18/09/11
Educação
Projeto de Restruturação da UEG gera polêmica
Entre as propostas do relatório está a extinção de seis cursos e transferência de 24 unidades

Janaína Martins

No dia 15 de setembro a Comissão de Estudo sobre a UEG apresentou o Projeto de Reestruturação da instituição.Dos 43 diretores, apenas nove compareceram, o reitor, Luiz Antônio Arantes, é contrario as mudanças e também não compareceu no local. A universidade tem passado por vários problemas, além de estar entre as cinco piores do país. Entre as propostas do relatório está a extinção de seis cursos e transferência de 24 unidades.

A vice-reitora, Eliana França, disse ao Jornal Opção que o relatório, elaborado a partir de dados e análises fornecidos pela própria universidade, ouviu em audiências públicas a comunidade acadêmica. A comissão sugeriu a criação de novos centros regionais específicos, centros de educação à distância, investimento em estrutura física e ampliação de bibliotecas. Eliana também falou da possibilidade de transformação da Esefego em um centro regional de ciência e saúde, com possibilidade de novos cursos na área, como farmácia, enfermagem e até medicina.

O presidente da Adueg (Associação dos docentes da UEG), Emerson de Oliveira, disse ao Jornal Opção que comissão avaliativa não tem ninguém ligado a UEG e que não houve critério para exclusão dos cursos. A Adueg e o DCE também reclamam da falta de autonomia da Universidade e dizem que a vice-reitora não foi eleita conforme o estatuto.

Emerson também critica o plano de restruturação, alegando que não traz nenhuma novidade e que se restringe a fechamento de curso. “O grande problema que a UEG tem é o orçamento, são 42 unidades com 153 cursos com valor orçamentário de R$ 140 milhões”, conta. O presidente da Adueg compara o valor ao da UEPB (Universidade Estadual da Paraíba) que tem sete Campi, 41 cursos e valor orçamentário de R$ 340 milhões.

As reclamações não param por aí, “A UEG tem prédios ruins, telhados caindo, mal dá pra pagar material de higiene e limpeza, o dinheiro não dá para manter a instituição e o salário dos professores é ruim”, reclama Emerson. O vice-presidente do DCE (Diretório Central dos Estudantes), Frank Boniek, acredita que as melhorias só seriam alcançadas com o aumento de salários para os professores e investimento em estrutura física, “a solução não é extinguir cursos”, completa Boniek.

Emerson disse que as propostas estão maquiadas, “fala-se que seis cursos serão extintos, mas na verdade serão 32, porque os cursos transferidos de uma cidade para outra são cursos que já existentes na sede que vai recepcionar o ‘novo’ curso. Por exemplo, os cursos de Pedagogia e Letras, que existem em São Miguel do Araguaia, vão passar para Porangatu, onde já existem os cursos”, explica.

Eliana diz que, perceberam que em algumas cidades a demanda de alunos para alguns cursos estão baixa e que com a transferência para outras sedes vai ser possível aumentar o número de vagas onde a demanda é maior.

Boniek disse não ser contra a criação de novos cursos, mas antes da criação é preciso resolver os problemas estruturais e devolver a autonomia da universidade. Também disse que é preciso haver eleição para vice-reitor e para pró-reitores. “A UEG não é secretaria de governo, ela é uma instituição educacional e precisa ser respeitada”, completa. Eliana França foi nomeada pelo governador Marconi Perillo, mas de acordo com o Estatuto da UEG, este cargo só pode ser ocupado através de eleição.

“A UEG precisa de autonomia financeira, didática e científica, precisa de eleições diretas, não dá pra ter uma vice-reitora que caiu de para quedas e que não conhece a realidade da instituição”, diz Boniek. Emerson disse também que a UEG trabalhou na eleição do Governador Marconi Perillo e que espera o cumprimento do compromisso de devolver a autonomia da universidade.