34 anos
Corrupção
Padres são denunciados por desvio de recursos federais em quase R$ 80 mil
Valores seriam destinados a projeto para conscientização de jovens sobre DST e Aids

Déborah Gouthier

Dois padres foram denunciados pelo MPF-GO (Ministério Público Federal em Goiás) pelo desvio de quase R$ 80 mil em verbas federais. Os recursos eram destinados à administração e execução do projeto Jovens Conscientes, financiado pelo Programa Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde em parceria com a Unesco.

O padre Anselmo Silva era representante da Igreja Católica Apostólica Brasileira na Paróquia de Goiandira e propôs o projeto em outubro de 2004, com a intenção de atender oito municípios, sendo quatro em Goiás e quatro em Minas Gerais, para a conscientização de jovens sobre o uso de drogas e as doenças sexualmente transmissíveis. O montante de R$ 164 mil seria depositado em nome da paróquia pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), em duas parcelas em torno de R$ 82 mil.

Segundo a acusação, o ex-padre Egmar Gonçalves da Silva, autorizado pelo padre Anselmo, sacou uma das parcelas no mês de janeiro de 2005, dias após o depósito. Os recursos deveriam ter sido utilizados para ações durante todo o ano, mas este primeiro saque já reteve 98% do valor, como explicou ao Jornal Opção o procurador da República Daniel de Resende Salgado. O fato gerou algumas suspeitas, que ocasionaram em uma supervisão técnica do Ministério da Saúde. Na ocasião, os padres teriam apresentado inclusive, uma nota fiscal falsa, como se tivessem adquirido materiais para a execução do projeto. No entanto, além de o proprietário da empresa que teria emitido a nota ter negado a emissão, a data de autenticação não condizia com a de expedição do documento, confirmando sua falsificação.

De acordo com as informações do procurador, as investigações não concluiram como foram divididos os recursos entre os dois padres, mas constataram que eles foram utilizados para usufruto pessoal, inclusive para a possível compra de um carro. Como o projeto nunca saiu do papel, a segunda parcela dos recursos federais nem chegou a ser depositada.  

Dessa forma, de acordo com a acusação, os padres são considerados funcionários públicos para fins criminais, já que exerciam função pública por delegação. As investigações, que foram concluídas no final do ano passado e apresentadas neste mês, apontam que Egmar foi desvinculado da Igreja e Anselmo foi afastado da Paróquia de Goiandira e transferido para o Sergipe. Caso sejam condenados, os acusados podem pegar pena de 2 a 12 anos de reclusão.

*Atualizada às 17h30