37 anos
29/09/10
Debate Tocantins
Gaguim vira o jogo e coloca Siqueira na berlinda
O debate da TV Anhanguera pode não ter decidido a eleição, mas provocou mudança no contexto da disputa. Gaguim que vinha sendo alvo de denúncias saiu do foco e colocou o filho de Siqueira sob suspeita
Divulgação
Durante debate, candidato à reeleição, Carlos Gaguim, assumiu
controle da situação

Ruy Bucar

O debate da TV Anhanguera/Rede Globo, realizado na terça-feira, 28, era muito aguardado pelo público. Talvez por ser o último grande momento da campanha eleitoral e certamente pela possibilidade de confronto entre os dois candidatos Carlos Henrique Gaguim, do PMDB, e Siqueira Campos, do PSDB. Os eleitores queriam ver como os dois candidatos iriam se portar frente a frente depois da guerra eleitoral promovida nos últimos dias com denúncias e agressões no horário eleitoral.

O formato do debate seguiu o modelo idealizado pela Rede Globo para todo o país. Com quatro blocos com perguntas de candidato para candidato, sendo dois com temas definidos pela produção e os outros dois com temas livres. O debate foi medido pelo jornalista Sandro Dalpícolo, que não teve muita dificuldade e pelo menos uma vez lembrou os candidatos para respeitarem as regras do certamente previamente acertadas entre a assessoria dos dois.
 
O ex-governador Siqueira Campos entrou no debate com serenidade de estadista e a possibilidade de aprofundar a crise da campanha do adversário, assolada por uma onda de denuncismo que vinha preocupando a militância. No primeiro bloco fez perguntas bem elaboradas e respondeu a primeira pergunta com segurança. Ainda cobrou do adversário que priorizasse a apresentação de propostas que é o que o povo estava esperando naquela noite.
 
Gaguim visivelmente preocupado em esclarecer as denúncias contra o seu governo parecia precipitado e perdeu a chance de falar de propostas. No segundo bloco com duas perguntas para candidato o debate ganhou mais consistência, ficou mais quente e mais emocionante, mas também mais deprimente com acusações de ordem familiar que pouco ou nenhuma importância tem para o eleitor. Gaguim foi ousado ao tocar em temas delicados e conseguiu equilibrar o confronto.
      
No terceiro bloco, Gaguim foi duro, pediu a opinião do ex-governador sobre denúncias da revista “Veja” de agora e do passado com apresentação de denúncias contra o seu governo. Siqueira ficou na defensiva e nada respondeu. Talvez tentando se preservar e vender a imagem de bom moço, evitou se vincular à onda de denuncismo e perdeu a oportunidade de confrontar com o adversário aquilo que o povo mais queria ver. Siqueira reafirmando as denúncias que chegaram à imprensa patrocinada pela sua coligação. Isso não aconteceu e Siqueira perdeu o controle do debate e entrou no jogo. “O outro candidato não faz propostas só denúncias”, discursou Gaguim, cobrando compostura do adversário.
      
Debate não decide eleição, dizem os marqueteiros; no máximo, conseguem contribuir para lapidar a imagem do candidato vencedor na medida em que, no confronto com o adversário, o eleitor consegue identificar quem tem posição de vencedor. O debate revela com mais clareza o candidato que tem atitude, o que pode ser muito útil para o eleitor que busca confirmar o voto, tendo ter certeza que seu candidato vai ganhar as eleições.
 
Se é assim, o debate da TV Anhanguera/Rede Globo serviu para reforçar a performance do governador Carlos Henrique Gaguim (PMDB), que desde o início assumiu posição de vencedor. Lidera todas as pesquisas até aqui realizadas e têm todas as chances de vencer as eleições. Tem maior volume de campanha, aceitação popular, por onde passa arrasta multidões, faz uma campanha propositiva e mantém a trajetória de crescimento desde que início a campanha. A questão é, porém, verificar se as denúncias desidrataram sua campanha. 
 
Os marqueteiros também dizem que a primeira impressão é a que fica, mas que a última também é importante para reafirmar a primeira. Gaguim conseguiu esta proeza. Se apresentar bem no primeiro debate e derrotar o adversário se é que se pode definir assim o resultado de debate e na última oportunidade de confronto deixou uma boa imagem. Transmitiu segurança, ousadia e simplicidade ao falar de improviso e buscar sempre uma referência com o cidadão. Foi ousado ao tocar em assuntos melindrosos, mostrou indignação frente as acusações eleitoreiras e aproveitou para dizer que está preparado para dar continuidade a um governo que já fez muito em pouco e pode fazer muito mais. Coube a Siqueira despedir chamando para a virada, ou seja, admitindo que o adversário está na frente e pode vencer as eleições. Foi isso o que se viu naquele debate não tão interessante do ponto de vista da apresentação de propostas, mas muito importante para o momento da eleição por clarear o processo eleitoral e também o caminho de Gaguim rumo ao Palácio Araguaia. Foi só.