25/05/12
UFG
Professores fazem indicativo de greve para o dia 11
Antes, categoria se reunirá por meio do Fórum de Mobilização dos professores da Universidade Federal de Goiás e em assembleia organizada pela Adufg

Ketllyn Fernandes

Assim como ocorreu com as manifestações do Sintego (Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás) no início deste ano, em que um movimento paralelo atuava em prol de melhorias à categoria de forma mais incisiva durante a greve que durou 51 dias; docentes da UFG criaram o Fórum de Mobilização dos professores da Universidade Federal de Goiás, que nesta segunda-feira, 28, se reúne para tratar de questões referentes à possibilidade de greve dos professores no estado, cujo início está previsto para o dia 11 de junho.  A adufg também tem agendada uma assembleia geral da categoria para o dia 6 de junho, em que serão tratados, dentre outros assuntos, a paralisação.

O grupo aponta a Adufg (Sindicato dos Docentes das Universidades Federais de Goiás) como acomodada ante os problemas enfrentados pela classe: reajuste salarial, gratificações e falta de comprometimento por parte do governo federal – que adiou para 2013 o compromisso firmado em 2011 que previa a instauração de um novo plano de carreira até março de 2012. 

Pelo acordo firmado com o sindicato nacional da categoria, este ano seria concedido um aumento de 4% aos professores, porém a promessa não foi cumprida, dando origem a uma ameaça concreta de greve para o último dia 17 de maio. O MEC (Ministério da Educação) então decidiu por assinar a Medida Provisória n° 568, que tornou efetivo e retroativo a março o acordo firmado em 2011.

Reivindicações

O Fórum, entretanto, alerta que somente os 4% de reajuste não trarão mudanças significativas, uma vez que o aumento afeta diretamente o salário de grande parte dos docentes, por mudar o regime de recebimento da data-base anual, resultando, conforme consta em carta aberta do Fórum, em valores congelados e nominais.

Outro ponto de insatisfação são as perdas acumuladas pelos professores que atuam em IFES (Instituições Federais de Ensino Superior). Conforme levantamento feito pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos), os docentes dos institutos já acumulam perda de 16% de 2009 a julho 2011.

A classe convive hoje com defasagem salarial, que se comparada a um salário pago em 2003 para um pesquisador do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e um professor com doutorado variava em apenas R$ 300 a menos para o segundo;  atualmente a diferença pode chegar a até R$ 5 mil.

Para além de questões financeiras, o Andes (Sindicato Nacional das Instituições de Ensino Superior) aponta que o cenário atual das universidades federais é o seguinte: “Instituições sem professores, sem laboratórios, sem salas de aulas, sem refeitórios ou restaurantes universitários, até sem bebedouros e papel higiênico, afetando diretamente a qualidade de ensino.” 

O governo

Em contrapartida às questões apontadas pela categoria em âmbito nacional, o ministro da Educação, Aluízio Mercadante, afirmou no último dia 23, quarta-feira, que o governo cumpriu com todos os acordos firmados ano passado com os professores universitários federais, se referindo ao reajuste de 4%. Sobre a restruturação do Plano de Carreira, o ministro defendeu que ainda está dentro do prazo, já que a proposta pode ser enviada até 31 de agosto para aprovação do orçamento.

Mercadante reiterou não ver necessidade para deflagrar uma greve, já que está em andamento uma negociação com o governo. “Não há qualquer prejuízo material para os docentes”, pontuou.  Segundo ele, uma paralisação de professores iria de encontro a todos os esforços do governo em desenvolver o ensino superior no Brasil. “São 220 mil novas vagas, 14 universidades e 132 novos campi para dar suporte a esse 1 milhão de matrículas. Desde 2005, investimos R$ 8,4 bilhões na reestruturação da rede federal. Somente em 2012, o investimento é de R$ 1,4 bilhão. Temos 3.427 obras”, concluiu.