34 anos
Justiça
Ex-presidente do BEG é preso em Rio Verde
Aires Neto Campos Ferreira cometeu “crime do colarinho branco” quando comandou o extinto banco estadual

Cleomar Almeida

O ex-presidente do extinto BEG (Banco do Estado de Goiás) Aires Neto Campos Ferreira foi detido nesta sexta-feira, 15, em Rio Verde, a 235 km de Goiânia. A Justiça Federal decretou a prisão dele, condenado há quase 10 anos por crimes financeiros cometidos quando esteve à frente do banco, e o levou para o presídio da cidade.

Presidente do BEG entre dezembro de 1993 e agosto de 1994, Aires sofreu duas ações da Justiça e, em cada uma, foi condenado a mais de quatro anos de prisão em regime semiaberto, além de uma multa equivalente a 165 salários mínimos com base no valor vigente à época do delito. Durante sua gestão, diversos empréstimos irregulares foram realizados, somando quase R$ 2 milhões.

Pela sentença, o juiz federal substituto Marcelo Meireles Lobão entendeu que a conduta de Aires é tipificada no artigo 17 da Lei do Colarinho Branco (7.492/86), que prevê como crime tomar, receber ou deferir empréstimo a gestores de instituições financeiras, seus cônjuges e parentes. Numa tentativa de burlar a lei, amigos e parentes de Aires Neto aceitaram figurar como laranjas. Os terceiros agiam como intermediários para dar aparência legal ao processo, com o objetivo de facilitar a obtenção de recursos do banco pelo então presidente do BEG.

O processo correu em segredo de Justiça por dez anos e também gerou condenação de outras seis pessoas por envolvimento no esquema. Entre elas, está a mulher do ex-presidente do BEG, Doralice Selaysim de Campos, que teve pena de 3 anos de prisão e 50 salários mínimos da época. O ex-prefeito de Rio Verde Osório Leão Santa Cruz também participou do esquema e foi condenado a 3 anos de detenção e 70 salários mínimos. Todavia, eles foram beneficiados por falta de antecedentes criminais e suas condenações terem ocorrido a menos de quatro anos. A pena de restrição de liberdade foi substituída por restritiva de direitos.

*Com informações do UOL