22/07/13
Visita ao Brasil
O papa chegou. E daí?
Como católico, respeito todos os outros que aqui estiveram. Mas não dá para não gostar mais de alguém que não quer nada mais do que fazer o simples
Reprodução
Francisco: postura despojada, diferente de seus antecessores, vai cativar os brasileiros

Elder Dias

E daí que é um papa bem diferente dos dois anteriores que estiveram no Brasil. João Paulo, Bento XVI e Francisco, cada um tem seu jeito, sua idiossincrasia. Mas é este último justamente aquele que é mais brasileiro.

Não por ter nascido aqui do lado, na Argentina tão vítima de nossas piadas, que têm todas elas uma inveja disfarçada: os “hermanos”, assim como os uruguaios, são mais cultos e respeitam muito mais a própria história. A nossa história? Jogamos fora sempre que podemos, seja em um prédio antigo demolido para dar lugar a um condomínio, em um centro cultural abandonado ou em diversas outras formas que só nós temos para nos livrar do que nos deveria ser mais caro.

Voltando ao papa: ele tem o lado bom do brasileiro. O sorriso fácil, a brincadeira descontraída, o jeito simples de ser. Isso é o que temos de melhor e que vai fazer com que ele volte à Europa, depois da Jornada Mundial da Juventude, deixando muita saudade e admiração deste lado do Atlântico.

Aqui no Brasil ele vai quebrar protocolos nas suas andanças pelas favelas; vai dar puxão de orelha em muito político que hoje, inclusive, estava babando em suas vestes brancas ao recepcioná-lo; vai fazer muito progressista lhe torcer o nariz, ao reiterar a condenação do aborto como política pública; mas vai também dar novas diretrizes a conservadores clericais de plantão, “fiscais da fé”, como ele os nomeou.

É um papa diferente. Como católico, respeito todos os outros que aqui estiveram. Mas não dá para não gostar mais de alguém que não quer nada mais do que fazer o simples e mostrar que há vida além da abominável "teologia da prosperidade" e do fechamento em guetos religiosos em geral, até mesmo dentro do catolicismo — onde alguns (nem todos) se acham melhores que outros porque falam em línguas ou dão palestras ou cantam ou louvam.

O papa chegou, e daí? E daí que vai transformar, para melhor, a Igreja do Brasil.