02/01/14
Caso Cauã Davi
Falta de fiscalização do sistema de sucção de piscinas no Brasil: mais um caso de negligência
No último dia 1º de janeiro um menino de 7 anos foi sugado pelo ralo de uma piscina em Caldas Novas. Ele encontra-se em coma. Mas o problema não é de Goiás, é do país, que não tem normas de segurança para piscinas coletivas

Ketllyn Fernandes

A falta de normas quanto ao uso de piscinas coletivas faz com que essas áreas em Goiás não sejam regulamentadas pelo Corpo de Bombeiros do Estado. Em fevereiro próximo será publicada uma regulamentação devido ao considerável aumento no número de acidentes em clubes e resorts goianos.

Mas a medida chega tarde. A mais recente vítima dessa falta de fiscalização foi feita nesta quarta-feira (1º/1). Cauã Davi de Jesus Santos, de 7 anos, ficou submerso por cerca de 10 minutos após ter seu braço sugado pelo ralo de uma piscina no Residencial Privé das Thermas 1, em Caldas Novas. A criança encontra-se em , em coma, estado gravíssimo.

O socorro foi acionado por volta das 11h, depois que os familiares e turistas viram frustradas as possibilidades de resgate de Cauã, que estava brincando com a avó na piscina quando foi sugado para baixo. Quando foi retirado de dentro d’água o menino estava sem pulso e com parada cardiorrespiratória. Os bombeiros chegaram a conseguir reanimá-lo no trajeto até da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do município.

Cauã está na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital particular na Asa Norte, em Brasília, cidade em que seus familiares moram. O resgate da criança contou com apoio do helicóptero Esquilo do Corpo de Bombeiros, que o buscou no local do acidente por volta das 13h. Às 18h30 a vítima desembarcava na base dos Bombeiros, de onde foi levada de ambulância para o hospital diretamente para a UTI.  

Drama real

Acidentes com ralos de piscinas são quase sempre fatais. Um caso emblemático é o de uma jovem chamada Flávia, que há mais de 15 anos vive em coma. A menina tinha 10 anos quando se acidentou. Ela teve seus cabelos sugados pelo sistema de sucção da piscina do residencial em que morava, em Moema, São Paulo.

O drama é relatado por sua mãe no Blog “Flavia vivendo em coma”, que tenta alertar para os perigos dos ralos de piscinas e também reforçar junto à sociedade a exigência de uma fiscalização eficiente, o que já é uma realidade nos Estados Unidos e na Colômbia. A legislação deste último país, inclusive, é tida como a melhor Lei de Segurança de Piscinas do mundo, pois engloba não só as áreas coletivas como as residenciais.

A atualização do Blog se dá com notícias de vítimas desse tipo de acidente. O mais recente registro é do estudante anapolino Matheus Henrique, de 11 anos, se afogou durante formatura da escola em Anápolis em dezembro último e morreu no dia 22, doze dias depois da fatalidade.

O caso de Flávia foi tema de reportagem especial do programa “Domingo Espetacular”, da Rede Record, em 2008.