34 anos
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Tribunal da ONU começa a julgar chefes do Khmer Vermelho
Mais de 30 anos após o assassinato de quase 2 milhões de pessoas, quatro integrantes da organização maoísta sentam-se no banco dos réus
Mark Peters/Reuters
Nuon Chea, de touca e óculos escuros, era o número 2 de Pol Pot

Cleomar Almeida

Acusados de genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade, quatro integrantes do alto escalão dos Khmer Vermelho – um regime marxista ultra-ortodoxo – começaram a ser julgados, nesta segunda-feira, 27, pelo tribunal internacional da ONU (Organização das Nações Unidas). Eles teriam causado a morte de quase dois milhões de pessoas no Camboja, de 1975 a 1979, seguindo uma eliminação metódica e calculada.

Os réus são o ideólogo do regime liderado por Pol Pot, Nuon Chea – popularmente conhecido como“irmão número dois” –; o chefe de Estado do regime, Khieu Samphan; o então ministro dos Negócios Estrangeiros, Ieng Sary; e a sua mulher e ministra dos Assuntos Sociais, Ieng Thirith. Eles têm idades entre 79 e 85 anos.

Segundo as denúncias, a minoria muçulmana Cham, a população vietnamita e a comunidade de monges foram os alvos preferenciais da chacina que marcou um dos períodos mais negros da história da humanidade. Os crimes teriam ocorrido em consequência de torturas, de fome, de trabalhos forçados e de execuções. À época os mortos representavam um quarto da população do país.

Procedimentos

Até quinta-feira, 30, haverá as audiências preliminares, para definir as listas de testemunhas. Após esta primeira fase, os trabalhos deverão ser suspensos por algumas semanas, para que sejam organizadas outras questões relativas ao julgamento.

Ieng Sary levanta uma das expectativas do julgamento. Ele pode voltar a ser julgado, levando em conta que um tribunal nacional o condenou a morte à revelia por genocídio em 1979, mas depois lhe concedeu uma anistia em 1996.
O chefe dos Khmer Vermelho, Pol Pot, não está entre os réus porque morreu na floresta cambojana em 1998, prisioneiro de seus próprios correligionários.

Por causa da morosidade, especialistas e movimentos cívicos temem que os réus não cheguem a viver para conhecer a decisão da Justiça, principalmente se a defesa seguir uma estratégia de obstrução.

*Com informações da Agência Efe