18/05/12
Política
Vaccarezza nega blindagem de governador na CPMI
Deputado foi flagrado enviando mensagem de celular a Sérgio Cabral, governador do Rio de Janeiro, durante reunião da comissão que investiga caso Cachoeira

Déborah Gouthier

O deputado federal Cândido Vaccarezza (PT-SP), ex-líder do governo na Câmara, declarou nesta sexta-feira, 18, que não haverão “blindagens” na CPMI do Cachoeira, justificando-se em relação às filmagens feitas pelo SBT durante a reunião da comissão, realizada ontem. Na ocasião, a imprensa flagrou o parlamentar enviando uma mensagem de celular ao governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), tranquilizando-o sobre as investigações.

Entre as dezenas de convocações aprovadas pelo grupo que compõe a CPMI, foi questionada a ausência dos governadores citados por supostas relações com o empresário dos jogos, como Marconi Perillo (GO), Agnelo Queiroz (DF) e o próprio Cabral. Diante do andamento da reunião, o deputado escreveu ao governador: “A relação com o PMDB vai azedar na CPI. Mas não se preocupe, você é dos nossos e nós somos dos teu.”

Vaccarezza se manifestou ainda ontem por meio de seu perfil no Twitter, onde publicou a seguinte mensagem: “Sou amigo do PMDB e nossas relações nunca serão azedadas. O SBT filmou uma troca de mensagens entre eu e o Cabral num momento de irritação”. Pouco mais tarde, ele defendeu o governador, alegando que não existe nenhuma citação telefônica, nem envolvimento comprovado dele com Cachoeira. Ele afirmou ainda que não haveria blindagem ao peemedebista, e que a CPMI iria investigar a “organização criminosa do Carlos Cachoeira doa em quem doer”.

Entretanto, diante da repercussão negativa do caso, o deputado divulgou uma nota oficial nesta tarde, reiterando seu posicionamento sobre Sérgio Cabral e sobre os trabalhos da CPMI. “Qualquer um que tiver relação com a organização criminosa de Carlos Cachoeira será investigado. Por outro lado, não vamos compactuar com a espetacularização ou com o esvaziamento da investigação”, declarou. Ele explicou que o texto da mensagem enviada durante a reunião refletiu sua preocupação pessoal “com tensionamentos pontuais entre o PT e o PMDB”, pretendo reforçar ao governador a necessidade de manter a boa relação entre os partidos. Ao final da nota, o deputado explica que o caso de Cabral é diferente do de Marconi Perillo, “contra quem pesam suspeitas fortes de que havia uma cota de funcionários do seu governo indicados pela organização criminosa, principalmente na Polícia Civil e no Detran-GO”.

Leia a nota na íntegra no site do deputado Vaccarezza e assista, abaixo, o vídeo com a reportagem do SBT.