26/06/12
Operação Monte Carlo
Major afirma que recebeu ordens para não coibir jogos ilegais
Deputados recebem depoimentos e situação quer quebrar o sigilo do prefeito Paulo Garcia e de Iris Rezende
Fernando Leite/Jornal Opção
Major da PM Uziel Nunes depõe na CPI e coloca sua vida à disposição da Comissão

Marcos Nunes Carreiro

Estavam previstos para esta terça-feira (26/6), quatro depoimentos na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Assembleia Legislativa. O primeiro foi o do ex-vereador Wladmir Garcêz, preso desde o dia 29 de fevereiro. Após esse depoimento os deputados contavam com a presença do empresário Walter Paulo, envolvido na polêmica compra da casa do governador Marconi Perillo (PSDB). Porém, o empresário apresentou um atestado médico e deve atender à convocação só no começo de julho.

Os outros dois depoentes foram o major da PM (Polícia Militar) Uziel Nunes e o coronel da PM Júlio César Mota. Uziel seguiu o script do primeiro policial a depor nessa CPI, o delegado da PC (Polícia Civil) José Luis Martins Araújo, e falou sobre sua carreira, pontuando trajetória e ações. Mas sua declaração mais polêmica diz respeito às ações da polícia no Entorno de Brasília em relação aos jogos ilegais, tendo declarado que recebeu ordens para não agir contra a exploração de jogos ilegais. As ordens viriam do então secretário de Segurança Pública, João Furtado.

O major terminou dizendo que todas as suas informações, contas bancárias e sigilo telefônico estão a disposição da Comissão. “Minha vida está aberta ao interesse dos deputados. Se vocês acharem R$ 1 a mais do que recebi da PM em todos esses anos, me declaro culpado diante dessa Comissão”, disparou.

Já o coronel Júlio César Mota, afirmou não conhecer as pessoas que supostamente citam seu nome nas gravações da PF (Polícia Federal), Lenine Araújo e Regina, e explicou que o trabalho da polícia contra os jogos ilegais acontecia de maneira pontual e não era prioridade frente a outros crimes. “A prioridade era em cima dos furtos e roubos a veículos, pessoas e estabelecimentos comerciais. O jogo era visto assim como a pirataria, que ainda hoje toma conta do comércio em qualquer cidade no Estado”, explicou.

Ele declarou ainda que desconhece qualquer informação sobre o pagamento de propinas provenientes do grupo de Cachoeira para a promoção de coronéis e afirmou que mantinha ligações estritamente profissionais com o ex-secretário de Segurança Pública, Ernesto Roller.

Quebra de sigilo de Paulo Garcia e Iris Rezende

Os deputados Talles Barreto (PTB) e Túlio Isac (PSDB) apresentaram requerimento nesta terça-feira (26/6) à CPI pedindo a quebra de sigilo bancário, fiscal, telefônico e de SMS do prefeito Paulo Garcia (PT) e do ex-governador Iris Rezende (PMDB). Eles alegaram que é importante ter informações acerca dessas autoridades, que foram citadas, ou tiveram algum tipo de ligação com pessoas envolvidas nos esquemas de contravenção. Os requerimentos serão votados na próxima semana.