudar o que não está funcionando. Mas ninguém quer fazer isto. A grita é que educação é importante então temos que dar ainda mais… Leia mais

bom eu estudo no CPM sei q as vezes é ruim tantas regras, mas o colégio é muito bom no ensino…

Sei que ainda sou criança e tal nao sei falar muito bem como os senhores,mas antes de xingarem os militares.Pensem,quem aparece na televisao entregando alimentos aos atingidos por uma enchente por exemplo?Os militares.Quem abandona o país para ajudar a garantir a paz em outro em missões de paz?os militares.Nao vou descutir com ninguém porque sei que cada um possui sua opiniao formada e que devemos respeitar as opinioes uns dos outros,mas nao venham falar mal do ensino de um colégio militar por favor.Eu como aluno,que convivo em um destes colégios porém do exército,conheço a rotina,o ensino,a forma de educaçao. 1-Eles… Leia mais

tens meu total apoio joão victor . seu comentario falou tudo. um depoimento de quem estuda na instituição,. quem melhor pra comentar aqui nesse espaço do que um aluno.

Uauuuu! Parabéns! Acho que podemos ter um mundo melhor respeitando opiniões, o que pode ser bom para outrem, pode não ser para mim e vice versa. Esqueçamos as ideologias que não nos levam a nada e façamos um mundo melhor que também depende de nós! Assim como há mal politico e isso está estampado nas manchetes, há também profissionais de péssima qualidade que só batem o cartão, aliás cumprem horário e vão embora, já presenciei muito disso. De ambos os lados, tendo ou não suas ideologias, acho que cada um precisa aproveitar o que há de melhor no mundo, se… Leia mais

Tem que ser militar sim, esses falsos moralistão, são os mesmos que se forem ou quando foram assaltados, buscaram o militar para se assegurar e a policia para reclamar, somos a favor de um futuro cidadão e cidadã comprometido com o pais, agora se militar é rígido, tire seu filho de lá e coloque em escolas de bandidos, que droga, parabéns, Goias, excelênte atuação, melhorou e muito o grau de escolaridade, queremos em todo pais e falsos historiadores lixo expulsos dessas escolas que só ensinam a falsa ditadura mas nessa matéria nunca se falou em comunismo.

Os colégios militares se tornaram uma referência, pois cultuam os valores que faltam na nossa sociedade, brindando um ensino de alto nível. Ao partido político que estava no poder, não interessava educar a população; e esse partido colocou em postos chaves diversos de seus agentes, para minar outros caminhos. Temos que valorizar a educação de qualidade, a meritocracia.Um país soberano precisa de uma sociedade bem instruída.

Professora Walderês Nunes, militante petista! É claro que se oprime.

Só fala que colégio militar não presta são esses esquerdopatas que nunca tiveram coragem de colocar seus filhos para estudar em um ambiente que deveria ser padrão em todas as escolas públicas. Minha filha estudou em colégio militar e posso garantir que não houve nenhum tipo de alienação ou militarização, muito pelo contrário, foi onde se interessou muito mais em ler e desenvolver o espírito crítico, e de quebra passou em primeiro lugar na PUC, no curso a que se propunha evidentemente, no IFG e na UFG. Acordem!

E o melhor ensino e a coisa mais certa a ser feita para aqueles que realmente quer estudar, em observação só tem recusa aqueles que já não tem disciplina e muito menos interesse pela educação com um futuro de responsabilidade. Parabéns ao governo e a polícia militar pela iniciativa e sou a favor que muitos outros venham.

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