07/03/12
Agricultura
Produtores querem reivindicações atendidas
Construção de casas, estradas e infraestrutura, além de meios de manufatura estão entre os pedidos dos agricultores

Marcos Nunes Carreiro

Em um clima de cooperação, os camponeses das mais diversas regiões de Goiás tentam dar certa familiaridade ao acampamento que teve inicio nesta quarta-feira, 7, em frente à Assembleia Legislativa. São aproximadamente 3 mil os pequenos produtores que chegaram às imediações da Casa. Porém, parte deles se dirigiu à Seagro (Secretaria de Agricultura, Pecuária e Irrigação) na parte da tarde buscando uma reunião com o secretário Antônio Flávio.

A reunião aconteceu e a resposta da assessoria de imprensa da Seagro foi: "Eles colocaram as demandas deles e o secretário, que já viajou para Porangatu, disse que já tem trabalhado para resolver. O grande problema é que eles querem as respostas imediatas, mas não é assim. Nós seguimos uma hierarquia, isto é, temos que contar com a autorização do governador, do Ministério de Desenvolvimento Agrário, etc. Então a posição do secretário foi de que estamos trabalhando para resolver as demandas da agricultura familiar em todo estado".

A assessoria informou também que foi pedido ao secretário Antônio Flávio que interfira a favor do MPC para marcar uma audiência com o governador Marconi Perillo. As informações são que o secretário irá pedir pessoalmente ao governador que conceda a audiência aos produtores. Porém, a reunião deve se dar após a Conferência Estadual de Assistência Técnica, que acontecerá na semana que vem. 

As principais reivindicações atendem ao chamado do MPC (Movimento Camponês Popular), que quer a construção de casas, ou a reforma das já existentes, o fim do ICMS para os produtos vindos da agricultura familiar, além de subsídios aos pequenos produtores.

Um destes é o senhor Expedito Coutinho, produtor de milho e feijão no município de Santa Teresinha de Goiás. Ele se encontra entre amigos conversando e analisa sua situação, assim como a de grande parte dos manifestantes. “Nós temos a terra, mas não temos como trabalhar. Se eles nos derem meios de trabalho, nós vamos produzir para nós e para mais alguém. Caso contrário, vamos parar nas cidades e aumentar as favelas, porque não temos estudo, né? (risos)”, pontua.

Assim como o Seu Expedito estava em uma roda de conversa, a senhora Igiocelina Cardoso se encontra rodeada de mais quatro mulheres descascando abóbora e espalhando o cheiro de feijão cozido pelo ar. Ela diz os motivos de estarem acampados ali. “Deixei meu marido e meu irmão cuidando das terras e estou aqui porque não temos apoio do governo estadual. Sofremos muito trabalhando de sol a sol, não temos retorno e, ainda, temos que pagar impostos. O que queremos são nossas reivindicações atendidas”, relata.

O grupo também se dirigiu à Celg para reivindicar eletrificação rural, visto que grande parte dos assentamentos goianos é desprovido de energia elétrica.

*Atualizado às 18h07